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24/08/2006

Aliados provocam escalada na disputa entre Cruise e Viacom

The New York Times
David M. Halbfinger*

em Los Angeles
Um dia após o presidente da Viacom, Sumner M. Redstone, ter despejado abruptamente Tom Cruise de seu antigo lar nos estúdios da Paramount, a guerra de palavras entre o campo do ator e Redstone e seus aliados esteve prestes a escalar na quarta-feira de recriminação a retaliação.

AFP 
Na disputa entre Viacom/Paramount e Tom Cruise, só Sumner Redstone falou até agora

Os representantes de Cruise na Creative Artists Agency -a principal agência de talentos de Hollywood, com um quadro de atores, diretores e escritores tão vasto que é quase impossível para um estúdio funcionar sem suacooperação- sinalizaram que relutariam em trabalhar com a Paramount caso Redstone continue a tomar decisões sozinho.

"A Paramount não tem credibilidade no momento", disse Richard Lovett, o presidente raramente citado da agência, por telefone do Havaí, onde está em férias com a família. "Não está claro quem está dirigindo o estúdio e quem está tomando as decisões."

Tal alerta veio após Redstone, o presidente de 83 anos da Viacom, ter declarado na terça-feira que sua unidade de cinema estava rompendo os laços com a produtora de Cruise após 14 anos, devido ao comportamento bizarro do ator ao longo do ano passado ser "inaceitável para a Paramount".

Cruise e a Paramount colaboraram em filmes que arrecadaram bilheterias de mais de US$ 2,5 bilhões.

Normalmente, tais anúncios do estúdio são feitos por Brad Grey, o presidente da Paramount, ou talvez por Thomas E. Freston, o executivo-chefe da Viacom. Tal assunto ter saído do nada, do próprio Redstone, e depois ser seguido por dois dias de silêncio tanto de Grey quanto Freston surpreendeu a elite de poder de Hollywood ainda mais do que a guerra de lama entre as partes.

E na quarta-feira a lama se tornou tóxica.

O formidável advogado de Cruise, Bert Fields, respondeu a Redstone, chamando seus comentários de "repulsivos" e sugerindo que "ele perdeu completamente a noção, ou recebeu conselho assustadoramente ruim".

Fields, falando da França onde está em férias, acrescentou: "O fato de um chefão como Sumner Redstone fazer uma declaração tão baixa, tão pomposa, tão petulante como a de que não deseja trabalhar com Tom Cruise devido à sua conduta pessoal, diz mais sobre Sumner Redstone e a Viacom do que sobre Tom Cruise".

Fields pode ter falado como advogado de Cruise, mas seus comentários
estiveram refletidos em conversas com executivos, produtores e agentes por toda a Hollywood na quarta-feira.

Apesar das pessoas de dentro da indústria não darem importância para a
prerrogativa de Redstone de encerrar um contrato de produção, elas se
declararam estupefatas com a forma como ele o fez, apesar de poucas terem falado on the record, por não quererem se envolver diretamente na disputa.

Alguns questionaram se Redstone tentou proteger seus executivos de serem os portadores da má notícia. Mas muitos se perguntaram o motivo de Redstone ter apontado o comportamento estranho de Cruise do ano passado, durante a turnê de promoção de "Guerra dos Mundos", como motivo para encerrar a parceria comercial agora.

Um executivo apontou que a Paramount deu sinal verde para "Missão Impossível III" após Cruise ter pulado no sofá de Oprah Winfrey na televisão e criticado os medicamentos psiquiátricos no programa "Today" da NBC.

A sócia de Cruise, a produtora Paula Wagner, afirmou que o ataque de
Redstone a Cruise colocou tanto Grey quanto Freston em uma situação de
derrotados.

"Se não sabiam disto, como podem dirigir eficientemente um estúdio?" ela disse sobre os dois executivos. "Quem vai querer trabalhar com uma
administração tão ineficiente? E se forem cúmplices, quem vai querer
trabalhar com um estúdio que devora os seus próprios?"

Redstone, em sua própria defesa, disse em uma entrevista que apesar de
gostar de Fields, "a opinião dele está na minoria" e que ele recebeu
telefonemas de parabenização de investidores e expoentes de Hollywood, como David Geffen e o produtor Brian Grazer. "Dominick Dunne me telefonou para dizer que me comportei como Samuel Goldwyn", disse Redstone, se referindo ao lendário chefe de estúdio e produtor.

