UOL Notícias Internacional
 

05/09/2006

Parlamentares republicanos abandonam reformas de lei de imigração

The New York Times
Carl Hulse e Rachel L. Swarns

Em Washington
Enquanto se preparam para um esforço pré-eleitoral critico, os líderes republicanos no Congresso praticamente abandonaram um amplo trabalho para reformas da lei de imigração, e em vez disso se concentrarão nas questões de segurança nacional, que acreditam que lhes conferem mais força política.

Com o Congresso voltando a funcionar nesta terça-feira (05/09) após um recesso em agosto, os republicanos na Câmara e no Senado dizem que vão se concentrar em projetos de lei relativos aos gastos com o Pentágono e a segurança nacional, à segurança portuária e a medidas que autorizariam o programa federal de vigilância contra o terrorismo e o julgamento de suspeitos de serem terroristas.

"Nós, republicanos, acreditamos que não temos escolha na guerra contra o terrorismo, e que a única forma de travarmos tal guerra é continuando a enfrentar os terroristas de frente, estejam eles no Iraque ou em qualquer outro lugar", disse o deputado John A. Boehner, de Ohio, o líder da maioria na Câmara.

Uma decisão final sobre o que fazer a respeito das políticas de imigração depende de uma reunião nesta semana de republicanos proeminentes. Mas os principais parlamentares e assessores que elaboram a agenda congressual dizem que atualmente acreditam que seria politicamente arriscado tentar implementar uma lei de imigração que exporia divisões partidárias, e que precisaria ser concluída nos 19 dias dos quais o Congresso dispõe para se reunir antes de paralisar as suas atividades para a eleição.

O presidente Bush fez das mudanças amplas na lei de imigração uma prioridade, chegando até mesmo a fazer do assunto o tema de um pronunciamento na televisão, mas os deputados republicanos estão determinados a não colaborarem para a aprovação de qualquer projeto de lei capaz de assumir o caráter de uma anistia para qualquer indivíduo que tenha ingressado no país ilegalmente. Nas últimas semanas eles deram declarações por todo o país, a fim de contrastarem a sua proposta, baseada apenas na repressão, com a medida aprovada pelo Senado, que poderia implicar na concessão da cidadania para alguns ilegais.

"Não vejo como poderíamos contornar esta diferença entre nós e o Senado", afirma o deputado Peter T. King, republicano pelo Estado de Nova York, e presidente do Comitê de Segurança Interna. "Sou realmente incapaz de imaginar tal fato ocorrendo".

Os democratas dizem que não estão surpresos com o impasse quanto à questão da imigração, e que acreditam que alguns republicanos prefeririam manter a questão viva a fim de estimular os eleitores conservadores, em vez de chegar a um consenso legislativo. Eles pretendem enfatizar o colapso do projeto de lei de imigração desejado por Bush, e a probabilidade de que o Congresso não consiga votar projetos de lei relativos aos gastos do governo até o prazo de 1º de outubro, para evidenciar que os republicanos perderam contato com as preocupações do cidadão norte-americano comum. Os democratas também estão intensificando os pedidos de demissão do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld.

"Todos os dias, pessoas de todo o país reconhecem que este é um governo fracassado", afirma o senador Harry Reid, de Nevada, o líder democrata. "Se os republicanos quiserem dedicar o mês inteiro a coisas irrelevantes para os Estados Unidos, ficaremos satisfeitos em fazer tal coisa".

Com os democratas se preparando para conquistar cadeiras na Câmara e no Senado, e os republicanos determinados a manter as suas maiorias durante os dois anos finais do governo Bush, as próximas semanas prometem ser de muitos combates entre os parlamentares, especialmente depois que as primárias de agosto deixaram claro que os eleitores não estão dispostos a perdoar ninguém.

Em um esboço de um memorando a ser distribuído aos senadores republicanos, o senador Bill Frist, do Tennessee, que está nas suas últimas semanas como líder da maioria, afirmou: "Acredito que as obstruções articuladas pela minoria baterão um recorde". Os republicanos já estão se preparando para uma sessão pós-eleitoral que terá início em novembro, e que durará até pelo menos o Dia de Ação de Graças.

