UOL Notícias Internacional
 

22/08/2006

Bush diz que vitória democrata criaria um mundo mais perigoso

The New York Times
Jim Rutenberg

em Washington
O presidente Bush explorou na segunda-feira os pedidos dos democratas para retirada do Iraque para argumentar eleitoralmente que seus rivais políticos não entendem apropriadamente as ameaças ao país e assim criariam um mundo mais perigoso.

Foi o ataque mais direto aos democratas feito por Bush de um atril da Casa Branca neste ano eleitoral, e marcou para ele e seus assessores o início de uma temporada mais voltada para a política enquanto trabalham para manter o controle republicano do Congresso.

A aparição marcou um início antecipado, pré-Dia do Trabalho, da campanha eleitoral oficial, mas ocorre no momento em que Bush e seu partido enfrentam a disputa eleitoral mais difícil de sua presidência, com a insatisfação dos eleitores com a guerra no Iraque, com o alto preço da gasolina e com a atuação geral do presidente.

Os democratas têm apontado para pesquisas que mostram que o apoio da população à guerra continua caindo e o presidente reconheceu isto na segunda-feira.

"Estes são tempos desafiadores, tempos difíceis, e estão provocando grande tensão na psique de nosso país", disse Bush durante uma coletiva de imprensa de uma hora de duração. "Ninguém deseja ligar a TV diariamente e ver caos provocado por terroristas."

Analistas de ambos os partidos têm descrito a guerra como o maior obstáculo político diante dos republicanos neste ano. Os assessores políticos de Bush pediram aos demais republicanos para que apóiem o conflito e Bush pareceu ter dado um passo além, sugerindo que espera que as eleições de novembro sejam travadas em torno da posição rival em relação ao Iraque.

"O que importa é que nesta campanha nós esclareceremos os diferentes pontos de vista", disse Bush no atril do secretário de imprensa no centro de conferência da Casa Branca, seguindo a rua do Escritório Oval. "E há muitas pessoas no Partido Democrata que acreditam que o melhor curso de ação é deixar o Iraque antes que o trabalho esteja concluído -ponto- e elas estão erradas."

Ao chamar a oposição de "Democrat Party", Bush repetiu a versão truncada, antigramatical, que alguns democratas chamaram de desfeita, uma afirmação que a Casa Branca chamou de ridícula. De qualquer forma, foi de um presidente Bush como estrategista político que os telespectadores tiveram um vislumbre na segunda-feira, com Bush estabelecendo o que ele acredita ser o foco dos republicanos neste ano eleitoral e ensaiando um argumento que usa o Iraque como contraste, argumentando que a retirada antecipada defendida por alguns democratas apenas encorajaria os terroristas de toda parte.

Os democratas têm estimulado o descontentamento popular com a guerra e apontaram os comentários de Bush sobre o Iraque como evidência de que ele está optando por prosseguir com uma política fracassada.

"A promessa do presidente de manter as forças americanas no Iraque enquanto estiver no governo não é substituto para um plano eficaz para completar a missão", disse a deputada Nancy Pelosi, a líder da minoria na Câmara, em uma declaração. "Os democratas acreditam que é hora de uma nova direção no Iraque, com retirada responsável das forças americanas no Iraque a partir deste ano."

A insatisfação com a guerra agora atinge até mesmo republicanos detentores de cargos, com alguns que apoiavam a invasão americana do Iraque em 2003 expressando desprazer com a condução da guerra.

Bush reconheceu que "às vezes fico frustrado" com a continuidade da violência no Iraque, apesar de tal impressão ser uma que algumas pessoas ao redor do presidente buscaram minimizar nos últimos dias. Mas Bush também disse que ele às vezes fica "feliz" com o progresso no Iraque e que, apesar de "preocupado" com a perspectiva de guerra civil, ele acredita que os iraquianos trabalharão pela unidade.

Bush parecia em geral otimista, ocasionalmente balançando para frente e para trás no atril enquanto ouvia as perguntas dos repórteres. A Casa Branca anunciou a coletiva de imprensa das 10 horas da manhã menos de duas horas antes de seu início, agindo após um fim de semana no qual alguns dos próprios simpatizantes conservadores de Bush argumentaram que sua campanha no Iraque necessitava de ajustes.

Entre eles estava a coluna da semana passada do colunista conservador George Will, que disse que as prisões ligadas ao plano terrorista em Londres reforçaram a posição do senador John Kerry, durante a corrida presidencial de 2004, de que terrorismo exigia operações policiais conjuntas entre países.

"Manutenção da lei significa uma resposta simplista para o problema", disse Bush. "Esta é uma guerra global contra o terror." A guerra no Iraque e os preparativos para ela contribuíram para as vitórias republicanas em 2002 e 2004, mas pesquisas agora mostram que a maioria dos americanos tem dúvidas quanto ao progresso no Iraque.

A Casa Branca argumenta que a guerra no Iraque permanece politicamente potente para os republicanos quando a inserem na guerra mais ampla contra o terror, apesar de às vezes encontrarem dificuldade para fazê-lo. Quando Bush se referiu aos ataques de 11 de setembro em resposta a uma pergunta sobre o Iraque na segunda-feira, o repórter o pressionou: "O que o Iraque tem a ver com isto?", o que levou Bush a responder de forma um tanto irritada: "Nada", acrescentando que "ninguém neste governo alguma vez sugeriu que Saddam Hussein ordenou o ataque".

Nos preparativos para a invasão, em março de 2003, o vice-presidente Dick Cheney apontou para a teoria, já desacreditada, de que um dos seqüestradores de 11 de setembro teria se encontrado em Praga com um oficial da inteligência iraquiana antes dos ataques.

Mas, no geral, Bush adotou um tom diferente do empregado pelo vice-presidente nas últimas semanas, incluindo a sugestão de Cheney, há duas semanas, de que a vitória de Ned Lamont na eleição primária de Connecticut, contra o senador Joseph Lieberman, encorajaria "tipos como da Al Qaeda".

Em resposta a uma pergunta na segunda-feira, Bush disse concordar com tal análise, mas acrescentou: "Nós continuaremos nos manifestando de forma respeitosa, nunca contestando o amor de alguém pela América quando se critica suas estratégias ou pontos de vista".

Funcionários da Casa Branca disseram que o presidente usará os próximos meses para elaborar ainda mais sua visão da guerra, uma tarefa que Bush disse visar "explicar da melhor forma que posso por que é importante sermos bem-sucedidos".

Estrategistas de ambos os lados apontaram o Iraque como o maior empecilho à popularidade do presidente, que por sua vez tem sido um empecilho ao partido. Há apenas duas semanas, um importante aliado da Casa Branca, o senador Mitch McConnell de Kentucky, disse em uma entrevista para a "Fox News": "Eu gostaria que o índice de aprovação do presidente fosse melhor, pois isto não nos favorece".

Em uma entrevista posterior na segunda-feira, McConnell minimizou o comentário e disse acreditar que os republicanos terão sucesso no final em manter o controle do Congresso, porque "nós vamos cuidar para que os eleitores saibam o que significará ter os democratas no controle".

Bush disse que o partido poderá também marcar pontos com os cortes de impostos e a economia. Quanto à queda no apoio à guerra no Iraque, Bush disse que "presidentes se importam se as pessoas apóiam suas políticas" e reconheceu: "É claro que me importo".

Mas, ele acrescentou, "eu vou fazer o que acho que é certo, e se as pessoas não gostarem de mim por isso, assim será". George El Khouri Andolfato

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