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10/09/2006

Sean 'Diddy' Combs, 'qual é o nome dele?', apresenta um novo som em 'Press Play'

The New York Times
Sia Michel
Quando Sean Combs, também conhecido como Diddy, percebeu que estava terrivelmente atrasado para o Torneio de Basquete Kingdome, no Harlem, onde sua equipe da Bad Boy Records estava jogando, ele entrou em modo multitarefa.

O plano era escutar as faixas de seu primeiro álbum em cinco anos, "Press Play", a caminho de seu apartamento em Midtown Manhattan. Lá ele se juntaria aos seus filhos, sua grande comitiva usando óculos de sol elegantes, quando então um parada de carros de luxo seguiria para os projetos no centro. Após o jogo, ele prestaria sua homenagem ao bairro do Harlem onde já viveu, um marketing de rua. Ele encerraria a entrevista dirigindo sua Ferrari conversível para casa, de onde partiria com sua família para embarcar em um jato para Saint-Tropez, onde daria uma de suas festas repletas de celebridades.

Reuters - 6.jun.2006 
O rapper Sean (Diddy) Combs;
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Talvez este seja um dia comum para o homem antes conhecido como Puff Daddy.

Ele em nenhum momento parecia estressado com a agenda complexa. O que parecia lhe deixar nervoso era a reação potencial à sua nova música. Seu motorista insinuou "Diddy Rock", uma fusão inventiva de hip-hop hardcore e dance music estilo Ibiza, que soava excelente. (Mas será que uma canção pode soar ruim quando tocada em um Rolls-Royce Phantom acelerando por Times Square?)

"Não sinta que precisa dizer algo -apenas forme sua própria opinião, eu deixarei você à vontade", Combs disse. Pausa. Ele olhou para o lado como se buscasse sinais de aprovação com a cabeça. "É bem diferente, né?" Pausa. "Dá para imaginar as pessoas dançando com ela em algum after hours em Miami, né?

Longa pausa. "Isso aí é Timbaland."

Como uma fênix, Combs se reinventou tantas vezes ao longo de sua carreira tumultuada: como um executivo dolorosamente jovem na Uptown Records, como um produtor de sucessos, como chefe da Bad Boy Records, como um rapper ("No Way Out", seu álbum de estréia de 97, vendeu 7 milhões de cópias) e como namorado de Jennifer Lopez, ostentando diamantes, símbolo da chamada cultura gueto fabulosa dos anos 90. Após um tiroteio em um clube noturno em 1999 envolvendo um rapper da Bad Boy, Shyne, Combs foi indiciado e absolvido de posse de arma e tentativa de suborno, mas ele rapidamente se ergueu novamente, como design de moda premiado e amigo de Anna Wintour. Sua linha de roupas, Sean John, gera cerca de US$ 400 milhões por ano em vendas no varejo, e ele recentemente lançou uma fragrância masculina, a Unforgivable.

Ele é uma celebridade americana moderna quintessencial: um gênio do marketing audaciosamente ambicioso com uma necessidade insaciável de atenção, não um artista mas um colaborador, um explorador de tendências e talentos de outras pessoas. Sua atual personalidade -homem de ação e gosto internacional -é feita sob medida para as câmeras dos paparazzi, seja caminhando pela Riviera com um criado segurando uma sombrinha, saltando em um trampolim de sunga ou andando de Jet Ski em roupão de banho felpudo.

Mas diferentemente de muitos freqüentadores regulares dos tablóides, ele busca credibilidade além da fama. Em 2003, correu na Maratona de Nova York, levantando US$ 2 milhões para a caridade. Em 2004, fez sua estréia na Broadway em "A Raisin in the Sun". Sua atuação dividiu a crítica, mas a peça obteve boa bilheteria. "Eu sei que passei por alguns momentos ruins e tive minha parcela de tragédias", disse Combs, cujo pai foi morto, assim como seu melhor amigo, Notorious B.I.G. "Mas isto apenas me fez sentir que preciso ser uma pessoa melhor para merecer esta bênção."

Durante a entrevista, ele tinha o ar de um viciado em trabalho tão bem-sucedido que precisa lutar com o vazio após grandes realizações. Ele se referia repetidamente à empolgação de fazer algo pela primeira vez e o desejo de sempre buscar recapturar tal sensação.

