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07/09/2006

Cinco anos depois de 11 de setembro, nova-iorquinos temem outro ataque

The New York Times
Robin Toner e Marjorie Connelly*
Cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro, dois terços dos nova-iorquinos dizem que ainda estão "muito preocupados" com a possibilidade de outro ataque à cidade. Este nível de apreensão é apenas levemente menor em relação ao outono de 2001, de acordo com a mais recente pesquisa de opinião do New York Times/CBS News do país e da cidade de Nova York.

Quase um terço dos nova-iorquinos dizem que pensam em 11 de setembro todos os dias. Quase um terço dizem que não voltaram às rotinas anteriores à data e que ainda estão lidando com as mudanças causadas pelos ataques. Em outubro de 2001, 74% dos entrevistados disseram que estavam "muito preocupados" com a possibilidade de outro ataque a sua cidade e desta vez 69% deram a mesma resposta.

Fora de Nova York, os americanos, de muitas formas, ajustaram-se à "nova normalidade" da era pós 11 de setembro, sugere a pesquisa. Em contraste com o outono nervoso de 2001, seus temores de outro ataque parecem menos intensos e pessoais: apenas 22% na pesquisa nacional disseram que ainda estavam "muito preocupados" com um ataque onde moram, uma queda em relação há cinco anos, quando 39% disseram o mesmo. Para 75%, a vida tinha voltado ao normal.

No entanto, em relação aos resultados nacionais, os nova-iorquinos se disseram mais inconfortáveis com a perspectiva de ataques terroristas e menos confiantes que o governo federal tinha feito tudo o "que se poderia esperar" para proteger o país de futuros ataques terroristas; 72% dos nova-iorquinos disseram que o governo poderia fazer mais, comparados com 58% na pesquisa nacional.

Quase 6 em cada 10 nova-iorquinos disseram que não estariam dispostos a trabalhar em andares altos em um novo prédio no local do desastre. Quatro em cada 10 ainda se sentiam nervosos e assustados por causa dos ataques.

"Não me sinto segura", disse Elizabeth Vinas, 43, recepcionista do Brooklyn, entrevistada pela pesquisa. "Não sei quando haverá outro ataque, só acho que vão tentar de novo."

Gwendolyn Branch, 50, de Manhattan, disse: "Apenas sinto que algo vai acontecer."

A pesquisa nacional revelou que a sensação pessoal de segurança dos americanos, em grande medida, estava relacionada a onde moravam. Quase um terço dos que moravam em grandes cidades disseram que estavam "pessoalmente muito preocupados" com um ataque as suas cidades; apenas 13% das pessoas em cidades pequenas ou zonas rurais sentiam o mesmo. Mais da metade dos suburbanos disseram que se sentiam seguros em relação ao terrorismo, comparados com menos da metade dos que moravam nas cidades.

Donna Howlett, gerente de salão aposentada em San Jose, Califórnia, disse: "Acho que, daqui em diante, estaremos vivendo sob o medo de sermos atacados. Eles estão planejando coisas o tempo todo."

A maioria dos habitantes do Centro-Oeste se sentiam seguros; moradores do Nordeste estavam divididos.

As descobertas apontam para um paradoxo político. Bush, que fez da campanha contra o terrorismo o centro de sua presidência, tem o menor índice de aprovação em áreas que mais temem outro ataque. A cidade de Nova York, que é de maioria democrata, deu a Bush um índice de aprovação de 25% em uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac.

As pesquisas do New York Times/CBS News foram conduzida por telefone em agosto e tiveram margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais. A pesquisa nacional foi conduzida entre 17 e 21 de agosto, com 1.206 adultos, e a pesquisa de Nova York foi conduzida entre os dias 23 e 27 de agosto, com 838 adultos.

Os entrevistadores encontraram os americanos quase resignados com a luta contra o terrorismo. A proporção dos que achavam que um ataque terrorista aos EUA nos próximos meses era "muito provável" ou "provável" caiu substancialmente nos últimos cinco anos, mas ainda é mais da metade na pesquisa nacional.

