UOL Notícias Internacional
 

08/09/2006

Blair diz que planeja renunciar no próximo ano

The New York Times
Alan Cowell
Em Londres
Cedendo à pressão, o primeiro-ministro britânico Tony Blair declarou na quinta-feira que deixará o cargo dentro dos próximos 12 meses, anunciando o fim de notáveis três mandatos durante os quais elevou a confiança do país mas o lançou em duas guerras indesejadas no Afeganistão e Iraque.

Seu pronunciamento significa que, em algum momento durante ou antes do próximo verão (do hemisfério norte), Blair renunciará à liderança do Partido Trabalhista e abrirá o caminho para Gordon Brown, seu ministro das Finanças, assumir como primeiro-ministro. Durante grande parte desta semana, o meio político do Reino Unido se viu envolvido em um espetáculo de disputa brutal de poder entre os dois homens. Na quarta-feira, oito assessores se demitiram do campo de Blair, passando a sensação de uma terra em crise.

No que pareceu uma série cuidadosamente coreografada de pronunciamentos, Brown primeiro fez um anúncio separado na quinta-feira, recuando de um confronto com seu antigo aliado. "Eu o apoiarei na decisão que tomar", disse Brown.

Não ficou claro se a ausência de um prazo determinado atenderá o impaciente Partido Trabalhista, cuja maioria dos legisladores exigia uma data exata para sua renúncia, antes das eleições locais de maio. Blair, que disse que não disputará um quarto mandato, está desesperado para estabelecer as condições para sua saída, ansioso para moldar um legado de realizações que compense à profunda impopularidade que obteve devido à sua aliança estreita com o presidente Bush na guerra no Iraque.

Em uma visita marcada previamente a uma escola no Norte de Londres, Blair disse na quinta-feira que as críticas "não foram nossa melhor hora". Mas revertendo sua recusa em dizer quando deixaria o cargo -mesmo sem ser específico- ele reconheceu que a próxima convenção anual de seu Partido Trabalhista será sua última. "Eu não vou estabelecer uma data precisa", ele disse. "Eu não acho isto certo. O prazo preciso será estabelecido por mim." Ele não descartou determinar um prazo posteriormente.

Blair pediu desculpas pela mais recente crise. "É a população que vem em primeiro lugar e não podemos tratar a população como espectadores desinteressados", ele disse, parecendo alertar os políticos trabalhistas a evitarem maiores disputas.

A escolha de uma escola foi significativa, apontando o desejo de Blair de ser visto não apenas como um guerreiro, mas como um líder que melhorou os serviços públicos, como as escolas e o sistema de saúde. Mas suas realizações foram ofuscadas pelo seu compromisso em travar o que chama de batalha "básica" contra o terrorismo após os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e os atentados de 7 de julho de 2005, em Londres.

Por sua vez, Brown, menos carismático do que Blair, foi um pilar do Partido Trabalhista ao longo de toda sua vida política, assumindo o crédito por uma era notável de crescimento econômico enquanto assumia uma postura menos proeminente nas questões que desgastaram Blair nos últimos anos, como o relacionamento com a Casa Branca e a guerra no Iraque.

Em 1994, quando o Partido Trabalhista ainda estava na oposição, Brown recuou para permitir que Blair assumisse a liderança do partido, algo que foi retratado como um acordo particular segundo o qual Brown algum dia assumiria a liderança do partido.

De lá para cá, Brown foi ficando cada vez mais impaciente à medida que Blair se recusava a cumprir sua promessa de abrir mão do cargo. Há dois anos, Blair disse que não disputaria uma quarta eleição, sinalizando uma entrega do cargo para Brown. A crise desta semana vem se formando deste então. Na última sexta-feira, em uma entrevista para o "Times" de Londres, Blair disse aos seus seguidores para pararem com a "obsessão" em relação à data de sua saída. Tais comentários atraíram uma resposta irada dos seguidores de Brown.

Mas após uma reunião privada entre os dois na quarta-feira, descrita por alguns jornais como um bate-boca, a rivalidade entre eles pareceu chegar ao que muitos legisladores chamaram de etapa final. Em um teste de força, Blair enfrentou as exigências dos simpatizantes de Brown de um prazo para sua saída, mas resistiu a elas. Com seus comentários de quinta-feira, os dois pareceram recuar de um confronto que prejudicaria a ambos, deixando Blair parecendo pressionado para deixar o cargo por conspiradores ingratos.

Blair assumiu o poder em 1997 em uma onda de euforia que cresceu assim que obteve o acordo de paz da Irlanda do Norte em 1998 e, com Brown conduzindo a economia, abriu o país para um período notável de baixo desemprego, taxas de juros baixas e mercado de trabalho aquecido.

Nas relações exteriores, ele formou um relacionamento estreito com o presidente Bill Clinton e assumiu um papel proeminente na guerra de Kosovo, uma precursora de suas políticas intervencionistas no mundo muçulmano. Ele foi reeleito por uma margem esmagadora de votos em junho de 2001.

Mas foi com o 11 de Setembro de 2001 que o estilo e tom de Blair mudou. Ele se tornou um aliado estreito do presidente Bush, primeiro no Afeganistão e depois no Iraque -uma guerra profundamente impopular para muitos britânicos, incluindo muçulmanos que argumentam que a visão de soldados britânicos combatendo em países islâmicos como aliados dos Estados Unidos expôs o país a ataques terroristas. Além disso, a forma como lidou com a invasão ao Iraque lhe custou a confiança de muitos britânicos. "Foi uma semana difícil", disse Blair na quinta-feira, "mas é hora de seguir em frente". George El Khouri Andolfato

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