"Fazer música é como estar em um relacionamento com alguém -após algum tempo não é igual ao primeiro dia em que a viu", ele disse. "Mas se você se afasta de alguém, é possível sentir o mesmo de novo."

Tentar uma volta aos 36 anos pode ser seu empreendimento mais arriscado até o momento. O álbum, que será lançado em 17 de outubro, representa o desejo de ainda mais atenção e outro desafio auto-imposto de reafirmar seu valor.

"Diddy tem um público muito grande -de idade entre 15 e 45 anos", diz Ebro, um executivo de programação da Hot 97, uma influente rádio urbana de Nova York. "Os mais velhos o conhecem como artista, os mais jovens o conhecem por 'Making the Band' na MTV. A pergunta é se as crianças responderão ao seu produto musical." (Combs tem se concentrado nelas com vídeos caseiros em sua página no MySpace.)

Talvez seu público seja ainda maior que isso. Após o jogo de basquete, Combs e companhia dirigiram até a esquina da rua 142 com avenida Lenoc, no Harlem.

Enquanto os carros estacionados em fila dupla tocavam canções de Diddy, dezenas de jovens se aglomeraram ao redor deles. Duas mulheres idosas, em vestidos com estampas africanas, se aproximaram da aglomeração. "O que está acontecendo aqui?", uma exige saber.

"Puffy tá com álbum novo", disse alguém.

"Puff Daddy? Cadê ele?"

"Bem aqui, senhora", disse Combs, oferecendo para ela uma minigarrafa de Moet. Ela permaneceu um pouco ao lado dele, bebendo champanhe com um canudinho de plástico e balançando com a música. Então ela partiu discretamente.

"'Press Play' foi um verdadeiro projeto de amor", disse Julie Greenwald, a presidente da Atlantic Records, que distribui o selo Bad Boy. "Diddy passou um ano e meio trabalhando nele. Eu nunca trabalhei com alguém com uma atenção tão meticulosa ao detalhe."

Considere a forma atenta à celebridade como ele recrutou Nicole Scherzinger, a vocalista vestida com lingerie do Pussycat Dolls, para cantar no primeiro single voltado aos clubes, "Come to Me". Assim que ela estava prestes a subir no palco na França, o empresário dela correu na sua direção com um celular, dizendo que Diddy precisava falar imediatamente com ela. "Nós nunca nos encontramos, mas ele me disse que estava acompanhando minha carreira", disse Scherzinger. "Ele disse que eu tinha o 'olho do tigre', que eu tinha a altivez. Ele disse que precisava que eu fosse a pessoa que fizesse explodir seu álbum evento. Eu viajei."

No momento da entrevista a ordem das faixas e os títulos das canções ainda precisavam ser concluídos, mas Combs parecia estar se reposicionando de novo: como um homem de família mais profundo, mais maduro. Em duetos emotivos com rainhas do pop e do R&B como Mary J. Blige, Brandy e Christina Aguilera, ele revela seu lado magnata do entretenimento sensível.

"Press Play", que Combs descreveu como um "filme gravado em acetato", é baseado vagamente em sua história amorosa, incluindo seu relacionamento intermitente com Kim Porter, 35, modelo e mãe do seu filho de 9 anos, Christian. (seu primogênito, Justin, tem 12) É a história de um jovem ousado que conhece uma mulher na pista de dança. Eles embarcam em um caso passional mas turbulento e "então começa a dor", disse Combs, explicando que o protagonista no final percebe que "não é tão forte quanto achava".

"Kim é a musa principal da coisa toda, mas ela não está realmente representada no disco", ele disse. "Ela tem uma personalidade que realmente não liga para fama e fortuna. Eu poderia fazer 5 ou 10 discos para ela, mas ela apenas quer que eu seja um bom rapaz o tempo todo para ela. Eu me esforço ao máximo. Eu a amo."

Com a idade ele aprendeu o que um bom relacionamento realmente significa.

"Se você ama alguém você não força", ele disse. "Você não ama alguém devido ao que pode extrair dela. Você não ama alguém por ser bonita ou porque faz você parecer bonito. Ela pode ser a mulher mais sensual do mundo, mas se não conseguir animar seu dia e iluminar seu dia mais sombrio, não importa. Agora eu realmente quero fazer com que dê certo." (Porter está esperando um bebê para o início do próximo ano.)

