UOL Notícias Internacional
 

02/09/2006

Violência contra civis no Iraque aumenta, diz estudo

The New York Times
Michael R. Gordon

Em Washington
O número de vítimas iraquianas aumentou em mais de 50% nos últimos meses, produto do aumento dos confrontos sectários e da insurreição sunita que permanece "potente e viável", disse o Pentágono em seu mais recente levantamento da segurança no Iraque.

AFP - 31.ago.2006 
Carro atingido por bala em Bagdá
Durante o período entre o estabelecimento do novo governo iraquiano, em 20 de maio, e 11 de agosto, o número médio de ataques saltou para quase 800 por semana. Isto representou um aumento substancial em comparação ao início deste ano e quase o dobro do número da primeira parte de 2004.

Em conseqüência, o número de vítimas iraquianas aumentou em 51% em comparação ao último período levantado. O documento nota que, com base nos relatos iniciais, o número de vítimas iraquianas entre civis e forças de segurança chegou a cerca de 120 por dia, um aumento em relação aos 80 por dia em média no período anterior, de meados de fevereiro a meados de maio. Há cerca de dois anos o número era de cerca de 30 por dia.

"Apesar do número geral de ataques ter aumento em todas as categorias, a proporção de ataques voltados contra civis aumentou substancialmente", notou o Pentágono. "Esquadrões da morte e terroristas estão envolvidos mutuamente no reforço de ciclos de conflito sectário, com extremistas sunitas e xiitas se retratando como defensores de seus respectivos grupos sectários."

O relatório do Pentágono, intitulado "Avaliando a Segurança e a Estabilidade no Iraque", é exigido pelo Congresso e divulgado trimestralmente. Ele cobre vários assuntos, incluindo economia, sentimento da população e segurança.

Desta vez o estudo é foco de interesse especial, devido ao crescente temor de que o Iraque esteja mergulhando em uma guerra civil e, por estar sendo divulgado no momento em que o presidente Bush e membros de seu Gabinete estão tentando defender o apoio à guerra, por causa das críticas veementes dos democratas.

O relatório não leva em consideração os mais recentes esforços para promover a ordem em Bagdá, operações que envolveram 12 mil soldados adicionais, incluindo cerca de 7 mil soldados americanos

O coronel Thomas Vail, o comandante de uma brigada da 101ª Divisão Aerotransportada, disse aos repórteres na sexta-feira que seus soldados obtiveram progresso nos últimos dias na contenção da violência na capital. Os últimos dias têm sido particularmente sangrentos, com cerca de 250 iraquianos mortos e muitos feridos desde domingo.

O Pentágono reconheceu que os dados sombrios sobre ataques, mortos e execuções são perturbadores. "É um relatório grave deste vez", disse Peter Rodman, um alto funcionário do Pentágono, que se encontrou com os repórteres para discutir o relatório. "O último trimestre foi duro. A violência sectária tem sido particularmente intensa e perturbadora."

Legisladores democratas retrataram o relatório como evidência de que a estratégia do governo Bush no Iraque está falhando. "Eles não forneceram recursos reais, em termos tanto de consultores civis e militares, nem dólares reais para reconstrução e ajuda para o Iraque sair deste período de instabilidade", disse o senador Jack Reed, de Rhode Island.

O relatório narra os riscos em uma série de frentes. Apesar da insurreição sunita estar recebendo menos atenção da mídia desde o aumento da violência sectária, o relatório alerta que ela está forte e resistente. O número de ataques na província de Anbar, uma vasta região dominada pelos sunitas no oeste do Iraque, é em média de mais de 30 por dia.

Em relação às operações da Al Qaeda no Iraque, o relatório afirma que a "natureza celular" da rede permite que ela continue realizando ataques apesar da morte de seu líder, Abu Musab al Zarqawi.

Mas a violência sectária despontou como a maior preocupação. Nos últimos meses, notou o Pentágono, "o conflito central no Iraque mudou para uma luta entre extremistas sunitas e xiitas em busca do controle de áreas chaves em Bagdá, da criação ou proteção de enclaves sectários, do desvio de recursos econômicos e imposição de suas respectivas agendas políticas e religiosas".

Repetindo recentes declarações de altos comandantes militares americanos, o relatório diz que "as condições que podem levar a uma guerra civil existem no Iraque, especialmente em Bagdá e seus arredores, e a preocupação com guerra civil entre a população iraquiana aumentou nos últimos meses".

Apesar da violência em Bagdá ser a principal preocupação, ela não é a única. O relatório nota que a violência sectária está expandindo gradualmente para o norte até Kirkuk e a província de Diyala. Além disso, a confiança dos iraquianos no futuro diminuiu, segundo pesquisas de opinião citadas no relatório do Pentágono.

Ainda assim, o estudo afirma que a luta no Iraque não atende "aos padrões legais internacionais rigorosos de guerra civil", sem maiores explicações. Mesmo assim, a luta sectária está mais sangrenta do que nunca.

Ao discutir os índices diários de vítimas, o relatório não distingue entre o número de mortos e feridos. Mas ele notou que mortes ao estilo execução, em particular, atingiram um novo recorde em julho.

"O necrotério de Bagdá informou a chegada de 1.600 corpos em junho e mais de 1.800 corpos em julho, 90% deles avaliados como resultado de execuções", declara o relatório.

Em uma seção dedicada às forças de segurança iraquianas, o relatório afirma que progresso foi obtido no envio a campo de unidades da polícia e do exército iraquiano para assumir a responsabilidade principal pela segurança do Iraque. Ela declara que cinco divisões do exército iraquiano, 25 brigadas e 85 batalhões têm o comando da segurança em suas áreas.

Ela nota que uma carência de oficiais subalternos e absentismo são obstáculos para a disposição de uma força iraquiana eficaz. Apesar do relatório de 63 páginas não discutir as operações militares em Bagdá em detalhes, ficou claro nos últimos meses que o Iraque não pode ser efetivamente pacificado sem o envolvimento ativo dos americanos. Quando os americanos reduziram suas patrulhas na capital iraquiana, a violência aumentou e os comandantes americanos decidiram enviar tropas adicionais para a capital e para outras partes do país.

O relatório nota que o Ministério do Interior do Iraque não possui um sistema para determinar quantos dos soldados treinados pelos consultores policiais da coalizão ainda estão em atividade. Os consultores da coalizão estimam que a taxa de desistência é de cerca de 20% ao ano.

Citando dados de pesquisa do Instituto Republicano Internacional, o relatório declara que quase 80% dos iraquianos pensavam em abril de 2006 que a situação geral estaria melhor em um ano. Em junho, o número caiu para menos de 50%. "Em geral, os iraquianos tinham uma perspectiva otimista", declarou o relatório. "Mas com o passar do tempo, tal otimismo ruiu." George El Khouri Andolfato

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