UOL Notícias Internacional
 

09/08/2006

Israel alerta libaneses que bombardeará veículos no sul

The New York Times
John Kifner*

em Beirute, Líbano
Uma crise humanitária se aprofundou por todo o Líbano na terça-feira, enquanto prosseguiam os combates entre soldados israelenses e guerrilheiros do Hizbollah ao longo da fronteira, em meio a indícios de que Israel está preparando uma grande escalada.

Em Tiro, a grande cidade sitiada do sul, panfletos foram lançados alertando que qualquer carro nas estradas ao sul do Rio Litani seria atingido.

"Todo veículo, independente de sua natureza, que viajar ao sul do Litani será bombardeado sob suspeita de transportar foguetes e armas para os terroristas", diziam os panfletos, endereçados ao povo libanês e assinados "Estado de Israel".

A ONU, assim como a Cruz Vermelha e outros grupos de ajuda, se disseram
incapazes de deslocar comboios até as aldeias ao redor de Tiro para entrega de suprimentos ou mesmo remover os corpos enterrados sob os escombros.

Em Israel, onde a pressão pública e política está crescendo devido ao lento progresso da campanha israelense após quatro semanas de conflito, o ministro da Defesa, Amir Peretz, disse que ordenou planos de contingência para uma maior ofensiva por terra quando o Gabinete de Segurança se reunir na quarta-feira, para considerar uma ampliação da guerra.

"Eu instrui todos os comandantes das FDI a prepararem uma operação visando tomar as áreas de lançamento e reduzir o máximo possível a capacidade de lançamento de foguetes do Hizbollah", ele disse, usando as iniciais das Forças de Defesa Israelenses.

"Se percebermos que os esforços diplomáticos não produzirão os resultados que esperamos, nós teremos que resolver isto nós mesmos", ele acrescentou, se referindo aos esforços na ONU, liderados pelos Estados Unidos e França, para uma resolução para um cessar-fogo.

Mas com ambos os combatentes presos ao que cada um considera uma luta pela sobrevivência, parece improvável que uma resolução do Conselho de Segurança terá qualquer efeito imediato.

Em Nova York na terça-feira, uma delegação da Liga Árabe disse aos membros do Conselho de Segurança que o esboço da resolução para suspender as hostilidades apenas pioraria a crise, ao não exigir uma retirada israelense imediata do sul do Líbano.

"O que está acontecendo semeará as sementes do ódio e do extremismo na área e fornecerá um pretexto para aqueles que sentem que a comunidade
internacional está sendo partidária", disse Hamad bin Jassem al Thani, o ministro das Relações Exteriores do Qatar.

Um alto funcionário do governo Bush disse que não vê Israel aceitando uma resolução que exija uma retirada imediata. Segundo o atual esboço, os israelenses só partiriam após a chegada de uma força internacional, que seria criada por uma segunda resolução que também trataria das dimensões políticas dos problemas, incluindo o desarmamento do Hizbollah.

Mas o funcionário, pedindo anonimato para discutir a estratégia do governo, disse que os Estados Unidos consideram o plano anunciado na segunda-feira pelo primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, que enviaria 15 mil soldados libaneses ao sul, como algo que poderia ser inserido na resolução para obter o apoio árabe.

"Se a forma de encerrar isto for o envio das forças armadas libanesas à
linha azul, isto significaria que o governo do Líbano seria aquele que
trabalharia com os israelenses para a retirada", ele disse. "É uma peça do quebra-cabeça que ajudaria a estabilizar o Líbano."

Enquanto isso, em uma ação incomum que observadores israelenses sugeriram ser um prelúdio para um combate pesado, o chefe do Estado-Maior das forças armadas israelenses, o general de exército Dan Halutz, nomeou seu vice, o general de divisão Moshe Kaplinsky, como seu representante pessoal para a supervisão do combate no Líbano. O contornar do comandante das forças terrestres israelenses, o general de divisão Udi Adam, foi o principal assunto dos noticiários de televisão israelenses da noite de terça-feira, com um repórter do "Channel One", Yoav Limor, dizendo que "o fracasso é do exército". Ele descreveu Kaplinsky como "um oficial vitorioso" que foi enviado ao norte para conquistar a vitória.

Nos combates de terça-feira, um ataque aéreo israelense matou 13 pessoas na aldeia xiita de Al Ghaziyeh, na segunda-feira. Outros ataques aéreos atingiram o sul -cerca de 40 ataques em uma série de locais- e as rotas de transporte para o leste no Vale de Bekaa, de maioria xiita.

As forças armadas israelenses disseram que três soldados morreram e oito ficaram feridos nos combates em terra na terça-feira. Grande parte dos combates se concentrou ao redor de Bint Jbaill, uma fortaleza do Hizbollah a poucos quilômetros ao norte da fronteira. Ilustrando a tenacidade do combate, esta é uma área que Israel tomou semanas atrás.

Em Beirute, explosões foram ouvidas na noite de terça-feira nos bairros
pobres de maioria xiita do sul da cidade. O Hizbollah disparou mais de 150 foguetes contra o norte de Israel, ferindo várias pessoas.

(Um ataque aéreo israelense contra o campo de refugiados palestinos de Ain Al Hilweh, no sul do Líbano, matou pelo menos uma pessoa, disseram médicos na madrugada de quarta-feira, segundo a agência de notícias "Reuters".)

Com todas as principais estradas agora interrompidas e um bloqueio naval na costa, a gasolina e o combustível para geração de eletricidade estão se tornando escassos. Com racionamento, há combustível suficiente para mais cinco dias de eletricidade, estimou um funcionário do governo na terça-feira, colocando em especial os hospitais, já sobrecarregados com os feridos, em perigo. Dois navios carregados de combustível estavam aguardando em alto-mar, mas se recusavam a se aproximar devido ao bloqueio israelense. Caminhões dos depósitos de combustível não estão transportando por poderem ser atingidos na estrada.

Equipes internacionais de ajuda humanitária disseram que a situação está particularmente ruim por todo o sul, tanto pelos comboios não poderem chegar a Tiro ou se aventurarem de lá para as demais aldeias.

"O sul do Litani está isolado", disse Khaled Mansour, o porta-voz chefe da ONU no Líbano, indicando que os comboios de ajuda da agência estão parados porque a última ponte sobre o Rio Litani, ao norte de Tiro, foi explodida.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU suspendeu a entrega de alimentos para as aldeias do sul devido ao perigo nas estradas, disse uma porta-voz, Christiane Berthiaume.

A Organização Mundial de Saúde alertou que se combustível não for entregue logo, 60% dos hospitais do Líbano "simplesmente deixarão de funcionar".

*Jad Mouawad, em Beirute, Líbano; Warren Hoge, na ONU; Sabrina Tavernise, em Tiro, Líbano; e Greg Myre, em Jerusalém, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h09

    -0,32
    3,134
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host