UOL Notícias Internacional
 

26/08/2006

Europa promete maior força dentro do Líbano

The New York Times
Craig S. Smith

em Bruxelas, Bélgica
Depois de uma semana de confusões e enganos, a Europa prometeu enviar 6.900 soldados à força de paz da ONU no Sul do Líbano, disseram as autoridades em um encontro de emergência dos ministros de relações exteriores da União Européia, aqui na sexta-feira (25/8).

As autoridades, porém, advertiram que a força não será usada para desarmar o Hizbollah. A tarefa, se for cumprida, caberá ao governo e ao exército libaneses.

A força internacional que se une aos soldados libaneses é a solução que os poderes mundiais encontraram depois de um mês de lutas entre Israel e o Hizbollah, milícia islâmica que domina o Sul do Líbano. Israel em particular queria um forte contingente europeu na força.

Mas depois de fechado o acordo, um número de países disse que as regras de atuação não estavam claras e que temiam que suas tropas acabassem lutando com Israel ou com o Hizbollah. O conflito é em parte local, em torno de prisioneiros que os dois lados detêm e da história da ocupação israelense na região.

Mas é também o resultado da recusa do Hizbollah de reconhecer a legitimidade de Israel e é amplamente considerado um conflito entre os EUA e o Irã.

A maior contribuição à força ampliada veio da Itália, que confirmou que contribuiria com 3.000 soldados. O secretário-geral Kofi Annan pediu que o país sucedesse a França no comando da força em fevereiro. Parece improvável que a força atinja os 15.000 autorizados pela resolução 1701 da ONU, que pôs fim às batalhas no Líbano.

O presidente Jacques Chirac, da França, chamou na sexta-feira o número de 15.000 homens de "totalmente excessivo". Atualmente, há mais de 2.000 soldados da ONU no Líbano.

"A Europa cumpriu sua responsabilidade", disse Annan, que participou da sessão de emergência de ministros de relações exteriores da UE. Ele chamou o comprometimento de "centro confiável" citado na resolução 1701.

O secretário-geral disse que esperava que milhares dos soldados adicionais fossem enviados nos "próximos poucos dias, não nas próximas semanas" e que a força total chegasse em três ondas nos próximos vários meses.

Annan disse que foram acordadas novas regras de atuação que autorizam os soldados da paz a usarem força mortal contra os que impedirem-nos de desempenhar seu papel.

"Se, por exemplo, combatentes ou pessoas carregando armas ilícitas resistirem às ordens dos soldados da ONU ou do exército libanês para desarmarem-se", então a força armada poderia ser usada, disse ele. Ele acrescentou, entretanto, que o desarmamento do Hizbollah -um objetivo central das duas resoluções da ONU no Líbano -"não vai ser feito à força".

O objetivo da força de paz é apoiar o exército libanês na fiscalização das resoluções. Mas o desarmamento do Hizbollah "tem que ser alcançado por meio da negociação e de um consenso libanês interno, um processo político para o qual a Unifil não é e não pode ser substituta", disse Annan. Unifil são as iniciais em inglês para Força Interina das Nações Unidas no Líbano.

Annan também disse que os soldados da paz não serão enviados para a fronteira com a Síria, a não ser que o governo libanês faça essa requisição expressa. A Síria declarou que consideraria tal distribuição de tropas um "ato hostil", e o Líbano já disse que não quer o apoio da ONU para policiar a fronteira.

A presença de Annan na reunião dos ministros na sexta-feira marcou a urgência de conseguir mais soldados para a força de paz no Líbano e cimentar o frágil cessar-fogo. No entanto, com os limites do mandato da força, é improvável que resolva a questão central da presença armada do Hizbollah no Sul do Líbano -um fato mencionado por Annan e por autoridades européias.

"Nossas principais preocupações agora estão relacionadas com o contexto político no qual a força da ONU operará", disse Annan. "A ONU -tanto o Conselho de Segurança quanto o secretariado- tem plena consciência da necessidade de fazer progredir o processo político, estabilizar a situação e assegurar um cessar-fogo durável."

