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24/09/2006

Arte cinética que realmente move você

The New York Times
Ted West
em Watkins Glen, Nova York
Criar um supercarro veloz como foguete, de classe mundial, que também seja utilizável, confiável e sensível ao dia a dia é como pedir a um expressionista abstrato um pintura convencional. Ele poderia fazê-lo por um momento ou dois caso você pedisse educadamente, manchando com azul cobalto aqui e castanho amarelado ali. Mas o tempo todo ele ansiará por espirrar tinta na tela -não com pincel, mas com um balde.

The New York Times 
Além de ser um supercarro por essência, o Porsche 911 Turbo também te leva ao mercado


O que nos traz ao Porsche 911 Turbo 2007. Por mais caro e exótico que possa ser, em relação a um Camry ou um Cobalt, ele ainda pretende ser uma espécie de carro convencional -confiável, sólido, constante. Ele deve correr no calor, frio e gelo, ano após ano após ano.

Então por que o Turbo, David Murray e eu estamos correndo pela pista de corrida de Watkins Glen à plena velocidade, a 250 km/h? Uma explicação poderia ser a de que David Murray é um corredor profissional e sabe o que está fazendo.

Mas não é ele que está dirigindo! Ele está fazendo comentários, enquanto atrás do volante, eu me monitoro para os sinais iniciais de um enfarte.

"É fantástico, não?" disse Murray com sua fala arrastada da Geórgia. "Se este carro tivesse slicks", ele acrescentou, se referindo aos pneus de corrida, "ele correria aqui tão rapidamente quanto meu carro!" Seu carro de corrida é um Porsche 911 GT3, o mais rápido 911 que existe.

Após a primeira passagem pelo box, eu pisei forte nos freios -mas cedo
demais. Os imensos discos de cerâmica de 28 centímetros nos param como se tivéssemos atingido um pilar de ponte.

"Demais não?" disse Murray, radiante.

Demais. Esta carro de rua totalmente dócil age como um carro de corrida dedicado. Ele acelera com um poder explosivo de disparo de rifle, então pára como uma bala atingindo uma árvore. O Porsche Turbo combina Jackson Pollock com uma pintura convencional. Ele vibra pela cidade a 48 km/h, pincelando azul cobalto como uma aula de pintura em um centro da terceira idade. Mas diga uma palavra e ele despejará baldes de tinta maniacamente, como um imitador de Pollock que bebeu café demais.

Este novo carro reinventa a lendária linha Turbo da Porsche. Desde o
primeiro Turbo de 261 cv em 1975, a Porsche lança uma versão nova, mais
quente, em intervalos de poucos anos. Em 1995, o Turbo tinha 408 cv, e 450 cv em 2000. O mais recente Turbo conta com sensacionais 480 cv em 6.000 rpm, combinado com um torque sensacional de 63,8 kgmf, disponíveis de forma ininterrupta de 1.950 a 5.000 rpm.

E uma função especial "overboost" (pressão extra do turbo) de 10 segundos por vez produz positivamente lascivos 70,1 kgmf. É um trabalho do diabo. "O último Turbo era fantástico", disse Murray. "Então eles realizaram estas melhorias. Isto faz você pensar no que mais pode fazer."

Murray é um instrutor de direção da Porsche, de forma que sua fidelidade é clara. Mas seu comentário é mais do que uma propaganda. Além de acrescentar assessórios, o que mais a Porsche pode fazer? Uma performance ainda mais escandalosa em um carro de linha é difícil de fantasiar.

Central para extração do impulso explosivo do Turbo é a tração nas quatro rodas, e isto nunca foi mais verdadeiro do que no novo modelo. Com a tração nas quatro rodas e peso de 1.620 kg (com transmissão automática Tiptronic S de cinco velocidades, ou 1.585 kg com manual de seis marchas), ele acelera a 96 km/h em 3,4 segundos. Isto é assustadoramente próximo do imortal carro de corrida campeão mundial Porsche 917K, que atingiu 96 km/h em 2,8 segundos.

Surpreendentemente, a transmissão automática é mais rápida que a manual, que atinge 96 km/h em lentos 3,7 segundos.

A transmissão Tiptronic S pode ser deixada no modo totalmente automático ou mudada com botões para polegares no volante. De qualquer forma, a mudança relâmpago mantém os turbochargers gêmeos em plena força, comandando a potência máxima do motor. A Tip S é tão boa que, na pista, Murray disse: "Deixe apenas na automática -é mais rápido".

