UOL Notícias Internacional
 

20/09/2006

Agentes da Cruz Vermelha visitam prisioneiros em Guantánamo

The New York Times
Neil A. Lewis

em Washington
Agentes da Cruz Vermelha planejam começar uma série de entrevistas particulares em Guantánamo Bay, Cuba, na segunda-feira (25/9) com os 14 prisioneiros que passaram até quatro anos sob custódia da CIA.

A visita da equipe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha será a primeira vez em que os presos, que incluem altos agentes da Al Qaeda como Khalid Shaikh Mohammed, poderão falar com alguma pessoa do mundo externo desde que foram presos.

Simon Schorno, autoridade da Cruz Vermelha Internacional em Washington, disse na terça-feira que cerca de 10 agentes experientes, incluindo tradutores, reunir-se-ão neste final de semana em Guantánamo e começarão suas entrevistas na segunda-feira.

"Esperamos poder falar em particular com qualquer detento de nossa escolha", disse Schorno.

A prioridade, disse ele, será entrevistar os 14 prisioneiros recém transferidos, avaliar suas condições e "dar a eles meios de comunicação com suas famílias por mensagens da Cruz Vermelha".

Entretanto, qualquer informação que venham a dar sobre como foram tratados sob custódia da CIA não será divulgada tão cedo. Sob o acordo que permite que os agentes conversem com os prisioneiros, a Cruz Vermelha concordou que não vai falar publicamente sobre o que descobrir. Qualquer reclamação sobre maus tratos será entregue ao governo americano e não se tornará pública, exceto em raras circunstâncias.

Se os prisioneiros quiserem divulgar como foram tratados nas mãos da CIA, provavelmente terão uma oportunidade mais tarde, se forem acusados de crimes de guerra como prometeu o presidente Bush. Apesar de a Casa Branca e o Congresso ainda estarem lutando para aprovar o estabelecimento de tribunais militares, todo acusado receberá um advogado militar.

A esta altura, os presos poderão contratar advogados de defesa civis, como fizeram outros em Guantánamo. Os advogados de defesa então, poderão levantar a questão de tratamento de seus clientes enquanto estavam sob custódia da CIA.

Autoridades do Centro de Direitos Constitucionais dizem que já estiveram conversando com meia dúzia de importantes advogados que expressaram interesse em defender os principais réus da Al Qaeda. O centro, um grupo de direitos humanos em Nova York, foi em grande parte responsável por organizar a representação legal para mais de 400 presos em Guantánamo.

"Há advogados fazendo fila para esses casos", disse Bill Goodman, diretor jurídico do centro, em entrevista.

Goodman disse que o grupo de advogados envolvidos nas discussões preliminares foi composto de profissionais hábeis e experientes, apesar de recusar-se a dar nomes.

Os advogados terão que sustentar a carga de representar um cliente considerado repreensível além de agüentar uma grande obrigação financeira, disse Goodman.

"Clientes impopulares são um distintivo de honra para os advogados que acreditam que todo mundo merece ser representado", disse ele.

Enquanto aparecem advogados de todo o espectro questionando a detenção de desconhecidos em Guantánamo, a tarefa neste caso será representar um novo grupo de presos que inclui membros indiscutíveis da Al Qaeda. Khalid Shaikh Mohammed, por exemplo, é considerado o principal planejador dos ataques de 11 de setembro.

"Estou confiante que poderemos recrutar advogados sérios para representar essas pessoas", disse Goodman. "A classe compreende esse compromisso básico."

O que em geral ocorreu nos casos de outros prisioneiros de Guantánamo é que um membro da família contratou um advogado privado para trabalhar com o advogado de defesa militar.

Os prisioneiros poderão expressar seus desejos por um advogado privado na carta aos seus parentes que terão permissão de enviar por meio da Cruz Vermelha. A correspondência em geral é limitada a parentes dos prisioneiros, apesar de haver exceções.

As cartas, em um formulário padrão da Cruz Vermelha, são censuradas no caminho entre o prisioneiro e seus parentes.

Autoridades militares recusaram-se a descrever as condições sob as quais os novos prisioneiros em Guantánamo estão sendo mantidos, disseram apenas que estão em instalações "modernas e seguras". Essa descrição parece se aplicar ao Campo Seis, o único murado e moderno no centro de detenção. O Campo Seis tem celas solitárias, controladas e monitoradas eletronicamente. Deborah Weinberg

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