UOL Notícias Internacional
 

04/10/2006

Brasil apreende passaportes dos dois pilotos americanos

The New York Times
Paulo Prada, no Rio

Matthew L. Wald, em Washington
Um juiz brasileiro ordenou na noite de segunda-feira que a polícia confiscasse os passaportes dos dois pilotos americanos que estavam no comando do jato executivo que aparentemente colidiu com um avião comercial na última sexta-feira. O avião comercial caiu, matando todas as 155 pessoas a bordo, mas o jato executivo conseguiu pousar em segurança.

A ordem faz parte de uma investigação judicial que faz uso das informações técnicas dos investigadores do acidente para determinar se negligência ou desrespeito às instruções do controle de tráfego aéreo levaram à colisão sobre a floresta Amazônica.

Várias teorias encionadas pelos investigadores, disseram as autoridades, sugerem que os pilotos da aeronave menor se desviaram propositadamente da altitude estabelecida e entraram inadvertidamente no percurso do avião comercial, um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, a segunda maior companhia aérea do Brasil.

O juiz em Peixoto de Azevedo, a cidade no Estado central do Mato Grosso, a mais próxima do local da queda, emitiu a ordem para confisco dos passaportes dos pilotos à pedido do promotor local. Segundo a lei brasileira, os promotores podem investigar mortes por acidente assim como crimes.

Apesar dos pilotos não terem sido acusados de nenhuma transgressão, a ordem foi emitida como "medida preventiva", disse Célio Wilson de Oliveira, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública. Adriano Alves, o promotor, disse em uma entrevista por telefone que a apreensão dos passaportes dos pilotos foi "necessária para assegurar que duas testemunhas importantes permaneçam no Brasil até o término da investigação".

O maior mistério no acidente continua sendo como duas aeronaves modernas não conseguiram detectar uma à outra ou alertar os controladores de tráfego aéreo de um trajeto de vôo perigoso. Assim como o Boeing, que estava em seu primeiro mês de serviço, o jato executivo, um Embraer Legacy 600, estava equipado com um dispositivo de alerta chamado Sistema de Alerta de Tráfego e Evitamento de Colisão.

Determinar que alerta os sistemas deram será fácil se as gravações de voz da cabine estiverem disponíveis, porque o alerta é dado por uma voz mecânica. Se a gravação do áudio não estiver disponível, o gravador de dados do vôo também poderia dar pistas, já que registraria as manobras do avião feitas pelos pilotos, talvez em resposta a um alerta.

Como os registros de voz e dados do Legacy ainda não forneceram informação suficiente para explicar conclusivamente a colisão, as autoridades esperam que novas pistas venham das caixas pretas recuperadas entre os destroços do Boeing, na segunda-feira. mas os investigadores disseram na terça-feira que têm apenas partes das caixas e que não sabem se poderão recuperar informações de dados ou voz.

Os investigadores forneceram publicamente poucos detalhes sobre suas descobertas até o momento.

Mas Alves, o promotor, disse que seu gabinete dispõe de informação dos
investigadores sugerindo que também estão considerando várias teorias que atribuiriam a culpa aos pilotos do avião menor, que estava voando de São José dos Campos, no sudeste do Brasil, na direção norte rumo a Manaus, no centro do Amazonas. "Várias hipóteses apontam para possibilidade de erro do piloto", disse.

Uma teoria, disse Alves, sustenta que os pilotos ignoraram as instruções paras descer dos 37 mil pés (11.277 metros) para 36 mil pés (10.972 metros) assim que passaram por Brasília, a capital do país. Outra, ele disse, sugere que os pilotos, sem alertar os controladores, decidiram voar a uma maior altitude do que deveriam em um esforço para evitar turbulência, poupar tempo ou combustível.

Desde o acidente, os dois pilotos -Joe Lepore, 42 anos, de Bay Shore, Nova York, e Jan Paladino, 34 anos, de Westhampton, Nova York- continuam no Brasil para interrogatório pelas autoridades locais e, na terça-feira, estiveram no Rio para exames médicos. Funcionários da ExcelAire Service Inc., uma empresa de vôos charter em Ronkonkoma, Nova York, eles estavam pilotando o jato executivo fabricado no Brasil em seu vôo inaugural rumo aos Estados Unidos.

Lisa Hendrickson, uma porta-voz da ExcelAire, disse que os pilotos dispõem de advogados no Brasil e que a empresa, em cumprimento às regulamentações de aviação americanas, não pode comentar a investigação. Maryanne McKay, uma assessora de imprensa do consulado americano no Rio, disse que os dois pilotos estão cooperando com as autoridades brasileiras. Alessandre Reis, um porta-voz da polícia federal do Brasil, disse que as autoridades ainda não confiscaram os dois passaportes, mas que isto deve ocorrer na quarta-feira.

Na terça-feira, as equipes de resgate prosseguiam trabalhando no local da queda do Boeing, recuperando os restos mortais de cerca de 30 vítimas, incluindo o piloto e co-piloto da Gol, que se encontravam nos destroços da cabine. Usando aviões de carga e helicópteros para ter acesso à área, os trabalhadores estão transportando os restos mortais para uma estação de comando próxima, de onde são enviados para um laboratório em Brasília para identificação final. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,28
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host