Em algumas canções, Combs se torna romântico em uma voz baixa, em tom de conversa: "Me permita lhe dar um amor passional que você não esquecerá"; "um homem também tem sentimento"; "você esteve ao meu lado durante todo o caso J.Lo"; "eu sei que torno difícil me amar". Vulnerabilidade explícita é rara no rap, e dado que Combs certa vez se declarou um "bad boy por toda a vida", esta demonstração de sinceridade de homem apaixonado poderá resultar em algumas gozações. Quando perguntado sobre como achava que as ruas reagiriam, Combs ficou silencioso por algum tempo. "Para ser honesto, eu não sei como será recebido", ele disse. "Eu não tenho medo de ser sensual e romântico.
Mas eu ainda quero atingir você duramente e fazer seu corpo dançar. Eu apenas acho que ser honesto é a coisa mais 'gangsta' que alguém pode fazer."

Tanto fãs como a indústria estabeleceram um grau elevado de expectativa para um sucesso "crossover" marcando a volta de Diddy. Como garantia, ele gravou com uma série de amigos pesos pesado, incluindo Kanye West, T.I., Pharrell, Jamie Foxx e Big Boi do OutKast, que aparece em "Wanna Move", uma surpreendente faixa misturando batida do sul com Kraftwerk.

Um faixa de sucesso poderia potencialmente impulsionar as vendas da grife Sean John, que recentemente expandiu; da mesma forma, um fracasso do titular e garoto propaganda da empresa poderia arranhar a marca. Em 2005, Combs vendeu uma participação minoritária na Bad Boy para o Warner Music Group por cerca de US$ 33 milhões. (O selo era anteriormente associado da Arista e, por um breve período, da Universal.) Ele se concentrou em revitalizar o selo em dificuldades, que desde então produziu sucessos de Cassie e Yung Joc. Mas a Bad Boy carece de um rapper que represente a essência original do selo: o aspecto popular fabuloso de Nova York. Até que encontre o jovem vencedor certo, Combs tem um trabalho a fazer.

"Ele está com as mãos cheias", diz Elliot Wilson, o editor-chefe da revista de rap "XXL". "Ele está voltando em um cenário onde está difícil para o rap obter disco de platina. Ele poderá não ter o impacto na cultura da forma que deseja -como fez no final dos anos 90."

Naquela época, Combs freqüentemente era criticado como um produtor que abusava de samples e de ser um rapper medíocre, inevitavelmente comparado ao seu gênio protegido, Notorious B.I.G. Os tempos podem ser mais gentis com ele agora: há muitas personalidades apreciadas por seu estilo colorido e perdoadas por seu talento abaixo da média (veja Rick Ross, Lil Jon). Em uma era carente de superastros do rap bancáveis, vendedores de revista, Combs está sempre disposto a comandar do palco uma festa-espetáculo.

Após um longo dia, ele parou em seu apartamento para mostrar alguma "coisa estilo filme caseiro" para a repórter. Parecia razoável esperar uma decoração ao estilo Versalhes, só que mais extravagante. Em vez disso, o imaculadamente vestido Combs (bermuda, tênis, diamantes) parecia ligeiramente embaraçado com o estado de sua residência. "Ainda não tem muita mobília", ele alertou. "Nós ainda estamos desempacotando porque acabamos de nos mudar." Quando? "Oito ou nove meses atrás."

Havia caixas no chão da gigantesca sala de televisão com paredes de vidro, e roupas estavam empilhadas em um sofá creme. "Eu sou viciado em trabalho, de forma que é difícil me concentrar", ele disse enquanto arrumava as coisas um pouco. "Mas é realmente perto do meu escritório e isso é bom."

Quando não está no modo Diddy, Combs é agradavelmente amistoso e discreto, até mesmo tímido e autodepreciador. Antes de colocar um DVD, ele fez outro alerta: no videoclipe, ele parece um pouco gordo e seu cabelo precisa ser trabalhado.

No vídeo, ele dança no estúdio de gravação -como um adolescente extático.

Enquanto um funk bruto "Get Off" rola ao fundo, ele gira, pavoneia e grunhe com o entusiasmo sincero ausente em seus videoclipes cuidadosamente coreografados. "Eu mal posso acreditar que consegui me sentir assim de novo."

Havia algo estranhamente tocante em vê-lo assistir a si mesmo se soltando. Parecia um momento especial.

Poucas semanas depois, o videoclipe foi postado na página dele no MySpace. George El Khouri Andolfato

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