UOL Notícias Internacional
 

12/08/2006

Conselho de Segurança aprova resolução para encerrar conflito no Líbano

The New York Times
Warren Hoge e Steven Erlanger*

na Onu
O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade na sexta-feira uma medida pedindo a cessação total das hostilidades no Líbano, o envio de 30 mil soldados libaneses e da ONU para o sul do Líbano e a exigência de que Israel retire suas forças "paralelamente".

Após rejeitar versões anteriores, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, aceitou a resolução. Mas, segundo um acordo que um funcionário do governo israelense disse ter sido aprovado pelos Estados Unidos, Olmert disse que esperará até domingo para obter a aprovação de seu Gabinete. Até lá, ele expandirá sua campanha militar que já dura um mês contra a milícia Hizbollah e seu arsenal de foguetes.

A decisão de Olmert de aceitar a resolução mas continuar com a ofensiva militar ampliada fechou uma noite de malabarismo diplomático e manobras políticas que poderão ajudá-lo a se esquivar das críticas pela forma como conduziu a guerra, condenada como hesitante pela oposição e por alguns membros de seu próprio partido.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que manterá contato com os governos libanês e israelense neste fim de semana para determinar quando a cessação plena das hostilidades entrará em vigor.

Olmert telefonou ao presidente Bush para agradecê-lo por sua ajuda em "proteger os interesses de Israel no Conselho de Segurança", disse um funcionário israelense e Fred Jones, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

A resolução do Conselho de Segurança, esboçada pela França e pelos Estados Unidos, expande a força de paz da ONU, conhecida como Unifil, de 2 mil para 15 mil soldados e a envia para o sul do Líbano para auxiliar os 15 mil membros da força libanesa que Fouad Siniora, o primeiro-ministro libanês, prometeu enviar para lá.

Além disso, a resolução dá à Unifil, uma força de paz que há muito é criticada como ineficaz e carente de recursos, muito mais autoridade, equipamentos, responsabilidades e liberdade de ação.

A força multinacional patrulhará os aeroportos, portos e travessias por terra do Líbano para assegurar que o Hizbollah não será reequipado com armas pela Síria e Irã, um medida exigida por Israel.

O texto pede pela cessação imediata de "todos os ataques" pelo Hizbollah, mas apenas de "todas as operações militares ofensivas" de Israel.

A resolução não define "ação militar ofensiva", mas tanto funcionários
americanos quanto israelenses disseram que Israel poderá cuidar de ameaças aos cidadãos em Israel e às suas forças armadas no Líbano, assim como poderá responder a ataques do Hizbollah. Caso se veja diante de uma ameaça iminente, disse uma alta funcionária americana, "então sim, Israel pode responder". Todavia, ela acrescentou, "nós esperamos uma redução em grande escala da violência e esperamos um fim dos bombardeios em grande escala".

Mais colunas de forças terrestres israelenses, apoiadas por blindados,
começaram a avançar para o sul do Líbano na noite de sexta-feira, enquanto as forças já dentro do país, em uma faixa de cerca de oito quilômetros da fronteira, se preparavam para avançar até o Rio Litani, a cerca de 24 quilômetros país adentro, e além.

A maioria dos milhares de foguetes do Hizbollah é composta de Katyushas de curto alcance. Empurrar o Hizbollah para além do Litani deixaria a maioria das cidades israelenses fora do alcance e facilitaria para a força internacional assumir as posições no sul, argumentam as autoridades israelenses.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Mark Regev, disse que Olmert ordenou ao exército que "aja contra as fortalezas do Hizbollah no Sul do Líbano, a partir das quais a população israelense continua a ser bombardeada por ondas intermináveis de foguetes e mísseis".

Na sexta-feira, mais de 120 foguetes do Hizbollah atingiram o norte de
Israel, onde a maioria dos moradores partiu ou permanece em abrigos, com sete pessoas ficando feridas. Um soldado israelense foi morto.

A resolução da ONU prolonga em um ano o mandato da Unifil e lhe dá poderes para agir "para assegurar que sua área de operações não seja utilizada para atividades hostis de qualquer espécie" e "para resistir às tentativas por meio de força de impedi-la de cumprir seus deveres".

Ela também pede aos países que contribuam com soldados para reforçar a
Unifil e diplomatas disseram que França, Austrália, Itália e Turquia estão entre os países que deverão contribuir. Bush disse que os Estados Unidos não contribuirão com soldados, mas poderão contribuir com assistência logística.

A zona pela qual a nova força conjunta será responsável se estende da
fronteira entre Israel e o Líbano -a chamada linha azul- até o Rio Litani, a cerca de 24 quilômetros ao norte. Tal zona seria declarada livre de todo "pessoal armado, armas e ativos fora os pertencentes ao governo libanês e à Unifil".

Israel e os Estados Unidos insistem em uma força internacional o mais
robusta possível por temerem que o Hizbollah possa tirar proveito da trégua para reocupar o sul do Líbano, a área que tem controlado há anos e usado para disparar seus foguetes contra Israel.

Minutas anteriores da resolução francesa e americana especificavam que a força seria criada segundo o Capítulo 7 da Carta da ONU, que pede por
cumprimento seja aplicado por meios militares.

