UOL Notícias Internacional
 

22/08/2006

Reino Unido processa 11 suspeitos ligados ao plano terrorista

The New York Times
Alan Cowell*

em Londres
As autoridades britânicas processaram na segunda-feira 11 pessoas por envolvimento no suposto plano para explodir aviões comerciais com destino aos Estados Unidos. Elas disseram que os investigadores descobriram "vídeos de martírio" e materiais para fabricação de bombas em uma extensa revista de lares, carros, bosques e outros locais.

Pelo menos oito dos 11 formariam o núcleo de terroristas que planejavam montar explosivos à base de líquidos a bordo de aviões e detoná-los, elas disseram.

Os 11 acusados, que serão citados na terça-feira, estavam entre as 23 pessoas que foram detidas no caso. Entre as 12 restantes, uma mulher, que não foi identificada, será liberada, enquanto as demais permanecerão sob custódia segundo as leis antiterrorismo, que permitem 28 dias de detenção sem indiciamento, disse Susan Hemming, uma advogada do Serviço de Promotoria da Coroa, em uma coletiva de imprensa.

A decisão de processar ocorre após dias de crescente ceticismo público com a extensão do suposto plano, primeiro revelado em 10 de agosto, quando a polícia alertou que conspiradores planejavam cometer assassinato em massa em "escala inimaginável", como disse uma autoridade.

A informação revelada na segunda-feira deu uma idéia da amplitude da investigação, que começou com meses de vigilância dos suspeitos, antes da maioria deles ser presa em 10 de agosto, que produziram "registros de áudio e vídeo altamente significativos", disse Peter Clarke, o chefe da polícia antiterrorismo de Londres.

De lá para cá, ele disse, a polícia revistou "69 casas, flats e propriedades comerciais, veículos e espaços abertos" e recuperou 400 computadores, 200 celulares e 8 mil dispositivos de armazenamento de dados como cartões de memória e DVDs. A meta ao oferecer tamanho detalhe na coletiva de imprensa -na qual perguntas não eram permitidas- parecia dupla: dar ao público um vislumbre do tipo de evidência que estava sendo reunida e rebater as acusações de que a polícia reagiu exageradamente à ameaça.

Mas a credibilidade das alegações não será testada até os acusados serem levados perante um júri: um julgamento levará pelo menos dois anos para começar.

Hemming disse que oito dos 11 suspeitos acusados na segunda-feira foram denunciados por conspiração para assassinato assim como um delito segundo as novas leis antiterrorismo, a "preparação de atos de terrorismo". Eles também são acusados de planejar o "contrabando de componentes de artefatos explosivos improvisados para as aeronaves para montá-los e detoná-los a bordo".

Os três outros foram acusados de delitos menores segundo a legislação antiterrorismo, que data de 2000, disse Hemming.

A extensão das acusações provocou nova especulação sobre o plano,
possivelmente sugerindo ser mais limitado do que indicava o grande número de prisões iniciais. Dos 24 detidos inicialmente, apenas oito foram acusados na segunda-feira dos delitos mais graves.

Os 11 suspeitos acusados não incluem todos aqueles da lista divulgada
inicialmente pelo Banco da Inglaterra de pessoas cujos ativos foram
bloqueados como parte da investigação. Por exemplo, eles não incluem Tayib Rauf de Birmingham, cujo irmão, Rashid Rauf, foi preso pelas autoridades paquistanesas, que disseram suspeitar que ele seja um "elemento chave".

Hemming disse que as autoridades não decidiram se buscarão prolongar as
detenções do suspeitos que ainda não foram acusados. Segundo as leis
antiterrorismo, as autoridades devem requisitar a um juiz da Suprema Corte, na quarta-feira, a detenção deles por mais sete dias.

Um policial britânico, que falou sob a condição de anonimato pois o caso ainda está em andamento, disse que é possível que mais pessoas sejam acusadas de conspiração. Segundo a lei britânica, pessoas que foram acusadas não podem mais ser interrogadas pela polícia, diferente daquelas detidas sob os 28 dias da lei antiterrorismo.

Na coletiva de imprensa, Clark disse: "A enormidade do suposto plano só será igualada pela nossa determinação em seguir cada pista e linha de
investigação".

