UOL Notícias Internacional
 

15/10/2006

Democratas têm fervor, mas republicanos contam com sua máquina

The New York Times
Robin Toner

Em Washington
Clif Kelley, um economista aposentado de Columbus, Ohio, é a personificação do que os analistas de pesquisa dizem ser a característica definidora desta eleição: a veemência dos democratas.

Kelley e um punhado de democratas do 21º Distrito de Franklin County começaram a se reunir há cerca de dois anos, chamando a si mesmos de Grassroots 21 (movimento de base 21). Hoje eles contam com um boletim, um blog e, em um domingo recente, um grande público que lotava o quintal suburbano de Kelley para um comício em um dia de tempo instável.

Kelley lembrou seus amigos que prometeu há dois anos que não morreria sob um governo Bush. "Vocês podem ver que estou resistindo", ele disse para delírio da platéia.

Kelley tem 89 anos. E está furioso. Ele diz que mal consegue esperar pelo dia da eleição.

A intensidade do eleitor é um elemento chave na política, especialmente nas eleições de meio de mandato, quando o interesse dos americanos e seu comparecimento para votar costumam ser muito menores do que em um ano de eleição presidencial. Os analistas de pesquisa dizem que o entusiasmo entre os democratas está particularmente alto neste ano -significativamente maior, segundo várias medições importantes, do que a intensidade dos republicanos.

Os estrategistas republicanos rebatem que podem compensar qualquer diferença de entusiasmo com sua lendária operação de mobilização de eleitores. O partido construiu seu sucesso eleitoral nas duas últimas eleições identificando e obtendo quase todo voto republicano disponível nos distritos eleitorais. Desta vez poderá ser mais difícil, eles disseram, mas não será diferente.

"Eu acho que nossa base está se unindo e o fará mais tarde, mas quatro semanas é uma eternidade neste negócio", disse o deputado Tom Cole, republicano de Oklahoma e um antigo estrategista do partido. No final os republicanos estarão motivados para votar, disse Cole, e comparecerão para votar no dia da eleição mesmo se "nesta corrida o profissionalismo tiver que compensar o entusiasmo".

Mesmo assim, na mais recente pesquisa New York Times/CBS News, realizada entre 5 e 8 de outubro, 46% dos democratas disseram estar mais entusiasmados para votar neste ano do que nas últimas eleições para o Congresso, em comparação a 33% dos republicanos.

Uma tendência semelhante aparece em pesquisas recentes do Centro Pew de Pesquisa e do Gallup, que mostram que o grau de envolvimento dos democratas é maior do que nas eleições de meio de mandato de 2002, 1998 e especialmente de 1994, quando uma grande vitória republicana deu ao partido controle tanto da Câmara quanto do Senado.

Os estrategistas democratas consideram esta nova intensidade uma vantagem crítica ao longo dos altos e baixos de uma campanha movida por vários temas diferentes, pela guerra, sustos de segurança nacional, preços da gasolina e, mais recentemente, o escândalo envolvendo o ex-deputado Mark Foley, republicano da Flórida.

"Há um padrão consistente durante grande parte do ano mostrando que os democratas estão bastante concentrados no que estão votando a favor e contra", disse Geoffrey Garin, um analista de pesquisa democrata, "enquanto os eleitores republicanos se sentem ambivalentes em ambas as frentes".

A intensidade do eleitor pode partir das bases, mas também pode ser estimulada (ou abafada) pelas campanhas dos candidatos e explorada por uma campanha sofisticada de comparecimento do eleitor.

Os eleitores conservadores têm muitos motivos para estarem menos entusiasmados neste ano, disseram os analistas, incluindo o déficit nos gastos e o escândalo do assédio de Foley aos estagiários do Congresso, sem contar uma série de escândalos locais envolvendo republicanos aqui em Ohio. Mas se o esforço republicano para mobilizar eleitores, conhecido como Projeto 72 Horas, atingir sua meta, disse Andrew Kohut, o chefe do centro Pew, "as conseqüências de comparecimento para os republicanos poderão não ser tão sombrias quanto estes números de pesquisa sugerem".

A máquina republicana esteve em exibição no último fim de semana em Ohio, onde voluntários trabalhavam em mesas telefônicas em todos os 88 condados, no que o diretório estadual do partido chamou de Super Sábado. Eles contataram 100 mil eleitores republicanos potenciais, selecionados cuidadosamente, e bateram às portas de 50 mil. Quando o dia acabou, Jason Mauk, o diretor político do diretório estadual, disse: "Eu acho que isto realmente derruba a idéia de que os eleitores e voluntários republicanos não estão entusiasmados".

