UOL Notícias Internacional
 

24/08/2006

Grupo exige troca de prisioneiros por jornalistas capturados

The New York Times
Greg Myre

em Jerusalém
Um grupo islâmico desconhecido exigiu na quarta-feira (23/8) a liberação de todos os prisioneiros muçulmanos detidos nos EUA em troca dos dois jornalistas da Fox News seqüestrados na semana passada na Cidade de Gaza.

O grupo, que se chamou de Brigadas da Jihad Sagrada, não havia feito exigências até quarta-feira, quando emitiu a declaração junto com um vídeo dos dois homens: Steve Centanni, 60, americano que mora em Washington, e Olaf Wiig, 36, câmera da Nova Zelândia.

Mais de uma dúzia de ocidentais foram seqüestrados na Faixa de Gaza nos últimos dois anos, mas todos foram liberados ilesos, quase sempre em 24 horas. Por outro lado, o vídeo e a exigência pela liberação de prisioneiros na quarta-feira foi semelhante aos seqüestros por grupos militantes islâmicos no Iraque, Paquistão e em outros países. E foi mais um sinal do agravamento da situação de segurança em Gaza, um ano depois da retirada israelense.

Além disso, esta foi a primeira vez que seqüestradores em Gaza fazem ampla demanda política que transcende o conflito imediato palestino-israelense.

"Vamos dar-lhes uma chance que não será repetida -a liberação de muçulmanos detidos em prisões americanas em troca dos presos em nossas mãos", disse a declaração. "Se vocês satisfizerem nossas condições, manteremos nossa promessa."

O texto fez referências freqüentes ao Alcorão, mas não foi específico sobre os prisioneiros muçulmanos cuja liberação era sugerida. Ele dizia que os EUA tinham 72 horas, a partir de meio dia de quarta-feira, para decidir e não dizia o que aconteceria se as exigências não fossem cumpridas.

No vídeo, Centanni e Wiig estavam sentados no chão de pernas cruzadas e descalços e pareciam relaxados ao falar com a câmera.

"Estamos vivos e passando bem", disse Centanni. "Estamos com saúde razoável. Temos muita água limpa, comida todos os dias. Acesso ao banheiro, chuveiro, roupas limpas e nossos captores estão nos tratando bem."

Wiig acrescentou: "Se vocês puderem aplicar pressão política sobre o governo aqui em Gaza e na Cisjordânia, isso seria muito apreciado por Steve e eu."

Os dois estavam passando pelo centro da Cidade de Gaza em um carro blindado no dia 14 de agosto quando homens armados pararam o veículo e exigiram que os homens descessem.

Gaza está atormentada por facções armadas, e não ficou claro se o grupo alegando responsabilidade era uma organização verdadeira ou apenas um nome fictício para acobertar uma facção existente.

As facções palestinas há muito insistem que sua batalha é apenas com Israel, e é altamente incomum que a brigada tenha escolhido denunciar os EUA.

A declaração condenou a presença militar americana no Iraque e no Afeganistão, dizendo: "Os poderes do mal estão unidos em guerras contra o islã e seu povo."

Israel diz temer que grupos como Al Qaeda estejam tentando se infiltrar em Gaza, particularmente desde que Israel retirou-se do território, apesar de não haver provas disso.

Durante muitos anos, os palestinos saudaram os jornalistas estrangeiros e agentes de agências humanitárias e outros ocidentais em Gaza. Autoridades palestinas, grupos militantes e cidadãos comuns em geral gostam de conversar com os jornalistas. Mesmo depois do início das batalhas em 2000, os jornalistas ocidentais puderam operar com relativa liberdade em Gaza.

Entretanto, nos últimos dois anos o território vem ficando cada vez mais desgovernado. A autoridade do governo palestino vem caindo enquanto grupos armados, alguns deles nada mais que gangues criminosas, proliferam.

Em contraste ao Iraque, onde muitos ocidentais seqüestrados foram mortos, as vítimas de seqüestro em Gaza freqüentemente disseram ter sido tratadas mais como convidadas do que como reféns e não se sentiram ameaçadas em seu breve cativeiro.

