UOL Notícias Internacional
 

25/08/2006

Nunca é cedo demais para se preparar para a corrida presidencial

The New York Times
Adam Nagourney

em Detroit
Para Chuck Larson, um ex-presidente do Partido Republicano de Iowa, os últimos meses incluíram um vôo para Albany para um jantar na mansão executiva com o governador de Nova York, George E. Pataki, um provável candidato presidencial em 2008. Larson também foi convocado para uma longa conversa privada com o governador de Massachusetts, Mitt Romney, em um hotel em Des Moines, Iowa.

E houve a visita de uma hora ao senador John McCain em seu gabinete privado no Capitólio, onde McCain, um veterano do Vietnã, perguntou a Larson sobre sua visita recém concluída ao Iraque. Foi isto o que selou o acordo. Assim, na semana passada, Larson pôde ser encontrado ao lado de McCain na Feira Estadual de Iowa, acompanhando o senador do Arizona entre vacas e porcos e na barraca de carne de porco no palito, em seu novo papel como conselheiro de McCain em Iowa.

A cada quatro anos, políticos de ambos os partidos dizem que a corrida presidencial começou a mais cedo do que nunca. A diferença é que desta vez parece ser verdade.

A grande atenção destinada a Larson reflete o que representantes de ambos os partidos descrevem como um esforço urgente e persistente dos candidatos presidenciais potenciais para começar a estabelecer as fundações da campanha de 2008, começando antes mesmo que os votos sejam dados nas eleições de novembro. Em Iowa, Michigan e outros Estados chaves das eleições primárias, há uma pequena tempestade de atividade transcorrendo, com quase 20 democratas e republicanos que estão de olho na disputa se tornando cada vez mais ansiosos com a percepção de que há um número limitado de grandes assistentes, contribuintes, simpatizantes locais proeminentes e minutos disponíveis nos noticiários noturnos.

Esta é a primeira vez em 50 anos que há um campo tão vasto para democratas e republicanos, e isto está estimulando a disputa pelos serviços de pessoas como Jim Jordan, que trabalhou em 2004 como diretor da campanha presidencial do senador John Kerry, democrata de Massachusetts.

"Realmente não há diretores de campanha e consultores experientes suficientes, assim como agentes de campo calejados, disponíveis", disse Jordan, que acabou de assinar com Mark Warner, um democrata e ex-governador da Virgínia que está considerando concorrer à presidência.

Os sinais de atividade estão por toda parte. Na quinta-feira, Warner esteve em Detroit fazendo campanha para a governadora Jennifer M. Granholm, uma democrata que está buscando a reeleição em um Estado com o segundo maior número de delegados entre aqueles que deverão marcar eleições de indicação durante as críticas três primeiras semanas do início da temporada de primárias de 2008. No mesmo dia, Romney anunciou que criou uma Comissão Geral de Trabalhos de Michigan, com 75 membros, amplamente vista como a base da operação "Romney para Presidente" no Estado.

Nove candidatos estiveram em Iowa na semana passada: quatro democratas e cinco republicanos. Sem contar o governador de Iowa, Tom Vilsack, que provavelmente também disputará a indicação presidencial do Partido Democrata. E enquanto os candidatos atualmente tentam imaginar quais Estados importarão em 2008, Iowa é apenas uma parada neste circuito agitado.

"Desculpe pela demora em lhe dar um retorno", disse Katon Dawson, o presidente republicano do diretório da Carolina do Sul, em uma entrevista por telefone. "A segunda visita de Giuliani nos atrapalhou um pouco."

Dawson disse que Rudolph W. Giuliani, o ex-prefeito de Nova York, esteve no Estado para um evento de arrecadação de fundos para o Partido Republicano da Carolina do Sul -os representantes locais do partido aprenderam há muito tempo que um dos benefícios de ter na cidade candidatos presidenciais potenciais ávidos em agradar é pressioná-los a realizarem arrecadação de fundos -assim como a participarem das campanhas para cadeiras no Congresso.

Assim como fez Romney, notou Dawson enquanto analisava seu calendário de visitantes políticos à Carolina do Sul. E Pataki. E Newt Gingrich, o ex-presidente da Câmara. E o governador de Arkansas, Mike Huckabee.

Geralmente, mesmo em anos altamente competitivos, os candidatos só começam a fazer este tipo de recrutamento e viagem depois das eleições de novembro. Jordan só começou a trabalhar como diretor de campanha de Kerry depois de novembro de 2002, e só começou a montar uma equipe plena em janeiro, ele disse.

