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21/10/2006

ONU diz que Bagdá está retendo número de civis mortos

The New York Times
Warren Hoge

na ONU
O escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá diz que Nouri Kamal al Maliki, o primeiro-ministro do Iraque, ordenou às autoridades médicas do país que deixem de fornecer à organização o número mensal de civis mortos e feridos no conflito no país, segundo um cabograma confidencial.

O cabograma, datado de 17 de outubro e enviado às autoridades da ONU em Nova York e Genebra por Ashraf Qazi, o emissário da ONU no Iraque, diz que a proibição pode atrapalhar a capacidade de seu escritório de fornecer informações precisas, em seus relatórios bimestrais de direitos humanos, sobre o grau da violência e seu efeito sobre a sociedade iraquiana.

A preocupação com o número de civis mortos no Iraque aumentou acentuadamente no momento em que ataques organizados por rebeldes estão inchando o número de vítimas e no momento em que um novo relatório, de autoria de uma equipe de pesquisadores iraquianos e americanos, mostra que mais de 600 mil civis morreram em violência por todo o Iraque desde a invasão americana de 2003.

Qazi, um ex-diplomata paquistanês, disse que a ordem para que o gabinete do primeiro-ministro assumisse a divulgação dos números ocorreu um dia após um relatório da ONU, referente aos meses de julho e agosto, ter mostrado um grave aumento no número de mortos e feridos. O líder do Ministério da Saúde do Iraque apelou para que fosse autorizado a continuar fornecendo os números para a ONU, mas teve seu pedido recusado em uma carta subseqüente do gabinete do primeiro-ministro, disse o cabograma de Qazi.

A existência do cabograma foi informada na edição de sexta-feira do jornal "The Washington Post".

Feisal al Istrabadi, o vice-embaixador do Iraque na ONU, disse que não viu o cabograma e portanto não pode comentar sobre detalhes específicos. "Mas o que posso dizer é que o primeiro-ministro está buscando fazer com que uma única voz passe informações precisas sobre as estatísticas daqueles que estão morrendo diariamente", ele disse. "Assim, a preocupação era com o fato do Ministério da Saúde, que possuía números precisos até o momento, ser a fonte oficial da informação."

"A tentativa é evitar uma situação em que agências diferentes, que podem ter pontos de vista diferentes, apresentem números que não sejam tão precisos quanto deveriam."

O mais recente relatório da ONU, publicado em setembro, mostrou que 3.590 pessoas foram mortas em julho e 3.009 em agosto pela violência por todo o país. Compilado a partir de estatísticas do necrotério central de Bagdá e de hospitais e necrotérios em todo o país, o relatório calculou uma número médio de 97 pessoas mortas por dia.

Os relatórios da ONU são citados por pesquisadores independentes como
indicadores confiáveis da incidência da violência no Iraque e não eram
contestados pelo governo iraquiano até o relatório de setembro, que mostrou um grande aumento dos números.

Em seu cabograma, Qazi descreveu o processo pelo qual seu escritório tentava compilar as estatísticas mais confiáveis.

Ele disse que inicialmente seu escritório era capaz de superar a relutância do governo iraquiano em divulgar os números, obtendo estatísticas do Instituto Médico Legal do Ministério da Saúde, em Bagdá.

Os dados do instituto são de civis não identificados mortos violentamente, cujos corpos são levados ao necrotério em Bagdá, mas não dos mortos violentamente cujos corpos são levados para hospitais e posteriormente entregues para as famílias para enterro. Portanto, disse Qazi, os números do instituto representam apenas "um indicador, apesar de imperfeito, do número crescente de vítimas civis na capital".

Para chegar a um número mais preciso, disse Qazi, a ONU combinou os números do instituto com os números do Departamento de Operações do Ministério da Saúde, que registra os mortos e feridos por violência em hospitais de quase todas as partes do país.

Qazi notou que os números "podem ter contribuído para um aumento da
conscientização internacional das conseqüências severas que o conflito do Iraque está tendo sobre os civis".

O cabograma disse que após a divulgação do último relatório de direitos
humanos da ONU, em 20 de setembro, o gabinete do primeiro-ministro
"expressou dúvidas" sobre sua exatidão.

Então, no dia seguinte, o Ministério da Saúde foi informado de que não
deveria mais divulgar seus números, mas sim repassá-los para o gabinete do primeiro-ministro. Qazi disse que soube disto em 12 de outubro.

Qazi disse que a ONU continuará obtendo números junto ao Departamento de Operações do Ministério da Saúde e a "usar nossos contatos para o maior grau de verificação possível". George El Khouri Andolfato

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