UOL Notícias Internacional
 

07/09/2006

Israel suspenderá bloqueio aéreo e marítimo ao Líbano

The New York Times
Steven Erlanger*

em Jerusalém
Israel anunciou na quarta-feira que suspenderá seu bloqueio aéreo e marítimo ao Líbano ao anoitecer de quinta-feira, três semanas após a cessação das hostilidades, porque as forças internacionais estão prontas para se posicionar no país e impor um embargo de armas à milícia Hizbollah.

O primeiro-ministro Ehud Olmert disse que Israel entregará suas "posições de controle sobre os portos e aeroportos do Líbano" às 18 horas de quinta-feira à supervisão internacional.

Navios franceses, gregos, britânicos e italianos patrulharão a costa do Líbano até a chegada dos navios alemães em duas semanas. Monitores alemães também ajudarão a patrulhar o aeroporto do Líbano para impedir o suprimento de foguetes, lançadores e armas pesadas ao Hizbollah por seus principais patrocinadores, a Síria e o Irã.

Impedir que armas atravessem a fronteira terrestre com a Síria continua sendo a atenção principal. Um alto funcionário israelense que falou sob a condição de anonimato por não estar autorizado a falar sobre o assunto, disse que Israel entende que as forças internacionais se posicionarão ao lado do exército libanês para monitorar a fronteira.

Mas Miri Eisin, uma porta-voz de Olmert, disse que a fronteira terrestre "ainda é uma questão aberta -ela não está resolvida no entendimento de Israel". Olmert quer as forças libanesas juntamente com as forças da ONU em cada um dos nove pontos de travessia ao longo dos 330 km de fronteira montanhosa com a Síria, disse Eisin. Apesar da fronteira não possuir cerca e ser em grande parte não marcada, grandes foguetes e lançadores baseados em caminhões não podem ser trazidos por terra por mulas, ela disse, de forma que os pontos de travessia são cruciais.

"A fronteira terrestre com a Síria é um elemento imprevisível e o verdadeiro teste do embargo de armas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Mark Regev. "Nós esperamos ver forças libanesas reforçadas por forças internacionais presentes na fronteira e mantendo o embargo de armas. Seria muito bom acreditar em uma mudança de política por parte da Síria, mas gostaríamos de um processo de verificação."

Oficiais militares israelenses disseram que se tiverem evidência da continuidade de fornecimento de foguetes e lançadores ao Hizbollah por caminhões vindos da Síria, Israel se sentirá justificada em bombardear estes caminhões.

Israel tem sido duramente pressionado para suspender seus embargos marítimo e aéreo pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que sugeriu que poderiam ser suspensos em 48 horas.

No Cairo, Egito, o ministro das Relações Exteriores libanês, Fawzi Salloukh, disse que o Líbano "aguardará as 48 horas dadas por Kofi Annan e, se a situação for resolvida, nós o agradeceremos".

"Caso contrário", acrescentou Salloukh, "o governo libanês tomará as medidas necessárias e romperá o bloqueio com toda nossa força .

Annan, em sua chegada na quarta-feira a Madri, Espanha, no final de sua
viagem ao Oriente Médio, disse que trabalhou em um plano durante seu vôo da Turquia e ficou satisfeito com os resultados. "A suspensão do bloqueio permitirá ao primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, e seu governo acelerarem a recuperação econômica e o programa de reconstrução", ele disse em uma declaração.

Israel está dependendo do Líbano para ajudar no retorno de dois soldados capturados pelo Hizbollah em 12 de julho; tais capturas levaram à guerra. E com várias companhias aéreas árabes prometendo pousar em Beirute, Israel claramente decidiu que era hora de suspender suas restrições. Israel já concedeu permissão para a maioria das aeronaves civis e cargas de ajuda pousarem nos últimos dias.

"Nós temos que jogar nossas cartas corretamente e saber quando basta", disse o alto funcionário israelense. "É com as coisas grandes, os foguetes maiores e lançadores, que temos que nos preocupar."

Os navios de guerra europeus monitorarão a costa e o aeroporto em si é uma área relativamente pequena que será fácil de monitorar, disse o funcionário. Quanto à questão difícil da fronteira síria, "nós entendemos" que as forças internacionais estarão lá para ajudar as forças libanesas, disse o funcionário, apesar do governo sírio ter alertado o Líbano de que qualquer presença internacional em sua fronteira fará com que a Síria a feche.

Segundo a resolução que colocou um fim à guerra, o governo libanês deve
requisitar ajuda da ONU para monitorar a fronteira e o funcionário
israelense insistiu que Israel foi informada que o Líbano fará tal pedido.

Annan se reuniu com todos os lados em um esforço para promover o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança, a 1701, que entrou em vigor em 14 de agosto e praticamente encerrou o combate. Ele disse que nomeará um enviado especial para trabalhar pelo retorno dos soldados israelenses capturados pelo Hizbollah, presumivelmente em troca de alguns poucos prisioneiros libaneses, mantidos há anos por Israel, e por combatentes do Hizbollah capturados durante a guerra.

Annan tem pressionado os países europeus, assim como a Turquia e a
Indonésia, que possuem grandes populações muçulmanas, a fornecerem soldados para a força expandida da ONU.

Cerca de 3.250 soldados internacionais estão atualmente no Líbano, mas Annan espera que o número chegue a 5 mil até o final da próxima semana. A resolução pede por um máximo de 15 mil soldados, mas um alto diplomata europeu, que falou sob a condição diplomática habitual de anonimato, disse que até 12 mil seria "um bom resultado".

Em Gaza, alguns membros do gabinete do primeiro-ministro palestino se
juntaram à greve dos funcionários públicos, que exigem salários do governo do Hamas, que não consegue pagá-los há seis meses.

As greves têm sido incentivadas pelo Fatah, o adversário político do Hamas, mas também refletem o descontentamento popular com a incapacidade do governo do Hamas de obter recursos suficientes, diante do corte da ajuda ocidental e da recusa israelense em repassar as receitas tributárias e alfandegárias, para pagar aos 165 mil funcionários públicos mais do que auxílios pequenos, intermitentes.

Israel, Estados Unidos e Europa desejam que o Hamas reconheça o direito de Israel de existir, renegue a violência e reconheça os acordos anteriores entre israelenses e palestinos. Alguns europeus agora estão sugerindo, segundo um alto diplomata francês, que tais restrições seriam aliviadas caso os palestinos cheguem a um governo de unidade nacional que pelo menos renegue a violência e o terrorismo. Os Estados Unidos e o Reino Unido são contrários ao abrandamento dos termos exigidos ao Hamas.

*Warren Hoge, em Madri, contribuiu com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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