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21/09/2006

Sentimento do eleitor contra o Congresso é o maior desde 94

The New York Times
Adam Nagourney e Janet Elder*

da Redação
Faltando menos de sete semanas para as eleições, os americanos têm uma visão esmagadoramente negativa do Congresso controlado pelos republicanos, com maiorias substanciais dizendo que discordam do trabalho que está fazendo e que seus membros não merecem reeleição, segundo a mais recente pesquisa "New York Times/CBS News".

O desprezo pelo Congresso é o mais intenso desde 1994, quando os republicanos conquistaram 52 cadeiras e encerraram 40 anos de controle democrata na Câmara e também retomaram o Senado. Ele acentua o desafio enfrentado pelo Partido Republicano na tentativa de se manter no poder diante de tal sentimento negativo.

Por amplas margens, os entrevistados disseram que os membros do Congresso estiveram ligados demais a interesses especiais e que não entendem as necessidades e problemas dos americanos comuns. Dois terços disseram que o Congresso realizou menos do que o normal em um período de dois anos; a maioria disse não saber citar nenhuma legislação importante aprovada por este Congresso. Apenas 25% disseram aprovar a forma como o Congresso está realizando seu trabalho.

Mas o descontentamente geral com o Congresso ou Washington não indica necessariamente como alguém votará quando se deparar na cédula com o nome familiar de seu representante no Congresso. Os democratas enfrentam obstáculos substanciais na tentativa de repetir o que os republicanos conseguiram em 1994, incluindo uma vantagem financeira republicana e o fato de menos cadeiras estarem sendo disputadas.

A pesquisa também revelou que o presidente Bush não melhorou sua posição ou a de seu partido em sua intensa campanha de discursos e eventos em torno do quinto aniversário dos ataques de 11 de setembro. Os discursos estavam no coração da estratégia republicana de colocar a segurança nacional em primeiro plano nas eleições de novembro.

O índice de aprovação de Bush foi de 37% na pesquisa, virtualmente inalterado em comparação à última pesquisa "Times/CBS News", em agosto. Em uma questão que tem sido um baluarte para Bush, 54% disseram aprovar a forma como ele está conduzindo o esforço para combater o terrorismo, novamente inalterado em relação ao mês passado, apesar de um aumento em relação ao segundo trimestre.

Os republicanos continuam mantendo uma ligeira vantagem sobre os democratas em qual partido lida melhor com o terrorismo, apesar de tal vantagem não ter crescido desde o mês passado, mesmo com a enxurrada de discursos sobre segurança nacional, incluindo um realizado no Escritório Oval, na noite de 11 de setembro.

Mas a pesquisa "Times/CBS News" revelou um ligeiro aumento no percentual de americanos que dizem aprovar a forma como Bush está conduzindo a guerra no Iraque, de 30% para 36%. Os resultados também sugerem que após a queda no segundo trimestre, o índice de aprovação de Bush em economia e política externa retornaram aos níveis de um ano atrás, ambos em 37%. O número de pessoas que consideraram o terrorismo a questão mais importante enfrentada pelo país dobrou de 7% em julho para 14% na nova pesquisa; 22% citaram a guerra no Iraque como maior preocupação, pouco diferente de julho.

Em toda parte, a pesquisa encontrou profundo desencanto com o Congresso, acentuando a oportunidade que os democratas têm de argumentar por uma mudança de liderança e tornar a eleição um referendo nacional da atuação de Bush e do Congresso controlado pelos republicanos.

Em um resultado notável, 77% dos entrevistados -incluindo 65% de
republicanos- disseram que a maioria dos membros do Congresso não fez um trabalho bom o suficiente para merecer reeleição e que é hora de dar chance a novas pessoas. Este é o maior número de eleitores dizendo "hora de novas pessoas" desde o segundo semestre de 94.

"Você elege algumas pessoas e elas ficam lá para sempre", disse Jan Weaver, uma moradora de Aberdeen, Dakota do Sul, que se descreveu como uma eleitora republicana, em uma entrevista posterior. "Elas estão muito fora de contato com a realidade."

Na pesquisa, 50% disseram que apoiariam um democrata nas eleições de novembro ao Congresso, em comparação a 35% que disseram que apoiariam um republicano. Mas a pesquisa revelou que os democratas continuam tendo dificuldade em argumentar por uma transferência do controle do governo; apenas 38% disseram que os democratas têm um plano claro para a condução do país, em comparação a 45% que disseram que os republicanos oferecem um plano claro.

Além disso, apesar de 61% dos entrevistados terem dito que desaprovam a forma como o Congresso está exercendo sua função, apenas 29% disseram desaprovar a forma como seu "representante está exercendo seu trabalho".

Apesar da clara insatisfação com o 109º Congresso, 39% dos entrevistados disseram que seu representante merece a reeleição, em comparação a 48% que disseram ser hora de alguém novo. Além disso, parece altamente improvável que os democratas experimentarão uma vitória semelhante àquela que os republicanos experimentaram em 94. A maioria dos analistas considera que apenas 40 cadeiras da Câmara estão em jogo no momento, em comparação a mais de 100 a esta altura 12 anos atrás, em grande parte porque a redistribuição dos distritos criou mais cadeiras seguras para ambos os partidos.