E seu amigo Alan C. Greenberg -o presidente do comitê executivo da Bear
Stearns, a firma de Wall Street, e um membro veterano do conselho da Viacom- se manifestou em apoio a Redstone.

"Tom Cruise ficou maluco", disse Greenberg. Se as pessoas em Hollywood
acreditam que Redstone lidou mal com Cruise, ele acrescentou, "elas têm
direito à sua opinião".

"Ele fez o certo. O sujeito diminuiu seu atrativo."

Ao ser perguntado como achava que o divórcio da Paramount com Cruise
afetaria a Viacom, Greenberg disse: "Positivamente".

Ao menos na quarta-feira, Greenberg estava certo. As ações da Viacom subiram 21 centavos, fechando a US$ 36,66.

Mas o que o rompimento com Cruise sinaliza para o futuro da administração da Viacom está menos claro.

Segundo dois executivos próximos da empresa, que insistiram no anonimato para evitar colocar em risco seus relacionamentos na indústria, Freston e Grey disseram aos líderes da Viacom em meados de julho que não renovariam o contrato com Cruise e que estavam descontentes com seu valor como astro.

Ainda assim, os executivos envolvidos nas negociações confirmaram que o
estúdio ofereceu recentemente um contrato de US$ 2 milhões para Cruise -uma redução em relação ao contrato anterior de US$ 4 milhões para despesas gerais e US$ 6 milhões para financiar o desenvolvimento de projetos cinematográficos.

Fields também confirmou que executivos da Paramount o procuraram com uma oferta de renovar o contrato de Cruise há três semanas. Ele disse que Cruise decidiu não aceitá-la, mas antes que pudesse informar sua decisão à Paramount, Redstone fez seus comentários ao "The Wall Street Journal".

Redstone, por sua vez, estava impaciente para seus executivos concluírem as discussões, disseram pessoas familiarizadas com as negociações. Segundo executivos da Viacom e outras ligadas à unidade de cinema, Redstone ficou particularmente irritado por Cruise ganhar até US$ 75 milhões com "Missão Impossível III", um filme que arrecadou perto de US$ 400 milhões em bilheteria mundialmente, apesar de ter ficado aquém das expectativas. Cruise tinha um contrato que lhe dava cerca de 25% da receita bruta do estúdio com o filme.

Os executivos da Paramount e Viacom disseram que nem Freston e nem Grey
sabiam que Redstone atacaria Cruise publicamente e que ambos discordaram do teor dos comentários de seu chefe.

Nem Grey, nem Freston e nem os executivos de relações públicas do estúdio divulgaram qualquer declaração -uma circunstância rara em uma confusão tão proeminente.

O silêncio deles deixou muitos em Hollywood que trabalham com a Paramount se perguntando se Grey, que se tornou chefe do estúdio em janeiro de 2005 e presidiu durante uma era turbulenta de demissões que ganharam manchetes, está realmente no comando.

Um produtor que trabalhou com o estúdio disse: "Eles ainda não estão com a casa em ordem, esta é a mensagem. A Paramount ainda está desorganizada. Não é tão difícil fazer isto". Ele acrescentou: "Toda vez que eles conseguem um período curto de calma, eles inevitavelmente pisam nele".

Fields, que contou com Grey entre seus clientes no passado, desferiu o mesmo ataque ao presidente do estúdio. "Eu tenho muita fé em Brad Grey, mas ele obviamente não está no comando do lugar", disse Fields.

Quanto a Freston, que transformou a MTV em uma potência do cabo mas que tem sido julgado duramente por Wall Street devido à fraqueza das ações da Viacom, havia algum debate na indústria sobre se a forma como foi tratado o rompimento com Cruise causou algum atrito entre ele e seu chefe. Mas Redstone, que controla a Viacom com 74% dos votos, disse firmemente que não há problemas entre ele e seu executivo-chefe.

Redstone acrescentou que acredita que "desferiu um golpe em toda a indústria" ao punir Cruise. "Já era hora da indústria começar a lidar com estes astros e estrelas de forma diferente e fazer com que saibam que não receberão dinheiro gordo se agirem de forma que seja imprópria e embarace os estúdios", ele disse.

Cruise permaneceu em silêncio pelo segundo dia. Wagner, sua sócia, disse que a produtora deles está buscando um acordo financeiro com dois fundos hedge no valor de US$ 100 milhões em crédito rotativo. Mas Fields, que está fora do país, disse não estar ciente destes planos.

*Reportagem de David M. Halbfinger, Geraldine Fabrikant e Sharon Waxman; artigo redigido por Halbfinger George El Khouri Andolfato

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