Em uma destas mesas telefônicas, no centro de Columbus, o ânimo era alto, alimentado por bandejas intermináveis de donuts, bagels e pizza. Turno após turno os voluntários faziam rodízio, com um murmúrio constante de vozes lendo roteiros, pedindo votos, oferecendo voto em trânsito: "Este é um ano eleitoral muito importante e seu voto ajudará a determinar o futuro de Ohio".

Uma das voluntárias, Laurie Sutton, disse: "Eu trabalho todas as noites nas mesas telefônicas. Eu estou viciada nelas".

Ao meio-dia, vários dos principais candidatos republicanos vieram para incentivar as tropas. Betty Montgomery, que está concorrendo a procuradora-geral estadual, reconheceu os desafios diante dos republicanos neste ano, mas invocou a memória do técnico de futebol Woody Hayes, da Universidade Estadual de Ohio. "Nós sabemos como vencer", ela disse. "Nós sabemos os fundamentos. Ele diria: 'Executem os fundamentos!'"

Montgomery lembrou das eleições de 2004, quando Ohio deu a presidência a Bush, em grande parte devido à operação republicana de comparecimento de eleitores. "Nós acabamos com eles", ela disse sobre os democratas. "Eles nem viram o que os atingiu."

Mas os líderes democratas de Ohio disseram que sabem o que os atingiu há dois anos e prometeram que não acontecerá de novo. "Os republicanos falam sobre aquela operação de 72 horas como se fosse a melhor coisa desde a eletricidade", disse Chris Redfern, presidente do Partido Democrata de Ohio. "O fato é que acredito que seremos competitivos."

Acentuando a rivalidade aqui, os democratas disseram que também realizaram 100 mil telefonemas naquele sábado. Mas por todo o país, alguns democratas se perguntam se o partido pode se igualar ao bem financiado Projeto 72 Horas, criado pelo Comitê Nacional Republicano; alguns dos grupos de fora que promoveram o comparecimento dos eleitores para os democratas em 2004 reduziram seus esforços, apesar dos comitês de campanha do partido insistirem que intervieram para preencher a lacuna.

Ohio é um Estado onde a guerra partidária transcorre com pouca interrupção desde 2004. Mas as pesquisas sugerem que, por todo o país, os eleitores compreendem o que está em jogo nestas eleições.

Dois grandes fatores estimulam os democratas, disseram os analistas: a revolta com a guerra no Iraque e outras políticas do governo Bush, assim como o otimismo em relação às suas chances neste ano.

"Eu sinto que há alguma esperança de mais democratas serem eleitos neste ano", disse Virginia Crossett, 53 anos, uma democrata e técnica veterinária em Louisville, Kentucky, que foi entrevistada em uma recente pesquisa Times/CBS. Metade dos democratas mais entusiasmados a votar disse se sentir assim porque a vitória está ao alcance.

"Eu acho que a maioria dos republicanos está fazendo um trabalho horrível e não sinto que minha vida está melhor nos últimos seis anos -provavelmente piorou", disse Crossett.

O reverso do otimismo democrata, é claro, é que a perspectiva de controle democrata é um poderoso motivador para muitos republicanos.

"Muitas questões são importantes para mim, questões de peso como a guerra contra o terror, o que está acontecendo no Iraque, Coréia do Norte e Irã, imigração e a fronteira mexicana", disse Rick Nunley, 40 anos, um republicano de North Canton, Ohio, que trabalha em vendas industriais. "Tais questões serão afetadas drasticamente no futuro próximo caso haja mudanças acentuadas de política ou no governo."

Os republicanos disseram que continuarão trabalhando para mobilizar os eleitores. Holly Pendell, uma voluntária republicana veterana que trabalha para a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, estava solicitando votos em um bairro de Columbus no domingo passado, com sua agenda que identificava que casas visitar. A propaganda eleitoral começou tão cedo e se tornou tão intensa que as pessoas "não conseguem mais compreendê-la", disse Pendell. "É o motivo para ir de porta em porta ser tão importante."

Os democratas disseram que farão o mesmo, apesar de também contarem com a veemência dos Clif Kelleys do país. Quando os democratas perderam a eleição presidencial em Ohio há dois anos, ela foi uma derrota dolorosa para muitos na esfera local. Mas o Grassroots 21 obteve progresso real em seu bairro, disse Kelley, e "nos deu confiança de que podemos fazer algo".

"O que realmente nos move agora são os temas", disse Kelley. "Nós estamos enfurecidos. Eu estou enfurecido."

O grupo recentemente até adotou um novo nome: o 21º de Combate.

Marina Stefan contribuiu com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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