UOL Notícias Internacional
 

30/08/2006

EUA buscam um papel maior para a China no FMI

The New York Times
Steven R. Weisman

em Washington
Em um esforço para obter a cooperação da China em questões econômicas internacionais, o governo Bush está pressionando para que a China e outros países em desenvolvimento tenham mais poder na instituição global que tem exercido um papel central no alívio de uma série de crises financeiras desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Mas o esforço liderado pelos Estados Unidos para aumentar a influência da China no Fundo Monetário Internacional (FMI) -assim como da Coréia do Sul, Turquia e México- enfrenta a resistência de vários países na Europa, que perderiam poder para aqueles que o ganhariam.

Funcionários do governo argumentam que o FMI precisa ser reestruturado para refletir a força dos países que crescem rapidamente na Ásia, América Latina e partes da Europa, para que estes países tenham uma maior participação em um sistema internacional que já tem 60 anos e supervisiona os problemas potenciais nos imensos fluxos globais de capital e moeda.

"O FMI está dormindo na direção em uma era em que os fluxos de capital privado estão crescendo em um ritmo sem precedentes", disse Timothy D.
Adams, subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais. "O fundo precisa voltar ao básico para lidar com os problemas do século 21."

Adams disse que a China, assim como muitos outros países que estão se desenvolvendo rapidamente, está "terrivelmente sub-representada" no FMI, com uma participação menor nos direitos de voto do que países com economias menores e que estão crescendo mais lentamente. Os Estados Unidos querem que o crescimento econômico e o tamanho da economia determinem a escala da voz de um país no fundo.

As propostas serão tratadas em uma reunião do FMI e do Banco Mundial no final de setembro, em Cingapura, da qual participará o secretário do Tesouro americano, Henry M. Paulson Jr.

Ao mesmo tempo, o governo está pedindo que a China assuma um maior papel na promoção de um sistema de comércio global aberto, ajudando a retomar as abortadas negociações de comércio patrocinadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

O FMI, juntamente com o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, o precursor da OMC, surgiram de reuniões realizadas perto do fim da Segunda Guerra Mundial em Bretton Woods, New Hampshire. Eles foram estabelecidos como parte do sistema financeiro pós-guerra que visava evitar a repetição das crises econômicas do final dos anos 20 e anos 30 que ajudaram a levar à guerra.

A China tem merecido atenção especial dos Estados Unidos devido ao relacionamento difícil do governo Bush com o governo de Pequim e seu desejo para que a China se torne uma "depositária" no sistema internacional, como colocaram funcionários americanos.

Os Estados Unidos argumentam que a China está usando suas vastas reservas de moeda estrangeira, obtidas com os superávits comerciais com os Estados Unidos, para intervir nos mercados e manter sua moeda artificialmente desvalorizada para aumentar suas exportações, contribuindo para a perda de vagas de trabalho no setor manufatureiro americano.

Os críticos do governo Bush no Congresso estão pedindo por uma rejeição da exigência pela China de mais poder no FMI até que Pequim valorize sua moeda em relação ao dólar.

Mas Adams e outros funcionários americanos dizem que em vez de limitar a influência da China no FMI, eles querem aumentar seu papel lá e tornar a instituição de empréstimo uma monitora mais agressiva da manipulação da moeda pelos países membros.

"Eu argumentaria que ao reestruturar o FMI e dar uma voz maior para a China", disse Adams, "a China terá um maior senso de responsabilidade pela missão da instituição".

A proposta inicial aumenta o peso dos votos da China, Coréia do Sul, Turquia e México, assim como as cotas -que dão aos membros o direito de obter empréstimos em emergências- é vista por Washington como um "pagamento de entrada" para futuras mudanças que aumentariam o poder de muitos outros países, incluindo os países produtores de petróleo.

Mas objeções à proposta americana vieram da Bélgica, Holanda e dos países escandinavos, que perderiam votos proporcionais para Espanha, Irlanda e outros países que estão crescendo rapidamente na Europa. O Reino Unido está ao lado destes países menores na resistência às propostas americanas, disseram os funcionários.

