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02/10/2006

Presidente em dificuldades do Brasil não consegue vitória no primeiro turno

The New York Times
Larry Rohter

No Rio da Janeiro
O presidente em dificuldades do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou em primeiro lugar na eleição presidencial realizada aqui no domingo, mas ficou aquém da maioria necessária para evitar o segundo turno em 29 de outubro.

Com mais de 99,2% dos votos apurados até a madrugada de segunda-feira, Lula, que teve sua vantagem abalada por um escândalo de corrupção e ética de última hora, estava com 48,65% dos votos. O mais competitivo de seus sete adversários, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), estava mais próximo do que o esperado, com 41,6% dos votos.

Alckmin ficou em primeiro lugar nos Estados mais industrializados, modernos e prósperos do sul do Brasil, incluindo seu Estado natal, São Paulo, com 40 milhões de habitantes, o maior deste país de 185 milhões. Lula, o ex-líder sindical e metalúrgico de 60 anos, se saiu melhor nos Estados mais pobres do Nordeste do país, sua região natal, onde ficou com mais de dois terços dos votos.

Fazendo campanha com uma plataforma de justiça social e governo limpo, Lula e seu Partido dos Trabalhadores (PT) de esquerda obtiveram uma vitória por grande margem há quatro anos. Mas seu governo foi marcado por um escândalo atrás do outro, de planos multimilionários para compra de apoio de membros do Congresso a contratos manipulados para compra de derivados de sangue.

Todavia, Lula parecia certo de que conquistaria a reeleição no primeiro turno até o estouro do escândalo do dossiê há duas semanas. Foi quando membros do PT foram pegos tentando pagar mais R$ 1,75 milhão em dinheiro por informações que achavam que poderiam incriminar o partido de Alckmin em um escândalo de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo fraude na compra de ambulâncias.

Os líderes do PT tentaram dar um aspecto positivo ao resultado que esperavam evitar. "Eu quero reafirmar que sempre estivemos preparados para o segundo turno", disse Marco Aurélio Garcia, que se tornou diretor de campanha de Lula há menos de duas semanas, após seu antecessor ter sido forçado a deixar o cargo devido ao escândalo do dossiê.

Alckmin, um médico e ex-governador cujo apoio aumentou 10 pontos nas pesquisas após o escândalo do dossiê, estava jubiloso com a repentina reação e previu que "a ética derrotará a corrupção" no segundo turno. "Lula teve sua chance", ele disse a simpatizantes em São Paulo. "Uma nova equipe poderá fazer mais pelo Brasil."

A divisão do maior país da América Latina em dois grupos iguais, um pró-Lula, outro contrário a ele, estava refletida em uma zona eleitoral na Tijuca, um bairro de classe média daqui, na segunda maior cidade do Brasil.

Após dar seu voto na tarde de domingo, Etevaldo Mello e sua esposa, Fernanda Bandeira, se viram em campos opostos.

"Eu votei no Lula em 2002, mas não vou cometer o mesmo erro de novo", disse Etevaldo, um analista de sistemas de 40 anos. "Ele não fez o que prometeu e tudo o que tivemos foi corrupção. Eu perdi minha esperança e fé nele."

Mas Fernanda, uma assistente social de 39 anos, disse manter seu apoio a Lula. "Sempre houve corrupção, mas ao menos Lula a trouxe à luz do dia e está tentando combatê-la", ela disse. "E ele fez mais pelos pobres do que todos antes dele."

Outros eleitores que se descreveram como indecisos durante a campanha citaram dois desdobramentos de última hora como motivo para terem optado por votar contra o presidente. Vários disseram que ficaram ofendidos com sua não participação no debate de candidatos na noite de quinta-feira, enquanto outros disseram ter ficado enojados com as fotos publicadas no sábado das pilhas de dólares e reais apreendidas com os membros do PT no caso do dossiê.

"Eu não votei em Alckmin; eu votei contra o Lula e a corrupção ao redor dele", disse José Reis, um vendedor de 39 anos entrevistado em Madureira, um bairro operário daqui. "Há escândalos demais e isto está prejudicando o país."

Como em todos os escândalos anteriores durante os últimos 18 meses, Lula disse que não sabia das imposturas dos membros de seu partido no caso do dossiê. Entre os investigados no incidente estão o guarda-costas de longa data de Lula e o marido de sua secretária pessoal.

A eleição ocorreu no país sob o triste sentimento causado pela queda de um avião de passageiros na floresta Amazônica, com 155 pessoas a bordo, na sexta-feira. George El Khouri Andolfato

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