O Líbano protestou contra tal decisão e Jean-Marc de la Sablière, o
embaixador da França, e John R. Bolton, o embaixador dos Estados Unidos, modificaram a resolução na noite de quinta-feira para eliminar referências ao Capítulo 7 e substituí-las por linguagem do menos coercivo Capítulo 6.

A abordagem de retirada e disposição gradual também foi um compromisso para atender as queixas anteriores do Líbano de que a proposta anterior permitia que as forças armadas israelenses permanecessem no sul do país.

Um alto funcionário do Departamento de Estado, falando sob as regras de
briefings para a imprensa, disse que o texto revisado tinha "todas as
características de uma resolução baseada no Capítulo 7. Ela anda, fala e age como uma resolução do Capítulo 7".

A mudança dos termos não será popular junto a Israel e seus simpatizantes, mas o funcionário americano disse que a força "será capaz de se defender e possui um mandato bem forte como se esperaria de uma resolução do Capítulo 7".

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, que esteve na ONU na sexta-feira, recebeu garantias de Tzipi Livni, a ministra das
Relações Exteriores de Israel, de que seu país apoiará o acordo, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado. Ela conversou com Livni três vezes na sexta-feira e uma vez com o primeiro-ministro Ehud Olmert, ele disse.

Os americanos resistiram aos pedidos iniciais de cessar-fogo sob o argumento de que, sem garantias políticas, eles apenas devolveriam o Líbano à situação em que estava, na qual o Hizbollah poderia retomar os ataques contra Israel.

Um alto funcionário do governo em Crawford, Texas, onde Bush está em férias, disse que estava cada vez mais claro que Israel não conseguiria uma vitória militar, uma compreensão que levou os americanos a apoiarem um cessar-fogo.

Os libaneses provavelmente também ficarão infelizes com o fracasso da
resolução de ordenar Israel a devolver o controle das Fazendas de Shebaa, uma área da fronteira que os israelenses tomaram em 1967.

A resolução apenas pede que o secretário-geral desenvolva idéias para
solução da disputa e apresente suas conclusões em 30 dias.

A resolução não ordena a devolução dos soldados israelenses capturados, o motivo original citado por Israel para ir à guerra, e não atende aos pedidos do Hizbollah para libertação dos prisioneiros mantidos por Israel. A medida diz estar "ciente da sensibilidade da questão dos prisioneiros e encoraja os esforços visando resolver urgentemente a questão dos prisioneiros libaneses detidos em Israel".

Não se sabe como a resolução será recebida pela população israelense.

O major Dan Itin, um reservista que é comandante de uma companhia de
tanques, lutou no Líbano em 1993 e 94. Ele agora dirige uma casa de câmbio perto de Natanya e tem dois filhos. "Eu ficarei feliz com qualquer resolução da ONU que traga tranqüilidade a Israel", ele disse antes dela ser aprovada. "Eu preferiria ir para casa. Mas se isto não acontecer, então teremos que entrar lá. Nós queremos concluir o serviço. Nós não queremos voltar daqui dois anos. Eu não quero que meus filhos convivam com foguetes no futuro."

Pesquisas de opinião, realizadas antes de detalhes da resolução proposta no Conselho de Segurança virem à tona, mostravam queda no apoio a Olmert em Israel, um político de carreira que sem experiência significativa no comando militar. Em uma pesquisa realizada para o jornal "Haaretz", 30% dos entrevistados disseram que Israel não estava vencendo a guerra e 43% disseram não haver vencedor ou perdedor. Apenas 20% consideravam que Israel estava vencendo a guerra.

A pesquisa foi realizada na quarta-feira e envolveu 570 israelenses.

Outra pesquisa realizada para o "Yediot Aharonot" entre 500 israelenses, com uma margem de erro de 4,5 pontos percentuais, mostrou que 64% dos israelenses -e 71% dos judeus israelenses- acreditam que o exército deve avançar ainda mais no Líbano. Apenas 37% -40% dos judeus israelenses- acreditam que a guerra acabará com o Hizbollah sendo afastado da fronteira.

Em Marjayoun, uma grande cidade cristã a cerca de oito quilômetros ao norte da fronteira israelense, uma pequena guarnição de 350 soldados libaneses e policiais evacuaram a cidade sob proteção da ONU após o exército israelense ter ocupado a cidade. Os soldados libaneses partiram sem suas armas.

O comboio foi seguido por centenas de carros lotados com os últimos
moradores remanescentes de Marjayoun e de uma pequena cidade vizinha, que ficaram presos pelo avanço israelense.

"Nós somos refugiados agora", disse Fuad Hamra, o prefeito de Marjayoun. "Mesmo as forças de segurança conjuntas estão partindo. Marjayoun agora está vazia."

O acordo coloca um fim a um período de quatro semanas no qual o Conselho de Segurança foi repreendido, particularmente por todo o Oriente Médio, por não ter tomado nenhuma medida significativa para deter o combate.

Annan disse que apreciou a resolução mas lamentou ter demorado tanto para que fosse adotada.

"Eu estou profundamente desapontado pelo Conselho não ter chegado a este ponto muito, muito mais cedo", ele disse. "Eu estou convencido de que minha decepção e frustração são compartilhadas por centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo." George El Khouri Andolfato

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