Ele disse que visitará o Irã, a Síria, o Líbano, Israel e os territórios palestinos na próxima semana e depois fará recomendações ao Conselho de Segurança sobre formas de resolver a situação política que levou à crise.

A Hizbollah é uma organização muçulmana xiita apoiada financeira, política e militarmente pela Síria e pelo Irã. O exército libanês, que será responsável por deter o fluxo de armas desses dois países para o Hizbollah, é em grande parte composto de soldados xiitas.

Como o Hizbollah está representada no governo libanês, poucas pessoas esperam que o governo ou o exército sejam capazes de desarmar a milícia poderosa ou expulsá-la do Sul do Líbano sem a cooperação da Síria e do Irã.

Ainda assim, Annan fez uma avaliação positiva da situação em terra.

"A cessação de hostilidades, no todo, manteve-se notavelmente bem", disse ele. "As forças israelenses estão retirando-se progressivamente do Sul do Líbano, e as forças armadas libanesas estão entrando."

Javier Solana, diretor de política externa da União Européia, pediu a Israel que retirasse o bloqueio aéreo e marítimo contra o Líbano para aliviar tensões e permitir a reconstrução.

Os franceses estão contribuindo com o segundo maior contingente de soldados depois da Itália, apesar de não estar claro qual será o número exatamente.

Chirac disse na quinta-feira que a França ia enviar um total de 2.000 soldados. Mas o ministro de relações exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, disse na reunião de sexta-feira que a França contribuiria com 2.000 além dos que já estão em terra no Líbano. A Espanha prometeu um batalhão de 1.000 a 1.200 soldados, e a Polônia, que já tem alguns soldados na Unifil, disse que acrescentará outros 500 agora e possivelmente mais depois, dependendo das necessidades da força.

A Bélgica disse que ia enviar 300 soldados e que o número poderá aumentar para 400. A Finlândia prometeu 250 soldados.

Alemanha, Suécia, Grécia, Holanda e Dinamarca ofereceram barcos e outros recursos navais. O Reino Unido disse que ia enviar um avião de ataque terrestre Jaguar e de Advertência Aérea e Sistema de Controle, conhecido como Awacs, além de uma fragata. Também ofereceu ajuda para treinar e equipar os militares libaneses e dar apoio de comando avançado e tecnologia de controle da força.

Annan, disse que a ONU tinha recebido sérias ofertas de soldados de fora da Europa, inclusive da Malásia, Indonésia e Bangladesh, e que estava consultando a Turquia para saber se ia contribuir. Israel tinha expressado anteriormente oposição à entrada de países muçulmanos na força de paz, como Malásia e Indonésia, com os quais não tem relações diplomáticas. Mas Annan acredita que há formas de usar as tropas enquanto trata das preocupações israelenses.

Além de suceder os franceses no comando em fevereiro, a Itália vai chefiar um escritório estratégico na sede da ONU em Nova York que dará orientação militar à força, disse Annan.

A decisão de um comando conjunto premia a Itália por aproveitar a brecha diplomática dos últimos dias e fazer promessas audaciosas de soldados e liderança, enquanto outros países europeus hesitavam.

Além disso, evita embaraço para a França, que inicialmente deveria liderar o esforço mas logo atraiu críticas por sua lentidão em prometer mais soldados.

Em uma concessão importante à França, que tinha preocupações com questões burocráticas na cadeia de comando -um problema das forças de paz anteriores da ONU- não haverá representantes civis especiais do secretário-geral em terra para compartilhar o comando, que em vez disso se reportará à célula militar em Nova York.

A Rússia informou que está pensando em enviar soldados ao Líbano, mas o ministro da defesa Sergei B. Ivanov disse que ainda não havia uma decisão. "Não está claro qual a posição da força de paz, quais são seus direitos, o que deve fazer lá e qual será seu mandato", disse aos repórteres durante visita ao extremo oriente do país, segundo a Interfax.

É improvável que os militares russos, cujos homens e orçamento já estão divididos e espalhados, sejam capazes de enviar força significativa. Deborah Weinberg

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