UOL Notícias Internacional
 

14/10/2006

Acordo oferecido para divisão de poder na Irlanda do Norte

The New York Times
Alan Cowell

em Saint Andrews, Escócia
Após três dias de negociações a portas fechadas, o Reino Unido e a Irlanda ofereceram na sexta-feira uma fórmula de concessão para restaurar o governo de divisão de poder da Irlanda do Norte até março do próximo ano, permitindo uma eleição ou referendo para endossar o acordo.

Apesar do pacote não ter sido imediatamente aceito pelos partidos políticos irascíveis da província, ele lhes dá até 10 de novembro para realizarem reuniões entre seus seguidores, para depois darem sua resposta ao que foi prontamente apelidado de Acordo de Saint Andrews. Mas não se sabe se um acordo patrocinado por Londres e Dublin será capaz de sobreviver às armadilhas da política rachada da Irlanda do Norte.

Os principais partidos, o Sinn Fein católico romano e o Partido Unionista Democrático protestante, prometeram responder até 10 de novembro. Se consentirem, sua ação dará início a uma seqüência coreografada de eventos para permitir que o governo com divisão de poder, formado pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998, seja restaurado. Ele foi suspenso há quatro anos devido a uma disputa em torno de uma suposta espionagem do Exército Republicano Irlandês (IRA).

A restauração do governo com divisão de poder, que consiste de um Poder Executivo assim como de um Legislativo local existente, seria um passo importante para o término de uma condição política anômala na Irlanda do Norte em um momento em que sua população se acostumou à relativa paz e ao crescimento econômico.

Em uma coletiva de imprensa, os primeiros-ministros Tony Blair, do Reino Unido, e Bertie Ahern, da Irlanda, evitaram linguagem exagerada para anunciar o fim das negociações. "Eu acho que temos aqui um caminho para avançar", disse Blair em uma coletiva de imprensa realizada em um resort de golfe, onde transcorreram as negociações.

Ian Paisley, o líder protestante de 80 anos, disse que seu partido realizou "considerável progresso ao longo destas negociações".

Os unionistas democráticos, que querem manter a união com o Reino Unidos, pressionavam o Sinn Fein, que busca uma Irlanda unida e é o braço político do Exército Republicano Irlandês, a se comprometer a respeitar a força policial da província, que o Sinn Fein considera uma adversária dominada pelos protestantes.

O Sinn Fein pressionava por um acordo de Paisley no qual ele exerceria o cargo de primeiro-ministro do governo tendo um líder republicano como seu vice -uma idéia que antes seria impensável e que ainda precisa entrar em vigor. O acordo significa que ambos os lados terão que aceitar as exigências do outro para que seja implementado.

Na sexta-feira, pelo menos, eles pareciam determinados a fazer isto. "Nós precisamos encontrar formas de deixar as diferenças para trás", disse Gerry Adams, o líder do Sinn Fein.

Paisley parecia igualmente disposto a ceder. "Hoje nós nos encontramos em uma encruzilhada", ele disse. "Nós estamos em um local onde há um caminho para a democracia e outro para a anarquia, e confio que veremos nos próximos dias a maioria das pessoas tomar o caminho para a democracia."

Inicialmente, o Reino Unido ameaçou fechar a Assembléia da Irlanda do Norte e retomar o governo direto da província problemática caso os partidos não concordassem em resolver suas diferenças até 24 de novembro. Tal prazo agora parece ter sido prorrogado até o próximo ano. George El Khouri Andolfato

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