UOL Notícias Internacional
 

13/10/2006

EUA e China divergem sobre reação à Coréia do Norte

The New York Times
John O'Neil, de Nova York

e Choe Sang-Hun, de Seul
Os EUA abrandaram sua proposta de resolução na ONU sobre a Coréia do Norte, mas a China pareceu recuar na quinta-feira de seu apoio anterior às sanções mais duras, levantando dúvidas sobre a perspectiva de uma rápida ação do Conselho de Segurança.

A nova resolução americana, que seria apresentada formalmente na quinta-feira, declararia as ações norte-coreanas uma ameaça à paz e estabilidade internacionais e exigiria que os países congelassem ativos relacionados aos programas nuclear e de mísseis de Pyongyang e proibissem a venda ou transferência de materiais que pudessem ser usados neles. Também proibiria as viagens de pessoas envolvidas nesses programas e a venda de produtos de luxo usados para recompensar a elite do regime, disseram diplomatas no final da quarta-feira.

Mas, ao contrário da versão anterior, não exigiria inspeções de todas as cargas que entram e saem da Coréia do Norte ou o congelamento de ativos relacionados a contrabando ou narcóticos, que as autoridades americanas dizem ser as principais fontes do dinheiro necessário para financiar os programas de armas. As exigências japonesas de proibição da entrada de navios ou aviões norte-coreanos em outros países também foram abandonadas.

Em Pequim, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores pareceu recuar na quinta-feira de uma declaração feita na terça pelo embaixador do país na ONU em defesa de sanções "punitivas".

"É necessário expressar claramente à Coréia do Norte que o teste nuclear é a prática errada", disse o porta-voz, Liu Jianchao. "Quanto às medidas a se tomar, creio que as medidas em si não são ações punitivas", ele disse. "Pode-se dizer que a punição não é o objetivo."

Na Coréia do Sul surgiu na quinta-feira uma séria disputa política sobre como reagir ao teste nuclear. A Coréia do Sul e a China, que fornecem ao Norte grandes quantidades de ajuda e são seus únicos parceiros comerciais significativos, são os únicos países em condições de exercer uma pressão financeira séria contra Pyongyang.

Sem sua participação ativa, as sanções terão impacto limitado, dizem analistas. Mas a divisão interna deixa o presidente Roh Moo-hyun, da Coréia do Sul, sem um consenso enquanto se prepara para encontrar o presidente chinês, Hu Jintao, em Pequim na sexta-feira.

Depois de dias de discussões, o Parlamento sul-coreano aprovou na quinta-feira uma resolução condenando o teste nuclear da Coréia do Norte. Mas alguns legisladores do partido do governo criticaram a resolução porque não mencionou a "responsabilidade dos EUA" pela crise.

O Grande Partido Nacional, o principal de oposição, também não ficou contente; emitiu uma declaração separada exigindo o fim de dois projetos conjuntos com o Norte - o projeto turístico da Montanha do Diamante, para o qual a Coréia do Sul forneceu à do Norte mais de US$ 900 milhões desde 1998, e um complexo industrial em Kaesong, onde fábricas sul-coreanas produzem roupas e utensílios de cozinha com mão-de-obra barata do Norte.

Ao mesmo tempo, um importante líder do partido no governo da Coréia do Sul advertiu contra a adesão à Iniciativa de Segurança de Proliferação, liderada pelos americanos, que pretende interceptar navios norte-coreanos suspeitos de transportar material bélico.

A participação de Seul na iniciativa "poderia funcionar como o estopim de um choque militar", disse o líder Kim Keun-tae em uma reunião com ministros.

Em outro sinal de uma divisão entre Seul e Washington, o ministro sul-coreano encarregado de relações com a Coréia do Norte, Lee Jong-seok, disse ao Parlamento na quinta-feira que as negociações, assim como as sanções, são necessárias porque "a Coréia do Norte não é um país que se consiga abrir somente com pressão e sanções".

A incapacidade de Seul de tomar uma decisão rápida, o que contrasta acentuadamente com a rápida proibição do Japão às importações e aos navios da Coréia do Norte, reflete uma divisão entre os sul-coreanos sobre como conciliar sua chamada Política Ensolarada - de engajamento da Coréia do Norte - com a pressão americana por um bloqueio econômico a Pyongyang.

Uma autoridade norte-coreana advertiu o Japão na quinta-feira de que o regime tomará "fortes medidas" se Tóquio mantiver as duras sanções unilaterais contra a Coréia do Norte que anunciou no final de quarta-feira.

"O conteúdo específico ficará claro se você continuar observando", disse o embaixador norte-coreano encarregado de relações com o Japão, Song Il Ho, à agência de notícias Kyodo em Pyongyang. "Nunca usamos palavras vazias."

A Coréia do Norte abalou os japoneses em 1998 ao disparar um míssil que voou sobre o Japão e caiu no Pacífico.

Em Nova York, o embaixador americano na ONU, John Bolton, disse esperar uma votação sobre o rascunho até sexta-feira, mas reconheceu que "persistem diferenças".

O novo rascunho americano ainda invoca o Capítulo 7 da Carta da ONU. Mas o embaixador chinês na organização em Nova York, Wang Guangya, disse na quarta-feira que Pequim quer restringir a referência ao Capítulo 7 a seu Artigo 41, que prevê penalidades econômicas, corte de relações diplomáticas ou proibição de viagens aéreas, mas não medidas militares. A China também desejaria que o alcance das sanções fosse mais restrito.

Colaborou Warren Hoge, de Nova York EUA abrandam proposta, e China recua em relação a sanções ao país devido aos testes nucleares Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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