Seqüestradores de Gaza, em geral, queriam um emprego nas forças de segurança palestinas ou a liberação de um parente detido em uma prisão palestina. Os seqüestradores freqüentemente disseram aos reféns que não tinham a intenção de machucá-los, mas que os ocidentais servem de carta de barganha extremamente eficaz ao lidar com a Autoridade Palestina.

Em muitas ocasiões, a Autoridade Palestina silenciosamente cumpriu as exigências dos seqüestradores depois da liberação dos reféns.

A gravação da quarta-feira foi entregue ao Ramattan Studios, escritório de produção de programas de televisão na Cidade de Gaza, perto de onde os jornalistas foram seqüestrados. O canal de televisão via satélite árabe Al Jazeera inicialmente divulgou o vídeo, mas a Fox News e outras organizações também apresentaram partes dele.

Funcionários da Fox e a mulher de Wiig, Anita McNaught, jornalista da televisão, têm tido contato regular com membros da Autoridade Palestina, que dizem estar tentando assegurar a liberação dos homens.

"Ficamos aliviados em ver que nossos colegas parecem estar vivos e bem no vídeo divulgado hoje", disse John Moody, vice-presidente da Fox para editorial de notícias em Nova York. "Acreditamos que os seqüestradores compreendem que são responsáveis pelo bem estar de Steve e Olaf e seu retorno em segurança. Pedimos sua liberação imediata."

Em Washington, o Departamento de Estado disse que não ia ceder às exigências dos seqüestradores. "Não fazemos concessões a terroristas e vamos continuar pedindo a liberação dos jornalistas sem condições", disse um porta-voz do Departamento de Estado, Gonzalo Gallegos, de acordo com a Associated Press.

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, disse ao gabinete na terça-feira que o governo estava "buscando a liberação imediata e incondicional dos dois jornalistas."

O ministro do interior palestino, Said Siam, responsável pela polícia e segurança, disse na quarta-feira que esforços intensos estavam sendo feitos para encontrar os dois homens.

Entretanto, a Autoridade Palestina disse que não foi capaz de contatar ou negociar com os seqüestradores.

Neste caso e nos anteriores, autoridades palestinas criticaram os seqüestros e disseram que prejudicam a causa palestina.

Raji Sourani, diretor do Centro Palestino de Direitos Humanos, na Cidade de Gaza, disse que os seqüestros tinham aumentado em Gaza porque a Autoridade Palestina havia "fracassado em impor a lei contra os que a violavam em plena luz do dia".

No entanto, Sourani também criticou Israel pelo que chamou de reposta extremamente dura ao seqüestro de 25 de junho de um soldado israelense que está sendo mantido por militantes palestinos em Gaza. O aumento da violência, junto com a pressão econômica e política imposta por Israel, "criou um ambiente muito perigoso", disse ele.

Desde que os funcionários da Fox foram capturados há nove dias, algumas organizações de notícias ocidentais retiraram seus jornalistas de Gaza.

Diplomatas americanos advertiram que há ameaças de mais seqüestros na região, enquanto a Foreign Press Association em Israel advertiu seus membros a "exercitarem extremo cuidado nos próximos dias".

Enquanto isso, israelenses e palestinos continuam em um impasse sobre o soldado israelense seqüestrado, Gilad Shalid. Depois de sua captura, as forças militares israelenses, que se retiraram de Gaza há um ano, voltaram ao território e enfrentaram confrontos praticamente diários com militantes palestinos.

Israel está exigindo a liberação incondicional do soldado, enquanto os palestinos querem a troca por prisioneiros mantidos em prisões israelenses.O Egito serviu de mediador, mas as negociações parecem emperradas.

Três facções palestinas, inclusive o braço armado do grupo governante Hamas, assumiram a responsabilidade coletiva pela captura do soldado, que foi seqüestrado em um posto militar em território israelense, perto da cerca do perímetro de Gaza.

Muitos palestinos apóiam a captura do soldado, dizendo que é uma forma eficaz de pressionar Israel a soltar ao menos alguns dos quase 9.000 prisioneiros palestinos que mantém. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host