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19/08/2006

"Serpentes a Bordo": isso na sua cintura não é um cinto de segurança

The New York Times
Manohla Dargis
"Serpentes a Bordo" chegou aos cinemas na sexta-feira (18/8), voando alto pelo trabalho de uma brigada de publicidade e pelo entusiasmo de cinéfilos que gostaram do título da escola antiga de cinema. Não houve apresentação de pré-estréia para os críticos, o que faz sentido não só porque a mídia não se incomoda em promover filmes não vistos (até Jon Steart faz isso), mas também porque só o que se precisa saber sobre esse artefato divertidamente cru, honestamente satisfatório é que tem cobras + avião + Samuel L. Jackson.

Acontece que "Serpentes a Bordo" não é apenas sobre répteis de borracha e Jackson cuspindo pérolas de grosserias; também é um filme B sólido de entretenimento, cheio de sustos e suavemente perfumado de metáforas sociais.

De baixo custo, o filme é uma referência consciente aos filmes de desastre dos anos 70, como "Aeroporto" e "Terremoto", nos quais pequenos grupos de pessoas unem-se contra a adversidade ou, neste caso, um avião cheio de cobras venenosas animadas com ferormônios. Ou, como diz o personagem de Jackson, um agente do FBI durão chamado Neville Flynn, "Ótimo, cobras viciadas em crack".

Como o filme foi claramente construído em torno do título, as cobras estão naquele avião pelas razões mais absurdas. Sean Jones (Nathan Phillips), atravessando estradas secundárias do Havaí de bicicleta, tropeça no chefão do crime Eddie Kim (Byron Lawson) acenando com um taco de beisebol e um terno totalmente branco. Depois de testemunhar golpes esmagadores e uma mancha de sangue, Sean pedala desesperadamente com os malvados ao seu encalço. Subseqüentemente cai sob a tutela do FBI, que o persuade a testemunhar contra Kim. É assim que ele e Flynn acabam em um avião para Los Angeles na companhia de dezenas de atores e de uma variedade de ameaças escorregadias.

Há várias formas diferentes de morrer de um encontro com uma cobra, e o filme mostra todas. Pouco depois do aviso de apertar cintos ser desligado, as cobras geradas por computador ou de borracha e (centenas) de cobras vivas entram na cabine, onde passeiam pelos rostos, pescoços, ombros, torsos, um seio feminino abundante e o órgão masculino de um passageiro que se esquece da regra número um ao usar banheiros estranhos: verificar o que há na privada. Malvadas por natureza ou por programação, essas cobras não só pulam dos banheiros; elas também sobem por pernas nuas e sob os vestidos, entrando e saindo de todos os orifícios imagináveis.

O diretor do filme, David R. Ellis, cujos créditos anteriores incluem "Cellular" e "Final Destination 2", diverte-se muito matando seu elenco. Um dos prazeres indiscutíveis de um filme como este é tentar adivinhar quem vai sair vivo -o casal apaixonado, as crianças viajando desacompanhadas, a mãe nova com um bebê bonitinho- e, na maior parte, Ellis faz um bom serviço em nos deixar imaginando, mesmo que não haja muito suspense. Sabemos que os siameses, o chihuahua e o chato que odeia crianças provavelmente não estarão para os créditos finais; a única questão é como e quando esses e outros alvos fáceis terminarão na ponta errada de uma cobra.

Escrito por John Heffernan e Sebastian Gutierrez, de uma história de Hefferna e David Dalessandro, "Serpentes a Bordo" é um instrumento efetivamente tosco. Há cobras e fumaça, risos e gritos, edições e muitos momentos asquerosos. Na maior parte, é claro, há cobras e Sam. Trabalhador que quase não trabalha, Jackson apresenta o desempenho costumeiro, significando que olha duramente, late e periodicamente solta um epíteto de 13 letras da forma que só ele consegue. Os produtores do filme pensaram originalmente que o filme seria para maiores de 13 anos, mas estimulados pelo entusiasmo de uma base de fãs da Internet, acrescentaram suficientes cenas nojentas, expletivos e peitos para elevar a classificação. Facilmente é para mais de 18 anos.

O que o filme ganha com certa malícia é um espaço firme no cenário cultural, em parte por causa do momento estranhamente bom para o lançamento. Afinal, é "Serpentes a Bordo", não "Cobras no Ônibus". Mas diferentemente de "Plano de Vôo" e "Vôo Noturno", dois outros filmes de mistério em aviões, "Serpentes a Bordo" é menos sobre sobreviver em aviões do que lutar pelo controle deles.

Em outras palavras, é "United 83", sem as lágrimas. Os produtores não quiseram exagerar o ângulo político, apesar de colocarem uma cobra do Oriente Médio e uma cena de um agente do FBI zombando do Aclu. Na maior parte, porém, o que o filme nos dá é uma chance de vencer, não com moralidade, mas com uma brincadeira antiga, como o próprio filme. Talvez sejamos tolos, mas batemos um bolão.

Ficha técnica:

"Serpentes a Bordo"

Dirigido por David R. Ellis; escrito por John Heffernan; diretor de
fotografia: Adam Greenberg; editado por Howard Smith; produção: Jaymes Hinkle; tratador das cobras, Jules Sylvester; produzido por Gary L.
Levinsohn, Don Granger e Craig Berenson; New Line Cinema. Duração: 105 minutos.

Com: Samuel L. Jackson (Neville Flynn), Julianna Margulies (Claire Miller), Nathan Phillips (Sean Jones), Rachel Blanchard (Mercedes), Flex Alexander (Three G's), Kenan Thomson (Troy) e Byron Lawson (Eddie Kim). Deborah Weinberg

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