Quatro em cada 10 entrevistados acreditam que a ameaça de terrorismo contra os EUA aumentou desde 2001, e 81% disseram que os americanos iam ter que conviver com a ameaça para sempre.

Mas grande parte da "nova normalidade", expressão usada por um analista republicano, Bill McInturff, está associada ao ressurgimento de divisões políticas em questões de segurança. A extraordinária união nacional registrada no outono de 2001, quando o índice de aprovação de Bush chegou a 89% (79% na cidade de Nova York) e a confiança dos americanos no governo chegou às alturas, deu lugar a opiniões profundamente partidárias sobre a conduta de Bush na guerra ao terror e no Iraque. A pesquisa concluiu que republicanos e democratas discordam em uma série de questões de segurança nacional, desde a sabedoria da guerra no Iraque até se a nação tinha feito o suficiente para proteger seus aeroportos.

Em geral, 83% dos republicanos disseram que achavam que a campanha dos EUA contra o terrorismo estava indo "muito bem" ou "bem", comparados com 43% dos democratas e 55% dos independentes. Quando perguntados se o governo tinha feito "tudo o que se poderia esperar" para proteger a nação contra outro ataque, 56% dos republicanos disseram que sim; quase dois terços dos democratas e independentes disseram que não.

Divisões similares ficaram aparentes quando os americanos foram perguntados se acreditavam que os EUA estavam "adequadamente preparados para outro ataque terrorista". Há três anos, a maioria dos republicanos, independentes e democratas disseram que acreditavam que o governo estava pronto. Na pesquisa mais recente, apenas a maioria dos republicanos pensava assim; independentes estavam divididos.

A maioria dos entrevistados no país deu a Bush boas notas pela forma como lidou com a campanha contra o terrorismo -55% aprovaram, uma queda em relação aos 90% de aprovação que recebeu em dezembro de 2001. Mas em várias questões de segurança, ele perdeu o apoio da ampla maioria dos democratas e de muitos independentes.

Em geral, as pesquisas revelaram um aumento da desconfiança em relação ao governo em todos os níveis. Apenas 13% dos nova-iorquinos (17% na pesquisa nacional) disseram que achavam que os EUA estavam adequadamente preparados para lidar com um ataque químico ou biológico. No país, 39% disseram que achavam que seus Estados e municípios estavam adequadamente preparados para um ataque terrorista em geral, enquanto 52% disseram que não. Opiniões similares foram refletidas entre nova-iorquinos.

Em outro sinal de falta de confiança, seis em cada 10 nova-iorquinos disseram que não acreditam que o governo lhes dirá a verdade sobre os possíveis perigos de outro ataque terrorista, como água ou ar contaminado. Um grande estudo divulgado nesta semana pelo Centro Médico Monte Sinai, depois do término da pesquisa, revelou que o impacto na saúde de trabalhar no local dos atentados em Nova York foi mais amplo e persistente do que se pensava.

As mulheres, em geral, disseram mais freqüentemente que se sentiam nervosas com a ameaça de terrorismo e que não tinham confiança na capacidade do governo de lidar com outro ataque.

Em todo o país, 58% dos homens disseram que os EUA estavam preparados para outro ataque, mas apenas 42% das mulheres.

James Vollintine, bombeiro de 35 anos de Topeka, Kansas, argumentou que os preparativos do governo não podem envolver tudo. "Você tem um limite para a prevenção", disse Vollintine em entrevista. "Só é possível pensar em um número limitado de possibilidades."

Mas Sandy Jackson, 47, de Aberdeen, Maryland, disse: "Quando os aviões atingiram o Pentágono, eu pensei que era uma guerra e corri para pegar minhas filhas da escola. Ainda tenho medo, porque não podemos baixar a guarda. Acho que estão procurando nos fazer mal."

*Megan C. Thee e Marina Stefan contribuíram para este artigo Deborah Weinberg

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