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02/09/2006

Candidato favorito a premiê do Japão é favorável a mudanças na constituição pacifista

The New York Times
Nirimitsu Onishi,
em Tóquio
Shinzo Abe, o político nacionalista que se acredita que será o próximo primeiro-ministro japonês, disse na sexta-feira (1º/09) que o Japão deveria modificar a constituição pacifista que os Estados Unidos impuseram ao país.

Ele manifestou essa opinião ao declarar formalmente a sua candidatura à presidência do governista Partido Democrático Liberal, um cargo que faria dele o primeiro-ministro do Japão. Abe, o secretário de gabinete, disse ainda que o Japão deveria buscar um papel mais importante no mundo, além de fortalecer a sua aliança com os Estados Unidos.

"Como próximo presidente do Partido Democrático Liberal, gostaria de liderar a iniciativa para inserir a revisão da constituição na agenda política", disse Abe em uma convenção partidária em Hiroshima. "Eu gostaria de redigir uma nova constituição com as minhas próprias mãos."

A atual constituição, que renuncia à guerra, e que foi redigida pelos norte-americanos durante a ocupação do país após a Segunda Guerra Mundial, não permite que o Japão possua forças armadas de verdade.

É quase certo que Abe venha a ser o sucessor do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que, segundo as regras do partido, deixará o cargo no final deste mês. Os liberal-democratas controlam a casa baixa do parlamento, que é a responsável pela escolha do primeiro-ministro.

Dois outros políticos anunciaram as suas candidaturas para a eleição partidária de 20 de setembro: Taro Aso, o belicoso ministro das Relações Exteriores, e Sadakazu Tanigaki, o ministro das Finanças, que enfatizou a necessidade de melhorar as abaladas relações com a China e a Coréia do Sul.

Mas as pesquisas indicam que nenhum dos dois tem chances de representar um desafio sério a Abe, que continua sendo o candidato mais popular entre o eleitorado e -- o que é o mais importante -- entre os parlamentares e membros do partido que votarão.

O Japão vem se ajustando nas últimas semanas à aparentemente inevitável vitória de Abe, especialmente ao se considerar que o seu adversário mais forte, Yasuo Fukuda, um parlamentar veterano, decidiu no início deste verão que não disputará a eleição.

Koizumi apóia há muito tempo a candidatura de Abe, a quem ele nomeou secretário de gabinete, o segundo cargo mais visível do governo depois do de primeiro-ministro. Recentemente, à medida que o interesse de Koizumi pelo governo pareceu diminuir durante estas suas últimas semanas no cargo, Abe deu a impressão de ter se apossado do poder.

A sua imagem de aparente herdeiro de Koizumi ficou ainda mais consolidada depois que a Coréia do Norte testou mísseis de longo alcance no início de julho. A aparente ameaça representada pela Coréia do Norte beneficiou Abe, que é tido como indivíduo de linha dura, e ele não perdeu tempo em sugerir que o Japão, uma nação pacifista, discutisse a possibilidade de construir um poderio militar para a realização de um ataque preventivo.

Aos 51 anos, Abe se tornaria o mais jovem primeiro-ministro do Japão pós-guerra, e o primeiro nascido após a Segunda Guerra Mundial. Ele é considerado politicamente inexperiente quando comparado as seus dois rivais, não tendo ocupado nenhum cargo no gabinete antes do atual.

Até poucos anos atrás, Abe era conhecido entre os eleitores principalmente pelo fato de ser o filho de Shintaro Abe, um liberal-democrata que quase se tornou primeiro-ministro, além de ser neto de Nobusuke Kishi, membro do gabinete durante a guerra, e que foi preso como suspeito de praticar crimes de guerra graves, mas que nunca foi julgado, tendo se tornado primeiro-ministro em 1957.

Mas Abe conquistou a fama política ao adotar uma posição dura com relação à Coréia do Norte, que admitiu em 2002 ter seqüestrado vários cidadãos japoneses nas décadas de 1970 e de 1980. Ao articular a fúria popular - ou alimentá-la, segundo os críticos - contra a Coréia do Norte, Abe criou uma imagem de líder forte, o que ajudou a aumentar a sua popularidade.

Os especialistas acreditam que Abe dará continuidade às políticas domésticas e externas de Koizumi. Assim como Koizumi, Abe adotou uma posição dura com relação à China e à Coréia do Sul, que se recusaram a manter reuniões de cúpula com o Japão devido às visitas anuais de Koizumi ao Templo Yasukuni, o memorial no qual japoneses que morreram em combate são homenageados juntamente com grandes criminosos de guerra.

Abe, que apoiou fortemente essas visitas, é tido no Japão como indivíduo ainda mais linha dura do que Koizumi. Ao contrário de Koizumi, que aceitou a validade dos julgamentos de Tóquio, nos quais os líderes do Japão à época da guerra foram julgados, Abe não reconhece esses julgamentos como legítimos.

Koizumi liderou os esforços no sentido de modificar a Lei da Casa Imperial, a fim de permitir que as mulheres ascendam ao trono imperial. Abe é conhecido por ter se oposto à proposta.

No decorrer dos anos, Abe apoiou as tentativas dos intelectuais nacionalistas de modificar os livros escolares que, segundo eles, dão uma ênfase exagerada às ações nefastas praticadas pelo Japão durante a guerra.

Com relação à política externa, Abe defende o fortalecimento dos vínculos com a Austrália, a Índia e outros países que segundo ele compartilham com o Japão os valores democráticos e o respeito aos direitos humanos -- comentários que foram interpretados como um distanciamento entre o Japão e a China.

Assim com Koizumi, Abe afirma que o fortalecimento da aliança do Japão com os Estados Unidos garantirá, mais do que qualquer coisa, a prosperidade japonesa. "A aliança Japão-Estados Unidos é o fator mais importante para a diplomacia e a segurança nacional do nosso país", declarou ele na última sexta-feira. Danilo Fonseca

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