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17/09/2006

O emprego dos sonhos dos garotos crescidos: ser pago para brincar com bonequinhos

The New York Times
Dave Itzkoff
Em Los Angeles
Ter um grande apreço pela obra de Seth Green é um forte indicador não apenas de que você possa ser um geek, mas também de que tipo você é. Se você recita habitualmente frases dos filmes "Austin Powers", você provavelmente é um geek de comédia. Se você admira seu trabalho versátil de voz no desenho animado "Family Guy", você provavelmente é um geek de desenhos animados. E se você lembra com carinho de sua interpretação de um lobisomem adolescente na série "Buffy, a Caça-Vampiros", você é um geek de fantasia.

No coração, Green, 32 anos, é todos estes tipos de geeks (e, a propósito, nem de perto tão arrogante em pessoa como suas aparições recentes na série "Entourage" podem sugerir), mas o hobby obscuro que mais claramente o define é sua paixão por "action figures" (bonequinhos articulados) antigos dos anos 70 e 80. Ele os coleciona e às vezes os leva consigo em sua bagagem para brincar com eles. Ele também os utiliza para encenar quadros humorísticos que carinhosa mas impiedosamente detonam dogmas da cultura pop, nos quais super-heróis da Marvel e DC dividem uma casa em uma paródia do programa "Real World" da MTV e Harry Potter descobre que sua mágica é inútil para deter o ataque de um monstro chamado Pubertis.

Divulgação 
Michael Moore "entrevista" Jesus na animação "Frango Robô"


















Esta é a estética de "Frango Robô", o programa de animação "stop-motion" de Green, que reduz celebridades e personagens da infância a brinquedos e os manipula em esquetes curtos que são decididamente adultos e totalmente juvenis. Em um segmento, as Tartarugas Ninjas adolescentes se transformam em senis Tartarugas Ninjas idosas; em outro, o filme de aventura "Highlander" é recriado com Lindsay Lohan decapitando as estrelas adolescentes rivais e se alimentando da energia mágica delas.

A série, que retorna ao bloco Adult Swin do Cartoon Network com novos
episódios nas noites de domingo, permite a Green e seu co-produtor, Matthew Senreich, 32 anos, cultivarem um local de trabalho decorado com bonequinhos novos e antigos, bestas Nerf e fotos autografadas dos atores Lou Ferrigno, da série "O Incrível Hulk", e Fred Berry, de "What's Happening!!" E os deixa muito mais próximos de suas paixões de plástico do que qualquer outro colecionador de brinquedos provavelmente seria capaz.

"Trabalhando nesta série nós conseguimos botar nossas mãos em cada brinquedo semelhante ao graal que você possa desejar", disse Green em uma entrevista conjunta com Senreich, no escritório de produção de "Frango Robô". "Ela tira um pouco do brilho disto, mas ainda não consigo acreditar em quão divertido é nosso trabalho."

Foi o amor desproporcional deles por brinquedos que os reuniu em 1999,
quando Senreich, na época editor da revista especializada "ToyFare", leu na "Entertainment Weekly" que Green fez bonequinhos personalizados de seus colegas de elenco de "Buffy" como presentes de Natal. Senreich pediu para fotografar os bonecos para sua revista. Vários meses depois, Green convidou Senreich para colaborar em um curta de animação que ele estava preparando para apresentação no programa "Late Night With Conan O'Brien", no qual bonecos de O'Brien e Green participavam juntos de uma convenção de celebridades.

O curta lhes valeu uma série no site Sony Screenblast, já desativado. Isto por sua vez foi de grande utilidade para o piloto de "Frango Robô", que eles passaram vários anos oferecendo à Fox, Comedy Central e finalmente ao Cartoon Network, onde fez sua estréia no Adult Swim no ano passado.

Apesar do aspecto caseiro deliberado do programa, um único episódio de 11 minutos de "Frango Robô" pode levar até um ano para ser completado. Quando a equipe de roteiristas conclui um roteiro, uma equipe de artistas da Shadow Animation, em Los Angeles, começa a construir os cenários que lembram, por exemplo, as casas de cogumelo dos Smurfs ou as paisagens urbanas do videogame "Grand Theft Auto" e criando bonecos de espuma e arame para habitá-los. Uma empresa na Flórida, a Plastic Earth, cria as cabeças de bonecos com o aspecto de, digamos, Burt Reynolds e Scarlett Johansson.

