UOL Notícias Internacional
 

06/09/2006

Nas campanhas para o Congresso, republicanos exploram imigração

The New York Times
Carl Hulse

em Aurora, Colorado
Não foi por acaso que os republicanos trouxeram sua turnê de verão de audiências sobre imigração ilegal a esta crescente comunidade vizinha de Denver.

Aurora não está apenas arcando com os custos do provimento de ensino e outros serviços para uma população significativa de imigrantes ilegais, mas também no coração de um distrito politicamente indefinido e conseqüentemente central na batalha intensa pelo controle da Câmara dos Deputados.

E apesar da improbabilidade do Congresso aprovar uma legislação para imigração antes de novembro, a inação não torna a questão menos potente na campanha. Na verdade, muitos republicanos, na defensiva aqui e em outras partes do país em relação à guerra no Iraque, dizem que estão descobrindo que uma posição linha-dura em relação à imigração repercute bem não apenas entre os conservadores, que perderam terreno em outras frentes neste ano, mas também junto a um grande número de eleitores em distritos onde o controle da Câmara poderá ser decidido.

"A imigração é uma questão que está realmente se sobressaindo", disse Dan Allen, um estrategista republicano. "É uma questão para a qual os independentes também estão dando bastante atenção. Ela nos faz falar sobre segurança e lei e ordem."

Importantes republicanos, dizendo que não querem se comprometer na questão da imigração, estão encorajando seus candidatos a manter a atenção no controle da fronteira, assim como na legislação aprovada na Câmara, em vez de aceitar o projeto mais amplo que abriria o caminho para muitos imigrantes ilegais obterem o status legal. Esta abordagem, aprovada no Senado com grande apoio democrata e apoiada pela Casa Branca, torna a imigração ilegal uma das questões nas quais os republicanos enfrentam a dura escolha entre apoiar o presidente Bush ou seguirem seu próprio caminho.

"O povo americano quer um bom projeto de reforma da imigração ilegal", disse John A. Boehner, deputado por Ohio e líder da maioria na Câmara, "não um projeto diluído, pró-anistia".

Aqui no 7º Distrito, o esforço republicano trouxe uma audiência do subcomitê do Senado para discutir os custos da imigração ilegal. A audiência ostensivamente não partidária, paga pelos contribuintes, assumiu um ar de teatro político.

"Eles estão aqui neste distrito, com este assunto, em uma tentativa de promover apoio em uma disputa eleitoral altamente apertada", espumava Lisa Duran, diretora de um grupo de direitos dos imigrantes.

Se esta era a tática, ela pode ter funcionado. A confrontação furiosa levou a sessão às manchetes, lembrando aos moradores que a questão continua sendo uma das principais na disputa entre Rick O'Donnell, o candidato republicano, e Ed Perlmutter, o democrata, pela cadeira que será deixada pelo deputado Bob Beauprez, um republicano que está concorrendo a governador.

O assunto permanece na mente dos eleitores "porque pessoas estão tentando mantê-lo nas mentes delas", disse Perlmutter, que acusou os republicanos de encenarem a audiência para ganho político.

Perlmutter, um ex-legislador estadual, está tentando navegar em águas políticas difíceis ao buscar segurança na fronteira mas deixando aberta a porta para que os imigrantes ilegais possam no final pedir cidadania. Seu adversário, um ex-autoridade estadual para o ensino superior, disse que tal posição não vingará nos subúrbios de Denver, caracterizados pelo desconforto de que o país não tem policiado adequadamente suas fronteiras.

"Eu sei que os eleitores em meu distrito são veemente contrários a qualquer coisa que lembre anistia", disse O'Donnell.

Os republicanos entraram neste ano determinados a impedir que as eleições de novembro se tornassem um referendo aos problemas nacionais e Bush, insistindo que concorreriam com base em preocupações locais. Mas neste distrito, assim como em muitos outros no país onde há disputa acirrada, a campanha está se voltando para questões nacionais abrangentes.

Na imigração, muitos republicanos como O'Donnell se distanciaram do governo Bush, enfatizando maior segurança na fronteira e ignorando ou rejeitando o apoio do presidente à legislação mais ampla.

De forma semelhante em relação ao Iraque, O'Donnell está tentando encontrar um meio termo que, apesar de basicamente apoiar Bush, permita ao candidato criticar a condução da guerra. Como o presidente, O'Donnell diz que as tropas americanas não devem ser retiradas até que o Iraque esteja estabilizado e que o estabelecimento de um prazo para retirada poderia levar ao desastre. Mas ele está tentando se distanciar da condução da guerra pelo governo, dizendo que "podemos precisar de uma nova liderança no Pentágono".

