UOL Notícias Internacional
 

16/08/2006

Quase 3.500 civis iraquianos foram mortos em julho

The New York Times
Edward Wong e Damien Cave*

em Bagdá, Iraque
Julho parece ter sido o mês mais mortífero da guerra para civis iraquianos, de acordo com números do Ministério da Saúde e do necrotério de Bagdá. O resultado reforçou as críticas de que o plano de segurança de Bagdá, iniciado em junho pelo novo governo iraquiano, fracassou.

Em média, mais de 110 iraquianos foram mortos por dia em julho, de acordo com os números. O total de civis mortos naquele mês, 3.438, significa um aumento de 9% em relação ao total de junho e quase o dobro em relação a janeiro.

Os números crescentes indicam que a violência sectária está saindo de controle e parece reforçar a afirmativa que muitas autoridades iraquianas e analistas americanos vêm fazendo nos últimos meses: que o país já está em uma guerra civil, não apenas descambando para uma, e que as forças lideradas pelos EUA estão presas entre guerrilheiros sunitas e milícias xiitas.

Os números também são as evidências mais definitivas de que o plano de segurança de Bagdá, iniciado pelo primeiro-ministro Nouri Kamal Al Maliki no dia 14 de junho, não estancou a violência. O plano, muito alardeado por altas autoridades americanas e iraquianas na época, montaria mais postos de controle iraquianos para reprimir o movimento insurgente. Desde então as autoridades admitiram que o plano não cumpriu suas metas, forçando os militares americanos a enviarem milhares de soldados à capital em agosto e desistirem da idéia de retirada de parte das tropas até o final do ano.

O necrotério de Bagdá informou que recebeu 1.855 corpos em julho, mais da metade do total de mortos registrado no país e 18% maior do que junho.

O embaixador americano disse em entrevista na semana passada que líderes políticos do Iraque não conseguiram usar sua influência para deter a violência crescente e que as pessoas associadas com o governo estão incitando as chamas de ódio sectário.

"Acho que chegou a hora desses líderes assumirem a responsabilidade em relação à violência sectária e à segurança de Bagdá neste momento", disse o embaixador Zalmay Khalilzad.

Nas últimas semanas, os militares americanos têm estado especialmente ansiosos em provar que Bagdá pode ser domada, se soldados americanos ocuparem as ruas e tiverem um papel mais ativo -em um repúdio dos esforços anteriores de entregar a segurança mais rapidamente aos iraquianos.

O comando americano acrescentou quase 4.000 soldados americanos a Bagdá, estendendo a estadia de uma brigada de combate. Sob um novo plano de segurança para reformar os esforços de Al Maliki, algumas das áreas mais violentas do Sul e do Oeste da cidade agora estão virtualmente ocupadas por forças americanas e iraquianas, com bairros inteiros transformados em instalações policiais depois de serem isolados por muros contra explosões e arame farpado.

Quando o número de mortes de civis em julho é somado aos dados dos meses anteriores obtidos pela ONU, o total indica que ao menos 17.776 civis iraquianos morreram de forma violenta nos últimos sete meses deste ano, ou uma média de 2.539 por mês.

O ministério da saúde não forneceu totais de pessoas feridas por ataques em Bagdá, mas disse que ao menos 3.597 iraquianos foram feridos fora da cidade em julho, um aumento de 25% sobre junho.

Membros da ONU e analistas militares dizem que os números do necrotério e do ministério quase certamente são subestimados, por causa da natureza errática da informação em uma zona de guerra.

Muitas mortes em áreas perto de Bagdá provavelmente nunca aparecerão na contagem oficial, disse Anthony H. Cordesman, analista militar do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, grupo de pesquisa em Washington. Isso ajuda a explicar porque as fatalidades em Bagdá parecem ser uma percentagem tão grande do número total, disse ele em recente relatório.

A ONU vem acompanhando os números de mortos combinando números do Ministério da Saúde e do necrotério de Bagdá. No mês passado, anunciou que os números do governo iraquiano indicavam que 3.149 mortes violentas tinham ocorrido em junho, mais de 100 por dia. As estatísticas foram significativamente mais altas que totais anteriores e indicaram que a mídia havia subestimado drasticamente o nível da violência no Iraque.

O governo e militares americanos recusaram-se a divulgar números oficiais de civis iraquianos mortos ou até de dizer se estavam mantendo uma contagem. Mas autoridades americanas e iraquianas concordam que as mortes de civis eram muito mais baixas antes da violência sectária em larga escala que irrompeu depois da explosão de 22 de fevereiro de um templo xiita na cidade de Samarra e piorou desde então.

Nas últimas semanas, Khalilzad e generais advertiram que o país poderia entrar em guerra civil plena, especialmente se a capital continuar se fragmentando em enclaves étnicos ou sectários controlados por milícias, como vem acontecendo há meses.

Grande parte da responsabilidade está com políticos iraquianos, muitos dos quais têm laços com milícias, disse Khalilzad. "Acredito que forças associadas com pessoas no governo dos lados xiita e sunita participaram nisso", disse da violência.

Políticos iraquianos estão se hostilizando furiosamente. Na segunda-feira, o presidente do Parlamento, conservador sunita, disse que estava pensando em renunciar devido à animosidade dos blocos políticos curdos e xiitas.

O movimento para derrubar Mahmoud Al Mashhadani parece ter criado desavenças dentro do bloco sunita ao qual pertence, a Frente de Consenso Iraquiano. Na terça-feira, um alto membro da frente, Khalaf Al Elayan, disse que o bloco rejeitava qualquer pedido de renúncia de Al Mashhadani. Outro líder sunita, Adanan Al Dulaimi, disse em entrevista que Al Mashhadani devia renunciar. Al Dulaimi seria um possível substituto.

Em Karbala, pistoleiros xiitas e forças militares iraquianas trocaram tiros por várias horas perto de um dos mais sagrados templos xiitas do Iraque. Testemunhas disseram que o tiroteio forçou o exército iraquiano a bloquear a entrada para a cidade e impor um toque de recolher, proibindo todos os carros e advertindo moradores a não portarem armas.

Em Mosul, um homem-bomba detonou um caminhão carregado de explosivos, matando ao menos cinco civis e ferindo quase 50, perto do escritório da União Patriótica do Curdistão, partido do presidente Jalal Talabani.

Um dos ataques mais mortíferos nas últimas semanas aconteceu no Sul de Bagdá, na noite de domingo, quando bombas, morteiros e foguetes mataram ao menos 57 pessoas em um bairro xiita, de acordo com autoridades iraquianas.

Os militares americanos disseram na terça-feira que o total de mortos tinha aumentado para ao menos 63 iraquianos e que a causa tinha sido identificada: dois carros-bomba explodiram uma linha de gás.

No dia anterior, os militares americanos haviam dito que as mortes se deviam somente a uma explosão de gás e não a um ataque. Um porta-voz agora diz que a conclusão baseara-se em "informações incompletas".

O ataque bem organizado de domingo ocorreu apesar de tropas iraquianas e americanas terem ocupado áreas do Sul de Bagdá. A operação combinada concentrou-se mais em controlar o tráfego em postos de policiamento e buscar armas em todas as casas nas áreas problemáticas.

Militares americanos disseram na terça-feira que Dawra, a primeira área revistada, estava sendo isolada com barreiras de concreto e muros e acrescentaram que o número de bombas caseiras encontradas na área por semana desde que a operação foi iniciada no dia 7 de agosto diminuiu de 25 para quatro.

*Sahar Nageeb e Qais Mizher contribuíram para este artigo Deborah Weinberg

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