UOL Notícias Internacional
 

13/09/2006

Homens armados atacam embaixada americana na Síria; 3 agressores morrem

The New York Times
Craig S. Smith*

em Beirute, Líbano
Quatro homens armados atacaram a embaixada americana em Damasco na manhã de terça-feira, invadindo o complexo com granadas e armas automáticas antes de serem rechaçados pelas forças de segurança sírias. Três dos agressores foram mortos e o quarto ficou ferido, disseram autoridades sírias e americanas.

Um oficial de segurança sírio foi morto e cerca de uma dúzia de pessoas ficaram feridas, incluindo três oficiais de segurança sírios e um guarda sírio contratado pela embaixada. Nenhum funcionário da embaixada ficou ferido e os agressores não conseguiram detonar o veículo estacionado com explosivos.

O agressor ferido estava sendo interrogado pelos serviços de segurança sírios. As identidades dos agressores não foram reveladas.

O ataque, um raro caso de violência terrorista na fortemente controlada
capital síria, marcou a primeira vez em que a embaixada americana foi alvo.

Ocorrendo um dia após o aniversário dos ataques terroristas de 11 de
Setembro nos Estados Unidos e após ameaças recentes da Al Qaeda, o ataque provocou estremecimento por uma região já cambaleante devido a um período de violência. A raiva em relação aos Estados Unidos aumentou nas últimas semanas devido ao seu apoio a Israel na guerra contra o Líbano.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que é cedo demais para dizer quem poderia estar por trás do ataque. Mas ela elogiou a Síria pela resposta rápida. "Os sírios reagiram a este ataque de uma forma que ajudou a proteger nosso pessoal e nós apreciamos muito isto", disse Rice.

Mas a Síria foi rápida em culpar os Estados Unidos pela violência.

"É lamentável que as políticas americanas no Oriente Médio alimentem o
extremismo, o terrorismo e o sentimento antiamericano", disse uma declaração da embaixada síria em Washington. "O que aconteceu recentemente no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque está extrapolando a luta global contra o terrorismo."

As relações entre a Síria e os Estados Unidos estão estremecidas há anos. Os Estados Unidos retiraram seu embaixador após o assassinato do
primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, em fevereiro de 2005, no qual Washington acredita que houve envolvimento de Damasco. A representação diplomática americana no país desde então foi rebaixada ao nível de chargé d'affaires (sem um embaixador fixo e titular).

Mais recentemente, os Estados Unidos culparam a Síria de ajudar a armar o Hizbollah, a organização xiita cujo ataque contra soldados israelenses na fronteira do Líbano provocou a guerra em julho.

"Eu acho que é preciso olhar para quem realmente é responsável pela
violência na região", disse Tom Casey, o porta-voz em exercício do
Departamento de Estado, em resposta à declaração da Síria, em uma coletiva de imprensa em Washington. "A violência é responsabilidade daqueles que acreditam que a única resposta para qualquer problema ou preocupação é atirando bombas, dando tiros, assassinando pessoas."

Ele disse que Washington continua considerando a Síria uma patrocinadora do terrorismo, citando seu apoio ao Hizbollah e ao grupo palestino Hamas, ambos considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos e muitos aliados.

"Eu certamente rejeitaria a noção de que os Estados Unidos, a comunidade internacional ou qualquer um trabalhando para ajudar a promover a prosperidade, a paz e a democracia no Oriente Médio seja a causa da violência", disse Casey.

O ataque à embaixada teve início às 10h10 da manhã em Damasco, quando dois veículos se aproximaram, um deles parando em frente ao portão dianteiro do complexo. O ministro da informação, Mohsen Bilal, disse em uma entrevista por telefone que um homem se aproximou dos guardas da embaixada.

"O homem carregava um buquê de flores e disse aos guardas em frente à
entrada que gostaria de entregá-lo a alguém da embaixada, para mostrar sua solidariedade para com eles e as vítimas do 11 de Setembro", disse Bilal.

Ele disse que quando os guardas se recusaram a autorizar sua entrada, o
ataque teve início.

Ayman Abdel Nour, um analista político sírio, disse que estava a cerca de 25 metros de distância quando viu dois homens fugindo da embaixada, ouviu disparos e homens gritando, "Deus é grande!" Antes de se refugiar em uma embaixada vizinha, ele viu um oficial de segurança sírio caído no chão, sangrando.

O som de disparos e explosões prosseguiu por cerca de quinze minutos, ele disse. Houve uma segunda troca de tiros de armas automáticas e disparos isolados após alguns poucos minutos de calma, ele disse, mas acabou rapidamente.

