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27/08/2006

Acompanhando Paris Hilton

The New York Times
Kyle Pope

em Hollywood
Era pouco antes de uma da manhã de um sábado de fim de verão, do lado de fora do Hyde, um clube noturno na Sunset Strip. Os paparazzi estavam agitados, se aglomerando brevemente à visão da partida de Nicollette Sheridan, então cumpriam sua rotina com algumas fotos obrigatórias de uma lutadora profissional, Stacy Keibler. A noite estava começando a parecer um fracasso.

Então um BMW preto com vidros escurecidos encostou e as figuras que se acotovelavam assumiram um foco coletivo repentino. Elliot Mintz, o homem meticulosamente arrumado que saiu do sedã, não é reconhecível para a maioria dos leitores das revistas de fofocas. Mas como o representante pessoal de Paris Hilton -assessor de imprensa, semiguarda-costas e acompanhante por toda parte- ele era o prenúncio de sua chegada. Vestindo um smoking tradicional e ostentando um bronzeado George Hamilton, ele conversou com os paparazzi e abraçou o porteiro carrancudo.

Ele entrou no clube e passou a hora e meia seguinte bebendo vinho, aguardando a chegada de sua eternamente atrasada tutelada. Quando ela chegou, ele saiu do clube e lidou com os fotógrafos, que finalmente conseguiram suas fotos.

No mundo das celebridades e seus acompanhantes, o trabalho de acompanhar as estrelas enquanto farreiam e embaraçam a si mesmas geralmente fica relegado a jovens assessores de imprensa de 25 anos, que tendem a estar sobrenaturalmente equipados com entusiasmo e vigor.

Assim, de muitas formas, Mintz, 61 anos, é uma figura incomum trabalhando no turno da madrugada da vida social de Paris Hilton. Raramente saindo de casa sem um terno, gravata e camisa de seda -freqüentemente todos do mesmo tom- ele é o tipo de pessoa que parece tanto mais jovem quanto mais velha do que realmente é. Seu cabelo escovado e unhas feitas sugerem um cuidado meticuloso, mas do tipo de uma geração mais velha e quase kitsch diante de Paris Hilton e seus amigos celebutantes.

Antes uma figura bem conhecida no cenário musical badalado de Los Angeles -ele foi um DJ de rádio underground nos anos 60 e confidente de John Lennon- Mintz agora acompanha Paris enquanto ela entra e sai requebrando de clubes, salões de beleza e restaurantes. Ela lhe diz onde planeja ir e ele chega mais cedo, colocando seu corpo diminuto entre a herdeira de 25 anos e embasbacados e fotógrafos indesejados, para que não a assustem ou atrapalhem.

E é Mintz que acelera pela noite quando sua maior cliente, mordida pelo macaco de estimação, aguarda seu conselho em um hospital, como ocorreu neste mês. Eles conversam e trocam e-mails uma dúzia de vezes por dia.

"Eu falo com ele mais do que com qualquer outra pessoa na minha vida", disse Paris em uma entrevista.

Quando perguntado sobre sua jornada improvável de John Lennon a Paris
Hilton, Mintz explicou que aos seus olhos ele antes representava um artista que defendia os sonhos e valores de uma geração. E agora ele representa uma herdeira que, bem, defende os sonhos e valores de uma geração.

"Os jovens não acreditam em políticos", ele disse. "Eles não acreditam em seus líderes. Ele se voltam para as celebridades para representá-los."

Longe de ver Paris Hilton como um projeto de controle de danos -ele a
aceitou como cliente bem depois de seu famoso vídeo de sexo- Mintz acredita que está moldando a imagem dela como estrela multimídia. "Ela criou esta marca", ele disse, citando sua linha de perfume; seu reality show de TV, "The Simple Life"; e seu primeiro CD, "Paris", feito pelo produtor de sucesso Scott Storch e lançado na semana passada.

Um motivo para Paris Hilton confiar em Mintz, ela disse, é que ele entende que ela está interpretando um papel: uma herdeira com uma voz
artificialmente ofegante que necessita desesperadamente de atenção para
sobreviver. "Ele realmente me entende, todo o lance Paris", ela disse. "Ele sabe que é tudo um jogo."

Mas segundo Mintz, ele está quase cheio do jogo -celebridades, clubes
noturnos, paparazzi- que ele considera desmoralizante e embaraçoso. "Eu
estou no fim disto", ele disse. "Eu estou cheio. Se eu ainda estiver fazendo isto daqui 12 meses, eu terei fracassado."

Ele traçou uma distinção entre Paris Hilton, que ele adora, e a mídia
moedora que a cerca, que ele não suporta. Apesar de ter concordado em ser entrevistado, ele o fez de forma relutante. O sonho dele, ele disse, é se aposentar e criar cavalos de raça. Suas intenções foram novidade para Paris, que respondeu à idéia como um grito de "Nãoooo". "Eu confio minha vida a ele."

Nascido no Bronx, Mintz chegou a Los Angeles em 1963 e freqüentou a Los
Angeles City College. No final dos anos 60 e nos anos 70 ele foi uma
presença constante no cenário do rock, trabalhando como DJ de rádio e
apresentador de um programa de televisão, "Headshop". Ele entrevistou Frank Zappa, Timothy Leary, John Lennon, que se tornou um amigo íntimo, e Bob Dylan, que se tornou um cliente. Ele acompanhou de Crosby, Stills & Nash a Woodstock.

