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17/09/2006

Uma pitada retrô tempera receita italiana clássica da Fiat

The New York Times
Phil Patton
A Fiat deseja alguns poucos bons designers e está disposta a pagar.

The New York Times 
No alto, Austin Mini original; abaixo, Fiat Mini
Para a apresentação do 500, um carro pequeno que revive um nome de modelo e estilo repleto de lembranças, a empresa espera reacender a mesma devoção antes dedicada à família de carismáticos antepassados do 500.

A Fiat está oferecendo prêmios para encorajar as pessoas a apresentarem desenhos de mascotes, acessórios e sites visando chamar a atenção para o próximo 500. A campanha de marketing faz parte de um esforço para ligar o novo carro aos amados modelos do passado da empresa -modelos conhecidos por apelidos adoráveis como Topolino e Bambino.

O novo 500, que chegará ao mercado no final de 2007, visa ser um carro popular, uma classe de modelos atraentes, de baixo valor, que os americanos tendem a considerar como apenas pequenos. Mas com os preços mais altos da gasolina, o pequeno está ganhando terreno mesmo nos Estados Unidos; as montadoras estão se voltando para a Ásia e Europa em busca de modelos para importar ou copiar. O anúncio de que o carro Smart da DaimlerChrysler finalmente chegará aos Estados Unidos sugere que pode haver interesse por carros pequenos ao estilo europeu, como o 500, entre os motoristas americanos.

Em um empreendimento promocional com o designboom.com, um site que cobre muitos aspectos do design industrial, a campanha "Os 500 Querem Você" da Fiat está solicitando vídeos, conceitos e até mesmo fotos que lembrem o 500 original -qualquer coisa que venda o novo carro.

Entre os juízes da promoção estão o designer de moda Giorgio Armani; Luca Cordero di Montezemolo, o presidente da Fiat; Jasper Morrison, o designer de móveis; Gabriele Salvatores, um diretor de cinema; e Luca Trazzi, um executivo da Designboom. Pela primeira vez, disse Luca De Meo, gerente comercial e de marca da Fiat Auto, "um carro será criado pelo povo para o povo".

Deixe que as pessoas criem um carro popular, a Fiat está proclamando -ou pelo menos deixem que ajudem em sua promoção. Mas esta é a Itália, e tais coisas nem sempre são para serem entendidas literalmente. O concurso de design não trata do projeto do novo Fiat, mas sim sobre vendê-lo.

A Fiat já conta com um designer. Frank Stephenson veio da Ferrari para comandar o centro de design da Fiat em Turim, no ano passado. Antes disso, ele projetou o Mini Cooper para a BMW. Ambas as experiências são relevantes.

Seu trabalho é tornar o Trepiuno, um estudo de design para o novo 500 que foi apresentado no salão do automóvel de Genebra de 2004, em um carro de linha de sucesso -um que lembre um desenho clássico familiar.

O design é particularmente fundamental para o sucesso de pequenos modelos retrô de massa, em parte porque tais veículos possuem poucas outras formas de diferenciá-los. Os compradores são receptivos aos modelos reinterpretados, como demonstram o Novo Fusca da Volkswagen e o Mini Cooper.

O 500 é um sucessor do Topolino original, ou "ratinho", o carro popular italiano produzido entre 1936 e 55 e seu sucessor, produzido de 1957 a 75, chamado Bambino. Recentemente nomeado o "carro mais sensual" pela "Top Gear", uma revista britânica, o Bambino teve um papel no filme "Carros" da Pixar, como Luigi, o vendedor de pneus. Ele também foi chamado de 500 Nuova, o novo 500, o que torna o futuro Fiat o Novo Novo 500, para ser exato.

O Topolino original era um projeto de motor dianteiro e tração traseira, mecanicamente bem diferente da segunda geração, um carro de motor traseiro projetado por Dante Giacosa tão astutamente quanto sir Alec Issigonis projetou o Mini original. O próximo 500 terá tração dianteira.

