UOL Notícias Internacional
 

23/08/2006

Pesquisa mostra mudança na opinião pública sobre Iraque

The New York Times
Carl Hulse e Marjorie Connelly*

em Washington
Cada vez mais os americanos vêem a guerra no Iraque como distinta da luta contra o terrorismo e quase a metade acreditam que o presidente Bush focou-se demais no Iraque e excluiu outras ameaças, de acordo com a mais recente pesquisa do New York Times/CBS News.

Dos entrevistados, 51% não viam elo entre a guerra no Iraque a o esforço de combate ao terrorismo mais amplo, um salto de 10 pontos percentuais desde junho. O aumento se deu apesar da insistência de Bush e de congressistas republicanos em dizer que os dois são interligados e devem ser vistos como elementos complementares de uma estratégia para impedir o terrorismo nos EUA.

Se a tendência se mantiver, o cepticismo crescente pode apresentar um obstáculo político para Bush e seus aliados no Capitólio, que estão usando sua luta contra o terrorismo como elemento central da campanha política. Os republicanos esperam que, defendendo medidas fortes contra terroristas, podem contrabalançar o incômodo com a guerra no Iraque e abafar o apelo político dos democratas que pedem o estabelecimento de um prazo limite para a retirada de tropas americanas.

O sentimento público com a guerra continua negativo, ameaçando erodir uma vantagem republicana em segurança nacional. Para 53% ir para a guerra foi um erro, um aumento em relação ao resultado de 48% em julho; 62% disseram que os eventos no esforço de criar ordem e estabilidade ao Iraque estavam indo "mal ou muito mal".

Bush ganhou quatro pontos percentuais em como o público vê sua luta contra o terrorismo, crescendo de 51% para 55% em uma semana. Este foi seu maior índice de aprovação na questão desde o último verão e seguiu as prisões no Reino Unido e um plano suspeito para explodir aviões.

A posição geral de Bush, no entanto, não mudou da semana anterior, com 57% desaprovando e 36% aprovando, muito menos do que os congressistas republicanos gostariam de ver enquanto se preparam para as eleições em novembro.

Somando-se aos problemas políticos republicanos, a pesquisa refletiu significativo descontentamento com a forma como o Congresso estava desempenhando seu papel. Os eleitores entrevistados indicaram forte preferência por candidatos democratas neste outono.

A pesquisa do Times/CBS News diferiu de outras pesquisas recentes que mostraram maiores índices de aprovação para o presidente. As pesquisas do USA Today e da CNN conduzidas entre sexta-feira (18/8) e domingo mostraram 42% de aprovação para a forma como Bush estava desempenhando seu papel e deram aos candidatos democratas ao Congresso menor dianteira. A pesquisa do Times/CBS News foi conduzida por telefone entre quinta e segunda-feira, com 1.206 adultos em todo o país e teve margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais.

De acordo com a pesquisa, o terrorismo e a guerra no Iraque têm importância similar nas mentes dos americanos. Para 46% o governo concentrou-se demais no Iraque e não o suficiente em terroristas em outras partes, enquanto 42% consideraram o equilíbrio correto.

A opinião de 51% dos entrevistados de que a guerra no Iraque é distinta da guerra contra o terror foi uma mudança considerável das pesquisas de 2002 e da primeira metade de 2003, quando a maioria via o Iraque como importante frente anti-terror. Em junho mesmo, a opinião estava dividida: 41% disseram que a guerra no Iraque era importante parte da luta contra o terror e 41% disseram que não. Hoje, apenas 32% consideram-na parte importante do combate ao terrorismo, enquanto 12% dizem que é uma parte menor.

"Não tenho certeza de que haja uma conexão entre o terrorismo e a guerra no Iraque", disse Ann Davis, dona de casa republicana em Lima, Ohio, em uma entrevista. Ela disse que apoiava as tropas americanas, mas que "não deviam estar lá, os iraquianos deviam se virar sozinhos".

Outro republicano, Marty Woll, 56, contador aposentado de Los Angeles, disse que via uma ligação clara entre a guerra e os esforços para combater o terrorismo.

"O Iraque obviamente não foi o local que precipitou os ataques de 11 de setembro", disse Woll, "mas se você olhar para o Oriente Médio como um todo, verá que vem gerando os ataques mais violentos e desesperados. Saddam Hussein matou quase um milhão de seu próprio povo. Essa magnitude indicou que alguém tinha que fazer algo a respeito."

A incapacidade de Bush de melhorar seu índice de aprovação geral, apesar dos ganhos na questão do terror, pode ser entendida com pessoas como Lucia Figueroa, 23, de Fort Drum, N.Y., que apóia o presidente no terrorismo mas vê falhas em outras questões.

"Apesar de eu aprovar a forma como Bush está lidando com o terrorismo, ele não está se concentrando em outras questões, como saúde e Katrina, e essas coisas precisam de mais atenção", disse Figueroa.

Bush defendeu até mesmo nesta segunda-feira a invasão do Iraque, chamando-a de essencial para impedir mais ataques terroristas internos em uma conferência com a imprensa. Ele disse ainda que esperava que as tropas ficassem lá pelo resto de sua presidência.

"Se você acredita que o papel do governo federal é dar segurança a este país", disse ele, "é realmente importante que você entenda que o sucesso no Iraque faz parte de dar segurança ao país".

Nas últimas semanas, os democratas tentaram retratar a guerra no Iraque como uma distração de iniciativas anti-terror essenciais, e a pesquisa indica que a mensagem pode estar funcionando. Democratas dizem que a guerra roubou recursos e atenção da caça aos terroristas e do reforço à segurança interna.

"Tiramos nossos olhos da verdadeira guerra, a guerra contra o terrorismo", disse o senador Harry Reid, de Nevada, líder democrata, em uma conferência telefônica com os repórteres na terça-feira.

A opinião pública sobre o papel do Congresso continua em grande parte negativa, com 60% de reprovação. Dos eleitores registrados entrevistados, 47% disseram que provavelmente votarão no Partido Democrata para a Câmara em novembro; 32% disseram que iam votar no Partido Republicano. A pesquisa não pôde medir as disputas em distritos congressionais, mas as descobertas indicaram as forças relativas dos dois partidos.

Os pesquisados disseram que, depois do terrorismo e a guerra no Iraque, a economia era a terceira questão mais importante para os políticos se concentrarem, seguidas por custos de saúde e preços de gasolina. A Casa Branca procurou obter maior crédito pela economia, que considera forte.
Houve melhora em como o público vê Bush nessa questão, mas a impressão geral continua negativa.

Em relação a uma pesquisa da CBS News na semana passada, a aprovação de Bush aumentou em cinco pontos percentuais, para 35%; o índice de reprovação foi de 58%. No total, 52% dos pesquisados disseram que a economia nacional estava em boas condições e 47% que estava em más condições.

Com a guerra recente no Líbano, o público está mais pessimista com a possibilidade de paz entre Israel e seus vizinhos. Somente 26% dos entrevistados puderam imaginar Israel e os países árabes acertando suas diferenças, enquanto 70% não conseguiram -seis pontos percentuais acima do mês passado.

A maior parte dos entrevistados, 56%, disseram que o país não tinha a responsabilidade de tentar resolver os conflitos entre Israel e outros países do Oriente Médio, enquanto 39% disseram que era um papel adequado.

*Megan Thee e Marina Stefan contribuíram para este artigo de Nova York Deborah Weinberg

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