Os europeus também temem que o peso geral da Europa no fundo, cujo diretor tradicionalmente é um europeu, poderia diminuir. Eles querem peso de votos que reconheça a importância de outros fatores, como abertura das economias e o volume de comércio entre os países europeus.

Além disso, alguns países pobres na África e em outras partes do mundo temem que um FMI reorganizado reduziria ainda mais seu poder já limitado. Assim, o governo deseja assegurar que quaisquer mudanças não diminuam os direitos de votação destes países.

A abordagem americana para o FMI é vista de forma um tanto semelhante com o tipo de mudanças desejadas para o Conselho de Segurança da ONU, onde o poder de veto é mantido pelo clube de vitoriosos na Segunda Guerra Mundial, que são os membros permanentes do Conselho: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Washington deseja expandir o número de membros permanentes para incluir o Japão e pelo menos um grande país em desenvolvimento.

Os votos no FMI são determinados em parte por um sistema de cotas que calcula quanto um país deve contribuir para o fundo e quanto pode retirar em empréstimos em emergências. Os Estados Unidos detêm 30% da economia mundial mas apenas 17% do sistema de cotas.

Segundo a proposta americana, a China e outros receberiam um pequeno aumento nos votos na fase de pagamento de entrada e uma participação maior posteriormente. Mas nem o aumento inicial e nem os futuros aumentos na participação destes países reduziriam a participação americana em mais do que uma fração de ponto percentual abaixo de 17%.

Tal distinção é importante, porque 85% dos votos são necessários para muitos assuntos do FMI, incluindo emendas aos estatutos e mudança nas cotas. O percentual combinado de votos da Europa é atualmente de cerca de 23%, aproximadamente igual à sua participação na economia mundial.

Se mais poder for dado aos grandes países em desenvolvimento, a Europa perderia votos no FMI em uma quantidade não especificada.

O Reino Unido está apoiando a preocupação dos países europeus menores porque seu ministro das Finanças, Gordon Brown, é presidente de um comitê de ministros da economia e finanças europeus e está tentando manter a coalizão de países europeus unida como bloco de votação, disseram funcionários americanos e europeus.

"A posição americana é uma proposta honesta e decente e todos na comunidade européia estão preparados para avançar no assunto", disse um diplomata europeu. "Mas nós precisamos de mais carne nos ossos no momento."

O diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, pede por um aumento imediato no poder de alguns países, a ser aprovado na reunião de Cingapura como parte do programa de reestruturação de dois anos. No início deste mês, ele disse: "É hora de reconhecer o aumento do peso econômico" da China e outros países.

O fundo tem US$ 28 bilhões em empréstimos para 74 de seus 184 países,
concedidos ao longo dos anos para evitar calotes, falências e outras crises. Nos anos 90, o fundo esteve envolvido no auxílio ao México. Dois anos depois, ele ajudou a resgatar a Tailândia, Coréia do Sul e vários outros países asiáticos da insolvência.

Mas de lá para cá, o fundo não tem enfrentado nenhuma grande crise e muitos recebedores de ajuda nos anos 90 contam com grandes reservas que poderiam ser usadas para ajudar outros países no futuro. A abordagem americana é alistar estes países para manutenção de um sistema internacional do que permitir que atuem por conta própria.

Mas como o FMI não está enfrentando nenhuma crise recentemente, alguns
economistas brincam que com pouca coisa a fazer, os membros do conselho
dispõem do luxo de brigarem entre si por poder em uma organização com uma missão mal definida.

Adams disse que o atual período benigno levou a complacência, mesmo enquanto aumentam os fluxos globais de capital e o risco de futuros problemas. "Conceitualmente, nós estamos de acordo", ele disse sobre as negociações sobre o governo do FMI. "Mas assim que você começa a negociar os detalhes específicos, então demora um pouco." George El Khouri Andolfato

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