Seu sobrado em Laurel Canyon, ao qual seu chega de bonde, está repleto de velas e Mintz fala daqueles anos como seus favoritos. Ele paga cerca de US$ 160 por mês para manter seu velho número de telefone de Laurel Canyon, apesar de viver em Beverly Hills, em uma casa repleta de recordações, incluindo livros autografados por Leary e álbuns autografados por Lennon, Gregg Allman e David Cassidy, ao qual Mintz acompanhou em uma turnê européia.

No final dos anos 70, ele estava esgotado na radiodifusão. Ele usou seus contatos na música para se tornar um assessor de imprensa. Após o
assassinato de Lennon em 1980 por Mark David Chapman, Mintz passou a
representar os herdeiros, se tornando consultor e protetor de Yoko Ono. Em uma mensagem por e-mail, Yoko Ono descreveu Mintz como "um amigo querido que enfrentou tempestades comigo nos últimos 25 anos". Ele está trabalhando em projetos com Sean Lennon, o filho de John e Yoko.

Hoje, Mintz está imerso em um mundo muito diferente. Ele vive como um jovem de 23 anos, dormindo até quase o meio-dia, então passando as horas seguintes trabalhando em um dos 17 telefones de sua casa. Na maioria dos dias ele trabalha até as 19 horas, se exercita em sua sala de ginástica particular e segue para a noite por volta das 21 horas. Ele disse que bebe o equivalente a uma garrafa de vinho por dia (quase sempre chardonnay, o motivo pelo qual Paris e os amigos dela o chamam de Chardy).

Mintz disse que acompanha Paris Hilton quase por toda parte porque ela lhe pede, cercada quase sempre pela mídia. Alguns suspeitam que ele simplesmente gosta de fazer parte da cena. Ken Baker, o editor executivo da Costa Oeste da "US Weekly", esteve na festa de aniversário de 24 anos de Paris Hilton, na casa dela no ano passado. Ele lembra de Mintz ter comparecido à festa menos como assessor e mais como parte da turma dela. "Ele se encaixava perfeitamente", disse Baker, 36 anos. "Lá estava eu na sala de estar de Paris, pensando que era velho demais para aquilo. Mas Elliot se misturava perfeitamente."

Outros importantes assessores de imprensa de Hollywood disseram que não
entendem por que Mintz deve acompanhar Paris por toda parte. Nenhum permitiu que seu nome fosse citado, mas vários se perguntaram se o excesso de cobertura de cada passo de Paris Hilton atrapalha sua capacidade de promover seu programa de televisão e seu disco.

Mintz respondeu que é devido a ele dedicar tanta atenção aos seus clientes que pessoas como Paris Hilton o contratam. Ele disse que dedicou atenção semelhante a muitos dos 40 clientes que teve ao longo dos anos. Um dos mais recentes, Christie Brinkley, estava nos noticiários neste verão quando o caso de seu marido chegou aos tablóides.

O interesse em Paris Hilton, disse Mintz, é quase uma força da natureza. Toda vez que ela sai de casa, ela é seguida por uma caravana de paparazzi, que registram suas orgias de compras e pequenas escaramuças com a polícia de trânsito.

Foi um encontro de paparazzi com Paris Hilton que gerou o ponto profissional mais baixo da carreira de Mintz, um bate-boca notório do lado de fora do Hyde com Brandon Davis, o neto do falecido bilionário Marvin Davis. Brandon, que conhece Paris desde que eram pequenos, foi pego em vídeo dizendo obscenidades sobre a atriz Lindsay Lohan, que é retratada nos tablóides como rival de Paris Hilton. Paris, que estava com ele, pôde ser vista na fita, que foi distribuída pela Internet, rindo e quase o instigando.

Posteriormente eles deixaram o clube, acompanhados por Mintz. No vídeo Mintz tenta nervosamente afastar Paris de seu amigo, sem sorte. A certa altura, Davis agarra Mintz desajeitadamente pela gravata.

O episódio foi "o momento mais difícil da minha vida profissional na mídia", disse Mintz. "Eu nunca desejo passar por isso de novo. Não houve vencedores."

Em entrevistas por telefone, no Polo Lounge e em sua casa em Mulholland
Drive, Mintz repetiu seu desejo de abandonar este trabalho. "Eu não tiro nenhum prazer disto", ele disse no Polo Lounge, onde o recepcionista e garçons se dirigem a ele pelo primeiro nome. "A única forma de suportar esta a é por meio de meditação e chardonnay."

Mas não há sinais significativos de aposentadoria. Enquanto ele fala de
viver em um rancho, ele não possui nenhum cavalo ou um lugar para montar um estábulo. Pessoas que o conhecem dizem que já ouvem esta conversa de aposentadoria há anos. "Eu não acredito que ele vá deixar a posição em que está", disse Yoko Ono por e-mail. "Desde o falecimento de John em 1980, ele vem dizendo que deseja se aposentar e ver a vida passar em uma fazenda. No seu coração, ele é um caubói de Los Angeles."

Mintz disse que seu plano é cumprir suas obrigações atuais, mas não pegar novos clientes. "Eu quase tenho um apelo, um desejo: por favor, não me procure", ele disse sobre novos negócios. "Tudo o que isto fará é me aprisionar mais. Em julho de 2007, se não estiver fora disto, me procure novamente para conversarmos sobre o que deu errado."

Mas isto ainda demorará quase um ano. Por ora, Mintz estava de saída para o teto de cobre e mesas de madeira, onde ficaria até segunda
ordem. George El Khouri Andolfato

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