Até o momento, ele disse, a polícia encontrou produtos químicos para
fabricação de bombas, incluindo peróxido de hidrogênio, e componentes
elétricos, lembrando os relatos britânicos e americanos anteriores de que havia um plano para misturar líquidos em um coquetel explosivo assim que tivessem sido levado a bordo de aviões comerciais com destino a cidades americanas.

Clarke prosseguiu: "Nós também encontramos várias gravações de vídeo -às vezes tratados como vídeos de martírio. Isto tudo nos deu um quadro mais claro do suposto plano".

Após os atentados a bomba de Londres de 7 julho de 2005, dois dos quatro responsáveis que mataram 52 pessoas no sistema de transporte londrino foram mostrados em vídeos pré-gravados alertando que mais ataques se seguiriam.

Apesar dos atentados de 7 de julho e das novas tentativas duas semanas
depois, em 21 de julho, terem provocado grande ansiedade, pouca informação surgiu sobre a extensão da ameaça terrorista existente. Nenhum processo criminal foi impetrado pelos atentados de 7 de julho e não há restrições legais severas que impeçam a imprensa britânica de informar detalhes de outros planos suspeitos por temor de prejudicarem os julgamentos.

Clarke não ofereceu uma perspectiva de uma solução rápida para o caso mais recente.

"A investigação meticulosa de todo este material levará muitos meses", ele disse, se referindo à apreensão de documentos e dados de computador que somam 6 mil gigabytes. "Todos os dados serão analisados. Haverá milhares de exames periciais e comparações. Digitais, DNA, dados eletrônicos, comparações de caligrafia, análises químicas e todas as disciplinas de perícia criminal serão empregadas."

Ao discutir o caso em público, a polícia traçou um linha tênue entre buscar convencer a população da ameaça que enfrentam e evitar revelações que possam prejudicar o julgamento dos suspeitos.

Atualmente a polícia britânica está envolvida em um grande julgamento de terrorismo já em andamento e um segundo que terá início em outubro, quando cinco suspeitos enfrentarão acusações ligadas ao atentado fracassado de 21 de julho de 2005.

Os 11 suspeitos que foram acusados na segunda-feira pareciam ser na maioria muçulmanos britânicos descendentes de paquistaneses, mas um foi identificado como Umar Islam, também conhecido como Brian Young, um convertido ao Islã. Outro era Ibrahim Savant, também um convertido.

As oito pessoas acusadas de conspiração para assassinato também foram
acusadas de planejar o "contrabando de componentes de artefatos explosivos improvisados para as aeronaves para montá-los e detoná-los a bordo".

Entre os três restantes estão o suspeito mais jovem, um rapaz de 17
anos -cujo nome não foi divulgado devido às restrições legais britânicas à identificação de menores- acusado de posse de "um livro sobre artefatos explosivos improvisados, alguns bilhetes suicidas e testamentos, com as identidades das pessoas que se preparavam para cometer atos de terrorismo, e um mapa do Afeganistão contendo informação provavelmente útil para uma pessoa que cometerá ou preparará um ato terrorista".

Eles também incluem uma mulher, Cossar Ali, e um homem chamado Mehran
Hussain, que foram acusados de não revelar informação que poderia impedir um ato de terrorismo.

Hussain foi acusado de não informar às autoridades o que sabia sobre Nabeel Hussain, uma das 11 pessoas ainda detidas sem acusação sob as leis antiterrorismo. A acusação contra Mehran Hussain remonta 23 de setembro de 2005, sugerindo que ele está sob vigilância desde então.

Cossar Ali foi acusada de não divulgar informação sobre Ahmed Abdullah Ali, também conhecido como Bdullah Ahmed Khan, amplamente noticiado pelos jornais britânicos de ser seu marido. Ele é um dos oito acusados de conspiração para assassinato.

Os oito são, além de Ahmed Abdullah Ali, Adam Khatib, Ibrahim Savant, Waheed Zaman, Tanvir Hussain, Umar Islam, Arafat Waheed Khan e Assad Ali Sarwar.

*Pam Kent e Stephen Grey, em Londres contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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