Um episódio de "Frango Robô" geralmente contém cerca de 120 destas figuras feitas sob encomenda. Algumas incorporam partes de bonecos fabricados por indústrias de brinquedo, enquanto outros são feitos de modo alternativo. Um quadro satirizando os Ursinhos Carinhosos exigiu que os designers "estripassem" os adoráveis bichos de pelúcia para construir marionetes mais flexíveis. "Foi um tanto assustador", disse Green, "mas você meio que aceita que nada é sagrado pela causa".

Apesar de muitos segmentos tirarem o sarro de brinquedos populares,
incluindo Transformers, Comandos em Ação e Mestres do Universo, a
sensibilidade da série é definida igualmente pela sua apropriação da
iconografia jovem, assim como pelo ritmo veloz, que é uma constante nos
desenhos voltados para adultos. "O sketch mais longo não dura mais que três ou quatro minutos, então precisa ser algo que capture seu olhar", disse Keith Crofford, vice-presidente de produção do Cartoon Network. "Se puder evocar lembranças de sua infância ou de brincar com seus brinquedos, isto apenas ajuda ainda mais."

Mas o sucesso de "Frango Robô" (que rotineiramente é uma das séries de maior audiência do Adult Swim, atrás apenas das reprises de "Family Guy") acentua quanto produtos colecionáveis e a nostalgia da juventude se tornaram elementos fundamentais da cultura adulta, um processo iniciado quando os filmes "Star Wars" de George Lucas tornaram o merchandising uma parte essencial de qualquer campanha de marketing voltada ao público jovem.

Daquele momento em diante, "seu brinquedo favorito se tornou parte de seu dia-a-dia, da roupa de baixo à roupa de cama", disse Senreich. "Todas estas coisas estão profundamente enraizadas no seu ser, você não consegue não falar a respeito."

Este fenômeno parece ser muito mais predominante entre os homens do que
entre as mulheres. A atriz Mila Kunis, 23 anos, que fornece as vozes de
muitas das personagens femininas de "Frango Robô", disse que raramente se vê desejando bens da infância. "Sapatos e bolsas", disse Kunis, que também faz uma voz em "Family Guy" e foi uma das estrelas de "That '70s Show". "Caso contrário, não."

Mas ela acrescentou: "Meu namorado" -este seria o ator Macaulay Culkin- "é casado com 'Halo' e eu aprendi a amar isto. É algo que não posso mudar nele e nunca vou fazer, porque faz parte de quem ele é. Ele adora 'Star Wars', ele adora desenhos animados e adora seu Xbox, e para mim tudo bem."

A experiência de trabalhar em "Frango Robô" geralmente permite aos seus
criadores retardar a maturidade ainda mais. Um dos quadros da série
inspirados em "Star Wars", no qual um mortificado Darth Vader telefona para o imperador Palpatine para explicar que a Estrela da Morte foi destruída, se tornou tão popular nos escritórios da Lucasfilm que Green e Senreich foram convidados às instalações da Industrial Light and Magic em San Rafael, Califórnia. "Nós ficamos tão empolgados em conhecê-los", disse Green, "e eles estavam sendo totalmente geeks conosco".

E há momentos que os recordam do quanto cresceram, como quando uma breve seqüência de ação exigiu que mutilassem um Batmóvel de brinquedo que compraram de um colecionador por cerca de US$ 600. "É uma grande cena", disse Senreich, "mas eu acho que a assistimos de forma bem diferente das outras pessoas".

Green acrescentou: "Acontece tão rápido e, ainda assim, para nós, pensamos, 'Ah, a infância'".

"Este sou eu no canto", ele continuou, dando início a uma paródia espontânea da canção clássica do R.E.M. "Este sou eu no Batmóvel, perdendo minha religião". George El Khouri Andolfato

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