Perlmutter tentou colocar seu adversário republicano na defensiva em uma terceira questão, a pesquisa de célula-tronco embrionária. Ele a tornou tema de seu primeiro comercial de televisão, apontando para os benefícios potenciais para uma filha dele que tem epilepsia. "É pessoal para mim", ele disse.

Até recentemente, O'Donnell estava ao lado de Bush na oposição a um aumento do financiamento federal a tal pesquisa. Agora ele diz que o esforço deve seguir em frente, dado um avanço significativo, anunciado no mês passado, que pode permitir que células-tronco possam ser obtidas de embriões sem destruí-los. Ele rejeitou a acusação de Perlmutter de indecisão em relação ao assunto, com ambos dizendo que ele é popular entre os eleitores. "Não fui eu que mudei", ele disse, "e sim a pesquisa."

Mas aqui como em outros lugares, os democratas também estão tentando
calibrar suas posições em grandes questões, um reflexo de que os dois
partidos concordam em uma situação política indefinida. Mesmo enquanto
tentam explorar o sentimento antiguerra em sua base liberal, muitos
democratas em distritos indefinidos, como Perlmutter, estão articulando
posições em relação ao Iraque que esperam que possa isolá-los das acusações feitas pelos republicanos de que desejam fugir do Iraque. Assim, Perlmutter pinta seu oponente como um seguidor do que retrata como uma política de Bush: "manter o curso até encalharmos".

Mas ele não endossa uma saída rápida, pedindo em vez disso uma retirada
gradual das tropas, associada a um esforço multinacional de reconstrução, com as forças americanas completamente fora do país até meados de 2008.

"Àquela altura já estaríamos no Iraque há cinco anos", ele disse.

Certamente os assuntos que dominam as campanhas têm se mostrado
desafiadores. "A guerra e a questão da imigração são suficientemente
complicadas a ponto de ambos os partidos estarem tendo dificuldade para ter uma idéia clara da coisa toda", disse John Straayer, um professor de ciência política da Universidade Estadual do Colorado.

Há poucas semanas, políticos e analistas suspeitavam que a imigração tinha perdido seu impacto político no Colorado, após o Legislativo ter aprovado uma dura reforma da imigração que incluía regras mais rígidas de identificação para aqueles que buscam serviços do governo estadual.

Mas o assunto se recusa a morrer. O'Donnell disse que é o assunto que os moradores lhe perguntam com mais freqüência. Na audiência realizada aqui no outro dia, presidida pelo senador Wayne Allard, republicano do Colorado, mais de 200 pessoas compareceram apesar da promessa de ser uma visão tediosa dos efeitos fiscais da imigração ilegal.

Na rua do lado de fora, as emoções que cercam o debate estavam à mostra. Defensores de ambos os lados cantavam slogans, buscando gritar mais alto que o outro lado e exibindo cartazes como "Nenhum Ser Humano É Ilegal" e "Impeçam a Invasão".

O governador Bill Owens, um republicano eleito há oito anos, depôs sobre os custos da imigração ilegal ao Estado, dizendo que o afluxo não era uma questão importante quando assumiu o governo, mas que de lá para cá se tornou uma das principais preocupações do Colorado. "O Estado deu alguns passos importantes", disse Owens sobre a medida de imigração aprovada recentemente, "devido à fraqueza da lei federal. Mas ainda há muita coisa que precisa ser feita".

Em uma entrevista, O'Donnell acusou o líder de seu partido, Bush, de ser brando em relação à imigração ilegal. "Eu não sei por que o governo não aplica as leis", ele disse, acrescentando que seu objetivo é a segurança na fronteira.

Perlmutter disse que compartilha tal meta. Mas ele disse que o governo
também precisa lidar com milhões de moradores ilegais já presentes nos
Estados Unidos, permitindo que alguns "obtenham a cidadania caso estejam aprendendo inglês, pagando impostos, não tenham cometido crime e tenham um emprego", como pede o projeto do Senado. Ele culpa os republicanos por permitirem que o problema infeccionasse.

Buscando derrubar O'Donnell, a campanha de Perlmutter também ressuscitou um artigo de opinião que ele escreveu em 2004, sugerindo que os alunos do sexo masculino do último ano do colegial fossem obrigados a realizar seis meses de serviço comunitário, com a opção de auxiliarem na segurança na fronteira. Perlmutter comparou o plano a um serviço militar obrigatório; O'Donnell disse que apenas endossou um apelo por serviço comunitário apoiado por muitos líderes cívicos.

Enquanto ajustam suas mensagens, os dois homens concordam em pelo menos uma coisa: este distrito, geralmente dividido por margem estreita, será um referencial nestas eleições.

"As questões que acabarem definindo esta campanha", disse O'Donnell em um almoço no Rotary Club, na vizinha Commerce City, "darão o tom para este país". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h49

    0,50
    3,163
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h50

    0,56
    65.463,09
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host