Sem hesitar, a Tiptronic S reduz a marcha quando você está freando ou em ladeiras, e se os pneus perdem aderência em uma curva (eles perdem), ele aumenta a marcha automaticamente para reduzir o giro em falso e restaurar a aderência. Funcionando em conjunção com a tração nas quatro rodas e com o sistema de Controle de Estabilidade da Porsche, o controle é restaurado antes que você saiba que algo está errado.

Este novo hardware de tração nas quatro rodas, substituindo o sistema
anterior de acoplamento viscoso, é eletronicamente controlado,
proporcionando fantástica estabilidade mesmo quando eu, na direção, estava fazendo trapalhadas. Após poucas voltas, eu comecei a pensar: "Ei, eu sou bom nisto".

Errado. São os sistemas de direção do Turbo. Eles é que são brilhantes.

Sim, mas e quanto ao comportamento do Turbo na mundana aula de pintura
convencional? O melhor cavalete na Costa Leste para testar a tolerância do Turbo em situações cotidianas é a Interestadual 95 -horas nela no alto verão, a caminho de Cape Hatteras, Carolina do Norte.

O limite de velocidade é de 100 km/h, mas esquadrões de cidadãos ultrapassam os 130 km/h -café pequeno para o Turbo.

Mantido na marcha mais alta -meu Turbo na I-95 estava em transmissão manual- arrancou sem esforço de 1.500 rpm e iria diretamente aos 310 km/h, sua velocidade máxima, se eu permitisse. Mas rodando 464,9 km na marcha mais alta com o controle de cruzeiro ajustado a 120 km/h, eu obtive 10 km por litro. Nada mal para um foguete movido a combustível líquido.

De acordo com sua natureza de elite (e preço de elite: US$ 123.695 básico, US$ 142.510 o testado), os confortos do Turbo são pródigos. Os assentos de couro de bege areia do carro teste eram confortáveis e equilibrados, com apoio lombar que era uma dádiva após horas na Interestadual. Ele contava com um sistema de navegação por DVD e uma soberbo equipamento de som Bose.

Para evitar ser parado por policiais rodoviários em um carro tão facilmente veloz, o controle de cruzeiro é indispensável. Mas o controle de cruzeiro não é adaptativo -isto é, ela não monitora a distância entre você e o carro à frente. Cruzeiro adaptativo pode ser agradável em um carro de US$ 142 mil, mas a Porsche é fiel à noção de que motoristas de carros esporte devem prestar atenção no trânsito à sua volta. Uma noção peculiar, eu sei.

Um toque na alavanca do controle de cruzeiro adiciona ou subtrai exatamente 1,6 km/h. O grande velocímetro analógico vai até 362 km/h, mas em sua escala a distinção entre 112 km/h (70 milhas por hora) e 120 km/h (75 mph) é praticamente ilegível. O velocímetro digital no centro do painel é vital.

O ar-condicionado do Turbo foi excelente durante todo um dia de 39º C. Entre outras características, no console central ao lado do ajustador do spoiler traseiro há um ajuste de absorção de choque. Num segundo, os choques vão de confortáveis a duros como pista de corrida. Ajustado em "esporte", o controle permite que o carro deslize mais antes que o sistema de estabilidade aplique os freios e reduza a aceleração do motor.

Se você pensar que é realmente bom, o Controle de Estabilidade do Porsche pode ser desativado totalmente até que o Turbo detecte uma frenagem de pânico.

Mas cuidado. O Controle de Estabilidade é quase certamente um motorista
melhor do que você.

Chegando à Carolina do Norte sem escolta legal, eu escutei o sistema de
escapamento e os turbochargers gêmeos resfriarem. Os enormes pneus
dianteiros e mesmo os ainda mais enormes pneus traseiros (a pressão deles é monitorada enquanto você dirige) ficam sob musculosos e arredondados pára-lamas, dando ao Turbo a posição de um autêntico concorrente da Ferrari. O spoiler móvel, que se levanta automaticamente para se tornar uma asa com dois elementos, é aerodinamicamente necessário em velocidade.

Meu carro de teste azul cobalto metálico reluzia com uma luminescência
púrpura elegante que me fazia olhar para ele repetidas vezes. A bela
pintura, e o restante do 911 Turbo, pode se mover tão tímida e
obedientemente quanto um idoso pintando de forma convencional. Mas quando as circunstâncias permitem, o 911 Turbo pincelará cores tão grandes e ousadas quanto qualquer carro de alta performance do planeta. George El Khouri Andolfato

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