UOL Notícias Internacional
 

12/08/2006

Suspeito detido no Paquistão teria laços com a Al Qaeda

The New York Times
Alan Cowell, Dexter Filkins e Mark Mazzetti*

em Londres
Autoridades paquistanesas disseram na sexta-feira que prenderam um associado britânico da Al Qaeda, que parece ter tido um papel crucial no que as autoridades disseram ser um plano para explodir até 10 jatos de passageiros com destino aos Estados Unidos.

Segundo as autoridades, o suspeito, identificado como Rashid Al Rauf, foi preso na quarta-feira na cidade de Bahawalpur, no leste do país, poucas horas antes das autoridades britânicas darem início a uma série de batidas por todo o Reino Unido para desbaratar o plano que disseram estar se desdobrando rapidamente.

Segundo uma ex-autoridade paquistanesa com ligações com os serviços de inteligência daquele país, a informação que levou à prisão de Rauf veio de um espião infiltrado pela polícia britânica, que monitorava o plano dentro do Reino Unido. Com a prisão de Rauf, as autoridades britânicas detiveram na quinta-feira 24 suspeitos que, segundo elas, estavam planejando embarcar com explosivos líquidos em aviões de passageiros e detoná-los quando os aviões se aproximassem dos Estados Unidos.

Autoridades americanas e paquistanesas disseram que decidiram prender os 24 suspeitos, em parte por estarem preocupados com a possibilidade da notícia da prisão de Rauf poder levar os planejadores britânicos a se esconderem. As autoridades descreveram Rauf, que é descendente de paquistaneses, como um militante islâmico calejado que vinha atuando como agente de ligação da Al Qaeda em suas relações com os planejadores no Reino Unido.

"Definitivamente há uma ligação com a Al Qaeda nisto", disse Mahmud Ali Durrani, o embaixador do Paquistão nos Estados Unidos.

Em outra entrevista, Aftab Ahmad Khan Sherpao, o ministro do Interior
paquistanês, chamou Rauf de "um agente chave da Al Qaeda".

Autoridades americanas em Washington concordaram que Rauf deve ser o
principal facilitador no plano para explodir os aviões e um afiliado da Al Qaeda.

Mas as autoridades britânicas se recusaram a discutir na sexta-feira uma série de notícias sugerindo que o ataque era iminente, com aviões explodindo no ar sobre cidades americanas como Los Angeles e Nova York. Uma autoridade britânica disse que as reportagens dizendo que o ataque estava marcado para o dia 16 de agosto, a próxima quarta-feira, eram "baboseira".

Segundo uma autoridade americana e uma ex-autoridade paquistanesa, as
autoridades no Paquistão ainda estão à procura de pelo menos mais outro
suspeito envolvido no plano para explodir os aviões. Ambos falaram sob a condição de anonimato.

Os vizinhos em Birmingham disseram que Rauf é irmão de Tayib Rauf, um dos 24 presos nas batidas de quinta-feira. Isto não pôde ser imediatamente confirmado pelas autoridades. Uma autoridade paquistanesa no Reino Unido e uma autoridade ocidental de inteligência disseram que Rauf também é procurado por acusações de assassinato no Reino Unido. Os detalhes de tais assassinatos são desconhecidos.

A polícia britânica disse na noite de sexta-feira que liberou um dos 24
suspeitos no caso. Ela não identificou a pessoa.

As autoridades britânicas, que revistaram as casas dos suspeitos,
encontraram uma fita de vídeo de um dos suspeitos, na qual ele explica seu envolvimento no ataque e prevê sua morte. Nenhum outro detalhe da gravação foi informado. Dois dos britânicos que executaram os ataques suicidas aos trens do metrô britânico no verão passado, Mohammed Siddique Khan e Shehzad Tanweer, também gravaram vídeos de si mesmos antes dos atentados, com cada um proclamando seu apoio ao estilo militante de Islã.

Se as informações forem confirmadas, a prisão de Rauf seria o primeiro
indício de uma ligação entre a Al Qaeda e o plano para explodir aviões, que autoridades britânicas e americanas dizem que poderiam matar milhares de pessoas. Uma autoridade paquistanesa, falando sob a condição de anonimato, disse que o governo paquistanês também prendeu outro britânico por ligação ao plano de explodir aviões, além de pelo menos cinco paquistaneses. O outro britânico não foi identificado.

Ainda assim, a natureza exata do papel de Rauf no plano não ficou
imediatamente clara. Autoridades americanas disseram que pelo menos dois dos 24 detidos na quinta-feira viajaram ao Paquistão semanas antes do ataque planejado. Não estava claro na sexta-feira se os dois suspeitos se encontraram com Rauf quando viajaram ao Paquistão ou o que fizeram enquanto estiveram lá.

Segundo autoridades paquistanesas, Rauf era afiliado do Jaish Mohammed, um grupo militante islâmico com ligações estreitas com a Al Qaeda e que está enfrentando o governo indiano na região montanhosa da Caxemira. O grupo foi oficialmente rotulado como terrorista pelo governo americano e acredita-se que seja responsável pelo seqüestro e assassinato do repórter do "Wall Street Journal", Daniel Pearl. Sua organização precursora, a Harkat al Mujahideen, treinava em campos da Al Qaeda no Afeganistão.