Frist elaborou uma agenda ambiciosa, incluindo uma votação sobre a renomeação de John Bolton como embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU). Mas o seu documento sequer menciona a questão da imigração. Em uma declaração em Iowa, na semana passada, Frist afirmou que uma ampla proposta de legislação sobre o que fazer a respeito dos milhões de imigrantes ilegais que já se encontram nos Estados Unidos poderá ter que aguardar pelo próximo Congresso.

Membros dos comitês do Judiciário do Senado e da Câmara se reuniram na semana passada para tentar encontrar alguma base para um acordo quanto ao destino da população ilegal, mas um dos participantes disse que não houve progressos.

O deputado Mike Pence, líder da cúpula conservadora na Câmara e autor de uma proposta de compromisso quanto à questão da imigração que gerou algum interesse da Casa Branca, disse que também duvida que o projeto de lei chegue à mesa de trabalho de Bush antes das eleições.

"Tudo é possível, mas acho improvável que isso aconteça", disse Pence, republicano de Indiana.

Legisladores de ambos os partidos que ajudaram a moldar a medida proposta pelo Senado insistem que ainda existe a possibilidade de se chegar a um consenso, até mesmo quanto às questões mais difíceis relativas à imigração, e grupos de defesa dos direitos dos imigrantes estão planejando uma série de manifestações nesta semana, a fim de estimular os parlamentares a agir. Alguns republicanos advertiram que o seu partido poderá sair perdendo caso o processo fique aquém das expectativas da população.

"Se não for aprovada legislação alguma enquanto os republicanos estiverem no poder, seremos responsabilizados, e de forma justificada, por não termos criado uma lei", alerta o senador Arlen Specter, da Pensilvânia, diretor do Comitê do Judiciário.

Dois outros senadores que desempenharam um papel central na redação do projeto de lei do Senado, John McCain, republicano pelo Arizona, e Edward M. Kennedy, democrata por Massachusetts, pretendem solicitar a Bush que convoque urgentemente parlamentares a comparecerem à Casa Branca para costurarem um acordo.

"Podemos terminar o trabalho, mas isso exigirá a liderança presidencial", afirma Kennedy.

Com a medida relativa à questão da imigração aparentemente parada, os republicanos afirmam que direcionarão a maior parte de seu tempo e energia para medidas voltadas à questão da segurança, a fim de capitalizarem um argumento que os beneficiou bastante nas duas últimas eleições - que eles estão mais bem preparados que os democratas para conter o terrorismo.

"Eles agitarão a bandeira branca na guerra contra o terror", disse no último domingo, referindo-se aos democratas, no programa "Face the Nation", da rede de televisão CBS, o senador Mitch McConnel, de Kentucky, o segundo republicano mais importante no Senado.

Mas os democratas acreditam que os eleitores não serão facilmente persuadidos pela retórica republicana sobre segurança nacional, e que o povo enxerga cada vez mais a guerra no Iraque como um empecilho à guerra contra o terrorismo.

Em uma carta enviada a Bush na segunda-feira, os líderes democratas da Câmara e do Senado pediram ao presidente que começasse a retirar as tropas norte-americanas do Iraque ainda neste ano.

"Senhor presidente, a manutenção deste rumo no Iraque não funcionou, e é algo que continua a desviar recursos e a atenção da guerra contra o terrorismo, que deveria ser a principal prioridade de segurança do país", dizia a carta assinada por Reid e pela deputada Nancy Pelosi, da Califórnia, a líder democrata na Câmara, assim como por democratas proeminentes que atuam em comitês parlamentares relevantes.

Os democratas também pediram a Bush que despedisse Rumsfeld, e pretendem estimular votos de desconfiança nos próximos dias, algo que colocaria os republicanos sob os holofotes, devido a declarações de alguns parlamentares do partido que acham que Rumsfeld deveria deixar o cargo. Mas a liderança republicana continua apoiando o secretário.

"Duvido que haja qualquer outro norte-americano que tenha feito um trabalho melhor nos últimos cinco anos", disse Boehner, referindo-se ao secretário de Defesa.

Como não aprovarão a legislação relativa aos gastos do governo a tempo, os líderes republicanos terão que encontrar um paliativo para manter o governo funcionando durante a eleição. Mas os republicanos esperam aprovar algumas medidas que não digam respeito à área de segurança. A principal proposta a ser votada na Câmara nesta semana é a de uma legislação que proibiria a venda de cavalos para abatedouros que produzem carne para consumo humano. Danilo Fonseca

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