UOL Notícias Internacional
 

13/10/2006

Uma evacuação difícil, com lembranças do 11 de Setembro

The New York Times
Michelle O'Donnell e Serge F. Kovaleski
Donna Olshan, uma corretora imobiliária que estava mostrando o apartamento de cobertura 1-B, sentiu o prédio tremer e disse que desceu correndo as escadas em questão de minutos.

"Houve um estrondo incrivelmente alto. Era como um miniterremoto, uma grande sacudida que durou vários segundos", ela lembrou. "As coisas balançavam e o chão e as paredes tremiam."

Patti Charles, uma empregada que trabalhava no apartamento 32C, temeu que "todo o prédio fosse desmoronar e todos fôssemos morrer".

Luke Appignani, que mora no 22F, disse que olhou pela sua janela e viu pedaços de metal caindo, em chamas, entre outras coisas. "Meu vizinho ao lado tem uma sacada", ele disse, "e ela estava totalmente em chamas".

Em um instante, uma tarde comum em um prédio de luxo, o Belaire, foi transformada em uma luta frenética, em meio à fumaça, para evacuar em segurança os moradores do Nº 524 da Rua 72 Leste, uma luta que por alguns momentos evocou as lembranças poderosas do 11 de Setembro para aqueles que escaparam e aqueles que vieram resgatá-los.

Os bombeiros enfrentaram os destroços da cabine do avião que caíam do prédio e tomaram o elevador por parte do caminho, até a base do incêndio. Então começaram a combater o incêndio e conduzir as pessoas na descida pelas escadas.

"Parecia como um incêndio em um carro, com toda aquela fumaça subindo", disse o tenente Edward Ryan, que foi um dos primeiros oficiais a chegar ao local enquanto choviam escombros. "Nós tivemos que rastejar sobre os escombros para entrar no saguão do prédio."

Os policiais se juntaram aos bombeiros, se agrupando em equipes na calçada do outro lado da rua. Então entravam juntos.

No prédio, as equipes batiam às portas, primeiro evacuando os que estavam mais próximos do incêndio, nos 30º e 31º andares, e depois os moradores abaixo.

As pessoas mantiveram a ordem nas escadas, disseram as autoridades, e praticamente não se feriram. As exceções, foram alguns idosos que ficaram exaustos pela descida pelas escadas e tiveram que ser hospitalizados e a mulher cujo apartamento foi atingido pelo avião.

A mulher, Ilana Benhuri, do apartamento 40ABG, tentou fugir no momento em que o avião atravessou sua janela, deixando um pedaço de seu motor e hélice 60 centímetros dentro do apartamento, disseram as autoridades. Ela sofreu cortes e queimaduras nas costas, mas conseguiu chegar às escadas e depois ao hospital, segundo seu marido, o dr. Parviz Benhuri.

Charles disse acreditar que encontrou Ilana Benhuri nas escadas, descendo lentamente degrau por degrau, com a ajuda de outra mulher.

"Havia sangue nas costas dela, nas pernas e mãos", disse Charles. "Ela estava chorando e pedindo para a mulher que a levasse ao hospital. A mulher que estava ajudando a estava segurando pela mão e dizendo que tudo ficaria bem."

Como os elevadores continuaram funcionando após o choque do avião, as equipes dos bombeiros foram capazes de subir rapidamente, parando em cada andar acima do 30º para procurar por pessoas presas. Lá embaixo, os comandantes da polícia e dos bombeiros montaram seus postos de comando um ao lado do outro, trocando informações de uma forma que as autoridades municipais disseram ser uma indicação das lições aprendidas com os ataques ao World Trade Center.

"Tudo funcionou perfeitamente", disse o comandante Raymond W. Kelly da polícia. "Este é o nosso trabalho e, quando funciona bem, nós ficamos satisfeitos."

As autoridades disseram que o esforço envolveu mais de 300 bombeiros e 150 policiais, uma resposta maciça segundo o prefeito Michael R. Bloomberg.

Olshan, a corretora de imóveis, falava ao celular com uma das professoras de seu filho quando o avião atingiu o prédio.

"Eu disse à professora: 'Ocorreu uma explosão. Eu preciso sair daqui'", ela disse.

Ela conduziu seus clientes e outra corretora até as estradas e percorreram uma passagem estreita, que começou a se encher de fumaça enquanto passavam pelos andares que estavam em chamas.

"Eu podia sentir a fumaça ardendo em meus pulmões enquanto descíamos", ela lembrou. "Eu ficava repetindo para mim mesma: 'Continue andando. Apenas continue andando'."

De alguma forma, Olshan acabou se separando da outra corretora e dos clientes. Mas no final a fumaça diminuiu e ela saiu. Ela então telefonou para a outra corretora, que disse que ela e os clientes estavam bem.

"Ironicamente, ela disse que os clientes gostaram do apartamento e provavelmente vão querer voltar", disse Olshan. Choque de avião contra edifício em Nova York na última quarta relança debate sobre a eficácia de medidas de segurançapós 11 de Setembro George El Khouri Andolfato

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