O Mini e o 500 são carros de temperamento semelhante. Buscando o mesmo senso de personalidade, o Trepiuno foi criado pelo centro de design da Fiat antes da chegada de Stephenson. Ele foi claramente inspirado pela abordagem evolucionária aplicada por Stephenson ao Mini. Em ambos os casos, os projetistas tentaram imaginar como o novo carro se pareceria caso tivesse se desenvolvido ao longo das décadas, em vez de simplesmente atualizar um original "vintage" (de época).

Central para o sucesso do novo Fiat, disse Stephenson, será sua "italianidade". Ele acredita que todos amam o design, arte e culinária italianos. Um carro italiano de sucesso deve irradiar a cultura e inspirar amor e reconhecimento imediatos.

G. Clotaire Rapaille, um antropólogo que presta consultoria sobre motivação do comprador, concorda. Seu novo livro, "O Código Cultural", trata de arquétipos nacionais, as características distintas do cotidiano.

"O código cultural da Itália é o design", disse Rapaille. "Se trata de bela aparência, independente do que estiver fazendo."

A frase italiana relevante é "bella figura". Rapaille, que prestou
consultoria na criação do PT Cruiser para a Chrysler, acha que o concurso de design da Fiat é uma boa idéia.

Atualizar carros que se tornaram ícones é um desafio; atualizar atualizações pode ser ainda mais difícil. O Novo Fusca da VW tem pára-lamas menos bulbosos e faróis traseiros diferentes (e se você puder distinguir velho do novo enquanto passam a toda por você na estrada, bom para você). O estiloso Ka da Ford -vendido no exterior- tem 10 anos de idade e pouco mudou nas características básicas, apesar de ser regularmente revisado em edições especiais ao longo dos anos.

Uma nova edição do novo Mini Cooper será apresentada no salão do automóvel de Paris neste mês. Gert Hildebrand, o designer chefe do Mini, declarou a filosofia do novo design como sendo "do original para o original". Esta pode ser uma forma de dizer "tente distingui-los". O novo Mini é uma polegada e meia mais comprido para acomodar as exigências de segurança européias para pedestres e os motores. A grade é ligeiramente diferente e os faróis dianteiros agora contam com o que o Mini chama de "beauty spots" -lâmpadas secundárias.

Não é apenas o corpo adorável de buldogue do Mini que fez dele um sucesso, mas a variedade de opções oferecidas pelo carro -versões esportivas, pintura em dois tons, pacotes cromados e opções de volante. Esta personalização representava uma grande parte do apelo do Mini; o Mini tornou isto um negócio muito antes do Scion, a marca jovem da Toyota.

A Fiat tem a mesma idéia. Na Ferrari e na Fiat, Stephenson procurou por
novos materiais para personalizar os interiores. Madeira poderá em breve ser substituída nos painéis por granito ou madrepérola, ele sugeriu.

Personalizar é importante na atualização de um clássico, disse Rapaille. Na evolução de um clássico, ele disse, "não mude, acrescente". Ele é um crítico da forma como a Chrysler já mudou a frente agressiva do PT Cruiser.

"As empresas devem fazer o que as pessoas fazem naturalmente com seus
carros", ele disse. "Todos querem um carro que seja seu, um carro que diga 'eu sou assim'. Ninguém quer um carro do Wal-Mart."

Ou, em outras palavras, deixe as pessoas projetarem os carros populares.

As ambições da Fiat para seu concurso são globais. Os materiais postados no fiat500.com incluem dezenas de sugestões de mascote, baseados em vários animais, um ovo e o número cinco. Os vencedores serão mostrados no Salone de Mobili, o salão de móveis de Milão, no próximo ano.

A Fiat adoraria criar um equivalente de quatro rodas da scooter Vespa, um símbolo globalmente reconhecido do estilo italiano, visto no cinema e na moda, e que é amada, barata, eficiente no consumo de energia, boa para o ambiente urbano e imutável.

Se o novo 500 chegar mesmo que perto da Vespa, a Fiat poderá se sentir
inspirada a voltar ao mercado americano que abandonou há duas décadas.
Afinal, como colocou Rapaille, "o código americano para automóveis é
identidade". George El Khouri Andolfato

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