Autoridades americanas e paquistanesas disseram acreditar que Rauf treinou nos campos da Al Qaeda no final dos anos 90 ou depois, quando aquele grupo e outras organizações militantes operavam livremente no Afeganistão. Autoridades paquistanesas e americanas disseram que receberam outro alerta sobre o plano no Reino Unido de um paquistanês pego atravessando a fronteira afegã, cinco semanas atrás. Segundo a ex-autoridade paquistanesa, o paquistanês falou às autoridades do país sobre um plano no Reino Unido envolvendo a destruição de vários aviões comerciais.

Uma importante autoridade de manutenção da lei americana disse que o
desbaratamento pelos britânicos do plano para derrubar aviões teve início com a investigação que se seguiu após os ataques suicidas ao metrô de Londres, no ano passado, que mataram 52 pessoas.

"O MI-5 rastreou todos os envolvidos nos ataques em Londres", disse a
autoridade. "Seus movimentos anteriores, telefonemas, e-mails, tudo. Foi abrangente da mesma forma que o FBI conduziu a investigação pós-11 de setembro."

Foi tal investigação que levou as autoridades até os suspeitos do atual
plano e permitiu que infiltrassem um agente disfarçado, disse a autoridade.

Uma autoridade britânica de segurança disse que os agentes da lei começaram a monitorar diretamente o grupo de 24 pessoas em dezembro de 2005.

Os 23 suspeitos ainda detidos no Reino Unido saíram da grande população de muçulmanos descendentes de paquistaneses do país. A idade deles varia de 17 a 35 anos, com muitos oriundos dos bairros de imigrantes em Walthamstow, a leste de Londres; High Wycombe, a oeste da capital; e Birmingham, em Midlands.

Pelo menos três dos homens eram convertidos ao Islã, segundo vizinhos. Um deles, Don Stewart-Whyte, 21 anos, trocou uma vida confortável em High Wycombe por uma devoção austera ao Islã sob o nome de Abdul Waheed.

Novos detalhes do plano vieram à tona, que as autoridades britânicas
disseram que poderia ter matado mais pessoas do que as 3 mil nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Uma autoridade de segurança britânica disse que os suspeitos planejavam usar um explosivo chamado TATP, que seria detonado por um dispositivo elétrico como um celular. A autoridade britânica, que falou sob a condição de anonimato, disse que as autoridades acreditam que os suspeitos planejavam explodir até 10 aviões.

Também na sexta-feira, as autoridades britânicas disseram que congelaram os ativos financeiros pertencentes a 19 dos 24 suspeitos, que identificaram publicamente pela primeira vez.

O Reino Unido manteve seu mais alto nível de alerta para terrorismo,
conhecido como "crítico", com os viajantes nos aeroportos do país ainda
enfrentando atrasos e patrulhas de segurança rígidas. Na quarta-feira, após a revelação da conspiração, milhares de viajantes ficaram retidos nos aeroportos já que centenas de vôos foram cancelados.

Na sexta-feira, as coisas começaram a funcionar novamente. A British Airways disse que 70% de seus vôos de curta distância estavam operando, assim como a maioria de seus vôos transatlânticos. Os passageiros ainda estavam proibidos de levar bagagem de mão nos aviões, devido à suspeita de que os terroristas planejavam usar explosivos escondidos em garrafas de bebidas ou outros recipientes comuns.

Especialistas em explosivos disseram que detonadores poderiam ser escondidos em players de MP3 ou nos flashes de câmeras descartáveis.

Desde o alerta de segurança, os passageiros no Reino Unido estão proibidos de embarcar com bagagem de mão, equipamento elétrico ou líquidos nos aviões, podendo levar consigo apenas objetos pessoais como carteiras e medicamentos em sacos plásticos transparentes.

Na sexta-feira, foram feitas sugestões de que o plano descoberto no Reino Unido poderia chegar a outros países. Maleeha Lodi, a embaixadora do Paquistão no Reino Unido, disse em uma entrevista que a rede descoberta no Paquistão tinha "dimensões internacionais mais amplas".

Ocorrendo 13 meses após os atentados de 7 de julho de 2005 em Londres, a revelação do novo plano agitou grupos muçulmanos reunidos em mesquitas e livrarias islâmicas, levando alguns a protestarem que sua religião está sendo estigmatizada. Outros se queixaram de que não há evidência para apoiar os motivos oficiais para as prisões.

"As pessoas presas são inocentes até que se prove o contrário", disse
Mohammed Shoyaib Nergat, o imã de uma mesquita em Walthamstow, leste de
Londres, onde muitos dos detidos rezavam.

Mohammad Khaliel, porta-voz de um grupo de oração em High Wycombe, oeste de Londres, onde vários dos homens foram presos, insistia que os líderes islâmicos na cidade estão pregando "a mensagem moderada do Islã".

Ele disse que os detidos "eram pessoas trabalhadoras, diligentes, devotas, que pegavam o lixo na rua e colocavam na lixeira".

*Reportagem de Alan Cowell e Dexter Filkins, em Londres, e Mark Mazzetti, em Washington. Lowell Bergman, em Berkeley, Califórnia; Eric Pfanner e Pamela Kent, em Londres; Salman Masood, em Islamabad, Paquistão; Mohammed Khan, em Peshawar, Paquistão; Heather Timmons, em Birmingham, Inglaterra; e Katrin Bennhold, em Paris, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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