Mas agora -antes do Dia do Trabalho e das eleições de novembro- a senadora Hillary Rodham Clinton de Nova York, McCain, Warner e John Edwards, o ex-senador da Carolina do Norte e candidato presidencial em 2004, já parecem estar próximos de contar com esqueletos quase plenamente formados de organizações de campanha nacional. Eles já contrataram arrecadadores de fundos (o quadro de Hillary Clinton inclui Terry McAuliffe, o ex-presidente nacional do Partido Democrata e amigo íntimo do casal Clinton), assim como pesquisadores, consultores de mídia, diretores de comunicação, consultores de política e, inevitavelmente, especialistas em Internet.

Romney conta com quatro funcionários em tempo integral em Iowa e três na Carolina do Sul, disseram seus assessores. E os próprios candidatos parecem estar em toda parte, no que representantes de ambos os partidos consideram como um sinal de como os tempos mudaram.

"Esta é a diferença em comparação a 2004 -começou mais tarde no ciclo 2004", disse o democrata Joe Erwin, o líder do partido na Carolina do Sul. "Warner já esteve aqui duas ou três vezes. Bayh já veio. O senador Kerry já veio. Vilsack já veio."

Assessores da maioria dos candidatos disseram que há risco em esperar. Pode haver menos oportunidades para atrair grandes nomes -os assessores de McCain disseram nesta semana que Robert B. Zoellick, o ex-vice secretário de Estado, foi o mais recente grande nome a se juntar ao time do senador. Mas também é importante ser percebido pelos contribuintes e jornalistas políticos como viável e conquistando apoio.

Os simpatizantes de Romney foram compreensivelmente aplaudidos quando David Yepsen, o influente colunista do "The Des Moines Register", escreveu uma coluna enchendo de elogios os esforços de Romney, o chamando de o candidato republicano melhor organizado no Estado e declarando que ele está "bem adiantado na conquista dos republicanos de Iowa em 2008".

Dada quanta competição existe, os candidatos têm se mostrado engenhosos em criar novas formas de fazer amigos em locais importantes.

O senador Evan Bayh, democrata de Indiana, criou o Acampamento Bayh,
treinando agentes políticos e os enviando para ajudar nas eleições locais em Iowa neste ano. "Eu estou visitando Iowa mais do que qualquer outro lugar, mais do que qualquer outro Estado fora Indiana", disse Bayh após falar aos democratas de Iowa em um pequeno café em Cedar Rapids.

Romney, claramente desfrutando de seu papel como presidente da Associação dos Governadores Republicanos, veio a Cedar Rapids para fazer campanha para o deputado Jim Nussle, um candidato republicano ao governo. Lá, Romney anunciou, para perceptível assombro da platéia de republicanos devotados, que seu comitê estava dando US$ 500 mil para a campanha de Nussle.

Pataki está usando o atrativo da Pista de Corridas de Saratoga para fazer amigos: assessores disseram que ele trouxe 15 senadores estaduais
republicanos de New Hampshire para um dia nas corridas na sexta-feira.

A competição tem sido por grandes nomes para estabelecer um quartel-general nacional e isto começa por um pequeno grupo de pessoas que estiveram no centro das campanhas do presidente Bush para a Casa Branca.

McCain tem se esforçado para obter os veteranos das campanhas do presidente, tendo sucesso com Mark McKinnon, o conselheiro de mídia de Bush; Terry Nelson, seu diretor político; e, provavelmente, Nicolle Wallace, que foi diretora de comunicações da Casa Branca.

Um membro chave das campanhas de Bush, Matthew Dowd, que foi seu
estrategista chefe, é objeto do interesse das campanhas de McCain e Romney, no mínimo, disseram republicanos. "Matt é o maior peixe que ainda não foi fisgado", disse um dos associados de McCain, que insistiu em anonimato para discutir deliberações internas da campanha.

Mas Dowd, juntamente com dois outros importantes tenentes da campanha
presidencial de Bush -Ken Mehlman e Karl Rove, o principal assessor político do presidente- disseram a amigos que dificilmente participarão de outra campanha.

Algumas das manobras mais significativas envolvem Estados como Iowa e New Hampshire, porque realizam as primeiras eleições primárias e convenções e exigem o tipo de perícia que vem de ter vivido ou trabalhado em campanhas lá.

Larson, 38 amos, o ex-presidente do diretório republicano de Iowa e um major da Reserva do Exército que serviu por 12 meses no Iraque, atraiu atenção em particular devido ao seu conhecimento da política de Iowa e por ter trabalhado como co-responsável pelo Estado para Bush. Larson disse que o apoio de McCain à guerra foi um dos principais motivos que o fizeram optar pela candidatura do senador. George El Khouri Andolfato

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