UOL Notícias Internacional
 

24/08/2006

Anistia Internacional diz que Israel cometeu crimes de guerra

The New York Times
John Kifner

em Beirute, Líbano
Na quarta-feira, a Anistia Internacional acusou Israel de crimes de guerra em sua batalha de um mês contra o Hizbollah, dizendo que sua campanha de bombardeio representou ataques indiscriminados à infra-estrutura civil e população do Líbano.

"Muitas das violações examinadas neste relatório são crimes de guerra que acarretam responsabilidade criminal individual", disse o grupo de direitos humanos com sede em Londres em um relatório sobre a campanha israelense. "Elas incluem ataques diretos a objetos civis e execução de ataques indiscriminados ou desproporcionais."

"Durante mais de quatro semanas de bombardeio terrestre e aéreo pelas forças armadas israelenses, a infra-estrutura do país sofreu destruição em uma escala catastrófica", disse o relatório, argumentando que isto fazia "parte integral da estratégia militar".

"As forças israelenses demoliram prédios", prosseguiu o relatório, "reduzindo bairros inteiros a escombros e transformando cidades e aldeias em cidades fantasmas enquanto seus habitantes fugiam dos bombardeios".

"Muitas estradas, pontes e postos de patrulha foram explodidos em pedaços. Famílias inteiras foram mortas em ataques aéreos contra suas casas ou contra seus veículos enquanto fugiam dos ataques aéreos à suas aldeias. Muitos estão há semanas enterrados sob os escombros de suas casas, enquanto a Cruz Vermelha e outros grupos de resgate eram impedidos de chegar às aéreas pela continuidade dos ataques israelenses."

Mark Regev, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, rejeitou as acusações de que Israel "agiu fora das normas internacionais ou da legalidade internacional em relação às regras de guerra". Diferente do Hizbollah, ele disse, Israel não visou a população civil, nem atacou indiscriminadamente a infra-estrutura civil libanesa.

Ele acrescentou: "Nossa trabalho foi dificultado pelo fato do Hizbollah ter adotado a política deliberada de se posicionar dentro das áreas civis e violar a primeira distinção fundamental sob as regras de guerra, colocando civis em risco deliberadamente.

"Segundo as regras de guerra, você tem direito legal de visar infra-estrutura que seu inimigo esteja explorando para sua campanha militar."

Citando várias fontes, o relatório da Anistia Internacional disse que a força aérea de Israel executou mais de 7 mil ataques, enquanto a marinha realizou 2.500 disparos. O número de vítimas, segundo estatísticas do governo libanês, foi de cerca de 1.183 mortos, a maioria civis, cerca de um terço deles crianças; 4.054 feridos; e 970 mil deslocados, entre uma população de pouco menos de 4 milhões.

"As declarações dos oficiais militares israelenses parecem confirmar que a destruição da infra-estrutura era de fato a meta da campanha militar", disse o relatório. Ele disse que "em aldeia após aldeia o padrão foi semelhante: as ruas, especialmente as ruas principais, estavam marcadas com crateras de artilharia ao longo de sua extensão. Em alguns casos, impactos de bombas de fragmentação foram identificados".

"Casas foram atacadas com mísseis de precisão e como resultado foram destruídas total ou parcialmente", disse o relatório. "Estabelecimentos comerciais como supermercados e lojas de alimentos e postos de gasolina e de serviços foram atacados, freqüentemente com munição de precisão e artilharia que iniciaram incêndios e destruíram o que continham."

"Com a eletricidade cortada e alimentos e outros suprimentos não chegando às aldeias, a destruição de supermercados e postos de gasolina tiveram papel crucial em forçar a partida dos moradores locais. A falta de combustível também impediu os moradores de obterem água, já que o bombeamento exige eletricidade de geradores movidos a combustível."

O relatório da Anistia Internacional disse que destruição disseminada de apartamentos, casas, abastecimento de água e eletricidade, estradas, pontes, fábricas e portos, além de várias declarações de autoridades israelenses, sugerem uma política de punição ao governo libanês e à população civil em um esforço para voltá-los contra o Hizbollah.

"A evidência sugere fortemente que a extensa destruição de obras públicas, sistemas de força, lares civis e indústria fez parte deliberada e integral da estratégia militar em vez de um dano colateral", disse o relatório.

"Os ataques israelenses não diminuíram, nem seu padrão pareceu mudar, mesmo quando ficou claro que as vítimas do bombardeio eram predominantemente civis, como foi o caso nos primeiros dias do conflito", disse o relatório.

Ele também notou uma declaração do chefe do Estado-Maior das forças armadas israelenses, o general Dan Halutz, chamando o Hizbollah de um "câncer" que o Líbano deveria se livrar "porque, caso contrário, o país pagará um preço muito caro".

O relatório da Anistia Internacional foi divulgado enquanto várias agências de ajuda internacional e direitos humanos aproveitam a atual calmaria nos combates para avaliar os estragos.

O Programa de Desenvolvimento da ONU disse que os ataques eliminaram grande parte do progresso obtido pelo Líbano na recuperação da devastação dos anos de guerra civil. "Quinze anos de trabalho foram eliminados em um mês", disse Jean Fabre, um porta-voz da organização em Genebra, aos repórteres.

Outra questão urgente, disseram grupos de ajuda, é o número de pequenas bombas não detonadas, dispersadas pelas bombas de fragmentação, espalhadas pelas aldeias do sul. Tekimiti Gilbert, o chefe de operações da equipe da ONU de remoção de minas, disse aos repórteres em Tiro: "Até o momento há pelo menos 170 ataques com bombas de fragmentação no sul do Líbano. É um problema enorme. Há riscos óbvios para pessoas, crianças, carros. As pessoas estão tropeçando nestas coisas".

Representantes da ONU disseram que pelo menos cinco crianças morreram ao pegar as pequenas bombas dispersadas pelas bombas de fragmentação.

Apesar do cessar-fogo, o sul do Líbano permaneceu tenso na quarta-feira. Três soldados libaneses foram mortos quando tentaram desarmar um foguete que não explodiu. Um soldado israelense foi morto e dois outros ficaram feridos quando, segundo as forças armadas israelenses, eles caminharam sobre um campo minado que Israel tinha enterrado anteriormente.

As forças armadas israelenses também disseram que realizaram vários disparos de artilharia do território disputado das Fazendas de Shebaa contra a aldeia libanesa de Shebaa. Não houve relato de vítimas. George El Khouri Andolfato

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