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28/08/2006

Dodge Ram: o orgulho de ser caro e potente

The New York Times
Ezra Dyer
Geradores de energia aproveitam o fluxo da água que sobe e desce em um
canal, movida pelo ritmo das marés. E o que isso tem a ver com a Dodge Ram SRT10 de cabine dupla? Bem, se esse princípio pudesse ser aplicado a um gerador híbrido movido pela movimentação do chassi desta caminhonete de 2.583 quilos, uma estrada bem esburacada provavelmente geraria eletricidade suficiente para alimentar um pátio de estacionamento repleto de automóveis Toyota Prius.

Porém, a energia cinética vertical da Ram é desperdiçada, e, ao contrário do econômico Prius, eu só consegui fazer 4,9 km/l com o motor V-10 de 8,3 litros da picape. Mas a Ram não se importa com economia, nem com refinamentoe tampouco com o fato de assustar as crianças. Esta caminhonete só poderia ser mais politicamente incorreta caso fosse movida a óleo de baleia e lágrimas de panda.

Dodge via The New York Times 
Motor V-10 de 8,3 litros e 510 cavalos e 2.583 quilos de peso - uma caminhonete grande

E é por isso que eu gosto dela. A SRT10 não é uma caminhonete de dimensões intermediárias - ela está alegremente no topo da escala, em todos os sentidos. O seu motor de 510 cavalos, tomado emprestado do Dodge Viper, é simplesmente brutal, fazendo com que a caminhonete balance sobre a sua suspensão mesmo quando está em ponto-morto.

Ao ser acelerada com força, o seu câmbio automático muda de marchas de forma tão violenta que o motorista sente vontade de olhar pelo espelho retrovisor para verificar se alguma engrenagem não se desprendeu e ficou para trás. As duas descargas emitem um rugido gutural de forma bem constante, mas é possível abafar esse barulho com o equipamento de som Infinity de 508 watts.

O veículo tem uma saia dianteira profunda, uma tomada de ar com o emblema "Viper Powered" e um spoiler instalado na traseira.

Esse spoiler ganhou o meu voto como a nova referência para completar a frase "Tão norte-americano quanto...".

Nós somos um povo que cria dispositivos aerodinâmicos que produzem uma força descendente em picapes, porque as nossas picapes correm tanto que, caso não contassem com esses dispositivos, sairiam voando como o carro mágico do filme "Harry Potter e a Câmara Secreta".

Está ouvindo, Al Qaeda? Você faria melhor em desistir logo dessa briga.

Sob um ponto de vista pragmático, esta é uma proposição difícil. Por um
lado, a picape tem quatro portas práticas, e ela é capaz de rebocar até
3.700 quilos. Maravilhosamente desprovida de um limitador de velocidade, a versão de duas portas chega a 240 km/h, e a de quatro provavelmente também se aproxima dessa velocidade indecente para uma caminhonete. Portanto, o veículo é potencialmente útil para quem deseja rebocar barcos em uma autobahn.

Por um lado, a minha picape de testes custa a bagatela de US$ 57.460,
incluindo um sistema de navegação de US$ 1.595 e um sistema de
entretenimento com DVD para os passageiros da parte traseira, de US$ 1.200, entre outras mordomias. Por essa quantia dá para comprar uma Ram 1500 de cabine normal ou um Mercedes-Benz sedã C230.

Ou - segundo constatei - é possível ainda adquirir oito hectares de terra em Montalba, no Texas. Mas tenho a impressão de que uma pessoa que estiver interessada em comprar uma picape de US$ 57 mil pode já ser dona de todo omunicípio de Montalba.

A direção da SRT10 se inclina para o aspecto do conforto, provavelmente
porque um objeto tão imenso jamais poderia apostar corrida com uma Lotus, não importa o quanto a sua suspensão seja dura. E como todo carro potente clássico, esta Ram fica confusa nas esquinas.

Eu aposto que se a picape contasse apenas com rodas gigantescas (digamos, de 50 cm), isso faria com que os pneus tivessem melhor contato com o solo. Mas,do jeito que ela está disponível, as molas e amortecedores lutam paracontrolar o peso das enormes rodas de 56 cm em cada curva.

Tentar fazer com que uma suspensão funcione bem com rodas de 56 cm é algo como criar um ioiô com uma bola de boliche e um pedaço de barbante. No entanto, o conjunto tem um bom aspecto.

O interior é típico da linha Dodge Ram, com a exceção dos assentos altamente reforçados com detalhes em couro, um botão de ignição vermelho a la Viper e um medidor da temperatura do óleo que sobe como uma espécie de caroço próximo ao canto esquerdo do pára-brisa.

O sistema de navegação funcionou bem, mas ao contrário de todos os outros sistemas que vi - incluindo este mesmo sistema em outros Dodges -, o seu visor não se apaga automaticamente quando os faróis são acesos. Eu não percebi imediatamente esse detalhe na cidade altamente iluminada, mas quando rodei pelo campo me ocorreu que o visor, reluzente como uma Times Square, me causava intenso ofuscamento noturno, algo que não é muito bom quando se está dirigindo a 100 km/h em uma caminhonete do tamanho de Djibuti.

Eu sei que economia de combustível não é uma prioridade nesta picape. Sei também que a sua caminhonete 4x4 de dimensões menores jamais fará 8,5 km/l. Mas o consumo da SRT10 faz lembrar o desperdício de um poço de petróleo em chamas.

E eu só consegui não gastar ainda mais combustível porque rodei em uma
auto-estrada. Na cidade, esta picape chega a fazer 2,9 km/l. Com mais de um quarto de combustível restando, parei em um posto e completei o tanque com US$ 74,28 de gasolina. Se eu tivesse chegado perto de esvaziar o tanque de 128,5 litros, a enorme picape vermelha teria feito com que eu pela primeira vez na vida gastasse US$ 100 para completá-lo.

Uma vantagem desta Ram esmagadora de estradas e com a aerodinâmica de um
tijolo é o fato de essas serem duas características de uma caminhonete, além de as picapes não estarem sujeitas a impostos federais aplicados no caso de automóveis que consomem muito combustível. Assim, enquanto o Viper, com o seu consumo violento, é alvo de pesados impostos, a Ram SRT10, com o mesmo motor, mas um consumo de combustível bem maior, não é penalizado dessa forma. Mas ninguém nunca afirmou que a vida é fácil para os donos de um Viper.

O Ram SRT10 de cabine dupla pode não fazer sentido sob o ponto de vista
fiscal ou ecológico, mas eu aprecio o atrevimento que ela representa.
Ninguém mais estava fabricando uma picape de quatro portas com 510 cavalos, portanto o pessoal da Dodge resolveu preencher este espaço vazio.

E parece que a missão foi cumprida: após uma jornada de três anos, 2006 é o último ano para esta picape movida com um motor Viper. A SRT10 de cabine dupla é a caminhonete para acabar com todas as caminhonetes, incluin1do ela mesmo. Danilo Fonseca

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