Quando saiu, o carro diante da embaixada estava perfurado de balas,
aparentemente devido à troca de fogo.

Abdel Nour disse que amigos na embaixada italiana próxima viram os
agressores lançando granadas por cima do alto muro que cerca a embaixada americana, assim como viram fumaça vindo de dentro do complexo após cada explosão subseqüente.

Ele disse que o vidro à prova de balas da guarita na entrada do complexo estava rachado, mas que não havia outros danos óbvios à embaixada.

Imagens de televisão do local mostraram poças de sangue no pavimento e os restos de um carro incendiado diante do portão do complexo. Elas também mostraram oficiais de segurança sírios inspecionando o que pareciam ser grandes recipientes de gás propano com canos fixados a eles.

Casey, o porta-voz do Departamento de Estado, disse após o ataque que
"alguns pequenos artefatos explosivos improvisados não detonados" foram
encontrados na área ao redor da embaixada, além daqueles que estavam dentro do segundo carro.

"Este é um negócio em alta atualmente", disse Abdel Nour sobre o ataque. "Se você quiser formar uma célula terrorista aqui, isto será um negócio fácil. Você encontrará bastante dinheiro por causa da frustração na região."

O ministro do Interior da Síria, Bassam Abdel Majeed, visitou a embaixada após o ataque e se encontrou com o novo chargé d'affaires, Michael H. Corbin. O ministro, falando para a televisão síria no local, disse que os agressores usaram carros roubados e foram capazes de se aproximar da embaixada por se tratar de uma rua pública.

O distrito de Rawda, onde o ataque ocorreu, é uma das partes mais fortemente protegidas da capital. Ele abriga instalações de segurança e as residências de muitas autoridades do governo. Várias embaixadas estrangeiras estão próximas do complexo americano, incluindo as missões chinesa, italiana e iraquiana, enquanto o palácio presidencial fica a cerca de 150 metros da missão americana.

Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas no ataque. O funcionário local da
embaixada que foi ferido foi atingido por disparos enquanto checava os
carros dos agressores quando o ataque teve início. O Departamento de Estado disse que outro guarda da embaixada ficou levemente ferido, mas não precisou ser hospitalizado.

Sete funcionários da companhia telefônica síria que trabalhavam na área
também ficaram feridos, assim como um homem e uma mulher iraquianos. Um alto diplomata chinês foi atingido por estilhaços enquanto estava no alto de uma garagem dentro da embaixada chinesa, informou a Agência de Notícias Nova China.

A Síria, um Estado rigidamente secular, já teve problemas com extremistas islâmicos. Em abril de 2004, quatro pessoas foram mortas em um confronto entre policiais e suspeitos de terrorismo no bairro diplomático de Damasco. As autoridades acusaram militantes islâmicos de tentarem explodir um carro cheio de explosivos perto da embaixada canadense.

O embaixador sírio nos Estados Unidos, Imad Moustapha, disse para a rede de TV "CNN" que os agressores podem ter laços com um grupo conhecido como Jund al Sham, que significa Soldados do Levante. No ano passado, cinco militantes do grupo foram mortos em Hama quando agentes de segurança invadiram seu esconderijo, revelando um depósito de armas e explosivos.

Também no ano passado, o grupo reivindicou a responsabilidade por três
atentados a bomba no Líbano, nos quais três pessoas morreram, segundo o SITE Institute, uma organização com sede em Washington que monitora declarações postadas por grupos militantes.

Funcionários da inteligência americana em Washington disseram que é cedo demais para saber com certeza quem foi o responsável pelo ataque contra a embaixada, e disseram que há pouca evidência para a apoiar a alegação do governo sírio de que o Jund al Sham possa tê-lo executado.

Os funcionários disseram que também não há evidência ligando o ataque à
recente mensagem do vice-líder da Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, que disse em uma longa mensagem na segunda-feira que o grupo terrorista realizaria ataques por todo o Oriente Médio.

"Este ataque é café pequeno perto dos padrões da Al Qaeda", disse um
funcionário de inteligência, falando sob a condição de anonimato devido às regras estabelecidas por sua agência.

A embaixada americana foi fechada após o ataque e disse que funcionará com quadro reduzido de funcionários na quarta-feira. Ela emitiu um comunicado orientando os americanos na Síria a se manterem discretos e dispensou os estudantes da Damascus Community School, que é afiliada à embaixada.

*Souad Mekhennet, em Frankfurt, Alemanha; Thom Shanker e Mark Mazzetti, em Washington; e Christine Hauser, em Nova York, contribuíram com reportagem para este artigo

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