A pesquisa "New York Times/CBS News" teve início na sexta-feira, quatro dias após a comemoração do quinto aniversário dos ataques de 11 de setembro, e duas semanas após a Casa Branca dar início à sua ofensiva em questões de segurança. Uma pesquisa "USA Today/Gallup" publicada na terça-feira apontou que o índice de aprovação de Bush saltou de 39% para 44%. As entrevistas para tal pesquisa foram realizadas até domingo; a pesquisa "Times/CBS News" concluiu suas entrevistas na noite de terça-feira. Os discursos presidenciais costumam produzir mudanças na opinião pública que tendem a ser transitórias. A pesquisa nacional foi conduzida por telefone de sexta até terça-feira. Ela incluiu 1.131 adultos, dos quais 1.007 disseram estar registrados para votar, e apresenta margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa revelou indícios de que os eleitores parecem incomumente intrigados com esta eleição: 43% disseram estar mais entusiasmados do que o habitual em votar. Mas com o comparecimento prometendo ser um fator crítico em muitas das disputas apertadas para Câmara e Senado, não há sinal de que um partido tenha uma vantagem em termos de entusiasmo do eleitor.

A evidência de antipatia em relação ao Congresso em particular -e Washington em geral- foi abundante. Entre os entrevistados, 71% disseram não confiar que o governo fará a coisa certa.

"Se tivesse sangue novo, então as pessoas que os influenciam -os lobistas- talvez não fossem tão influentes", disse Norma Scranton, uma republicana de Thedford, Nebraska, após participar da pesquisa. "Eles não se preocupam com nosso interesse por estarem influenciados por estes lobistas. Se fossem novos, talvez eles tentariam agradar seus eleitores um pouco mais."

Lois Thurber, um republicano de Axtell, Nebraska, disse na entrevista
posterior: "Há tanta briga, tanto desentendimento, que simplesmente não podem se unir em certos assuntos".

"Eles estão mais preocupados com eles mesmos do que com o país", acrescentou Thurber.

Por todo o país, os detentores de cargos e seus concorrentes estão tentando acomodar este sentimento ruim. Os democratas estão se apresentando como um recomeço -"Não é hora de uma mudança?" pergunta a propaganda do Comitê Democrata de Campanha ao Senado direcionada contra o senador Jim Talent, republicano do Missouri.

E legisladores republicanos estão tentando se distanciar dos republicanos em Washington. "Eu me posiciono contra o presidente e a liderança republicana quando acho que estão errados", diz o deputado Chris Shays, um republicano de Connecticut envolvido em uma acirrada batalha pela reeleição, em uma propaganda de televisão exibida em seu Estado nesta semana.

O Partido Republicano continua sendo considerado o melhor para lidar com o terrorismo, mas nem de perto próximo da margem que antes desfrutava: agora são 42% contra 37%. Quando perguntados sobre que partido leva a ameaça do terrorismo mais a sério, 69% disseram ambos; 22% citaram os republicanos e 6% apontaram os democratas.

Os eleitores disseram que os democratas apresentam uma maior probabilidade de dizer a verdade que os republicanos quando o assunto é guerra no Iraque e a atual ameaça de terrorismo. E 59% dos entrevistados disseram que Bush estava escondendo algo quando falou sobre o andamento das coisas no Iraque, enquanto outros 25% disseram que ele em geral mente quando fala sobre a guerra.

Não que algum democrata possa tirar proveito disto: 71% dos entrevistados disseram acreditar que os democratas no Congresso estavam escondendo algo quando falaram em quão bem as coisas estavam indo no Iraque, enquanto 13% disseram que estavam em geral mentindo.

Robert Allen, um democrata de Ventura, Califórnia, disse: "Nós estamos
paralisados no momento. Eles não estão fazendo praticamente nada".

"É hora de eleger um grupo novo para que possam fazer algo", disse Allen.

Como a pesquisa foi realizada

A mais recente pesquisa "New York Times/CBS News" se baseou em entrevistas por telefone realizadas entre 15 e 19 de setembro, com 1.131 adultos por todo o país. Destes, 1.007 disseram estar registrados para votar.

A amostra de centrais telefônicas chamadas foi selecionada aleatoriamente por um computador, entre uma lista completa de mais de 42 mil centrais telefônicas residenciais ativas por todo o país. As centrais foram escolhidas de forma a assegurar que cada região do país estivesse representada na proporção de sua população.

Dentro de cada central, dígitos aleatórios foram acrescentados para
completar o número do telefone, permitindo assim o acesso a números listados e não listados. Dentro de cada lar, um adulto foi designado por processo aleatório para ser o entrevistado para a pesquisa.

Os resultados foram compensados para levar em consideração o tamanho do lar e o número de linhas telefônicas na residência, assim como para corrigir variações na amostra ligadas a região geográfica, sexo, raça, estado civil, idade e formação.

Em teoria, em 19 casos entre 20, os resultados gerais baseados em tais
amostras divergirão não mais do que três pontos percentuais em cada direção em comparação ao que seria obtido entrevistando todos os americanos adultos. Para subgrupos menores, a margem de erro de amostragem é maior. Variações nos resultados entre pesquisas com o passar do tempo também apresentam uma maior margem de erro de amostragem.

Além de erro de amostragem, as dificuldades práticas na realização de
qualquer pesquisa de opinião pública podem introduzir outras fontes de erro na pesquisa. Variação na formulação e ordem das perguntas, por exemplo, podem levar a resultados ligeiramente diferentes.

*Michael R. Kagay, de Princeton, Nova Jersey, auxiliou o "The Times"em sua análise da pesquisa. As perguntas e os resultados completos estão
disponíveis em nytimes.com/polls e Megan C. Thee, Marjorie Connelly e Marina Stefan contribuíram com reportagem em Nova York. George El Khouri Andolfato

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