UOL Notícias Internacional
 

22/10/2006

Quero 'amizade' por US$ 100

The New York Times
Lola Ogunnaike
Pouco antes de levantar e pouco antes de ir para a cama, Kay Harris, 58 anos, uma mãe de três filhos que trabalha fora em Auburn, Alabama, visita uma de suas comunidades favoritas, um fórum online onde fãs do programa "Who Wants to Be a Millionaire" (semelhante ao "Jogo do Milhão" no Brasil) e outros programas do gênero se reúnem para discutir, debater e dissecar tudo referente ao assunto.

The New York Times 
"Bored Buddies", grupo de aficionados por programas como "Show do Milhão", em viagem à Disney

O ritual se tornou tão importante que quando ela estava cuidando de seu pai idoso em Kentucky, há dois anos, ela não conseguia suportar a falta de acesso a computador.

"Era como uma síndrome de abstinência", ela disse. "Nós somos uma comunidade e era difícil para mim não saber o que estava acontecendo."

Apesar de muitas pessoas poderem se surpreender com o fato de "Millionaire" ainda estar no ar, um grupo pequeno mas fiel ainda é obcecado.

Composto principalmente de aspirantes e antigos participantes de
"Millionaire" e outros "game shows" como ele, os Bored Buddies (amigos
entediados), como chamam a si mesmos, evoluíram de um grupo de discussão online para um grupo de amigos que viajam juntos, participam da gravações de programas do gênero e até de eventos esportivos, e voam por todo país para se encontrar com seus companheiros interessados no assunto. Um punhado deles até mesmo colaborou em romances não publicados.

Unidos pela sua capacidade surpreendente de lembrar informações que a
maioria das pessoas relega à lata de lixo de suas mentes, os membros dizem que o grupo fornece um refúgio real e virtual onde não são constrangidos por serem nerds que sabem tudo, que metralham fatos.

"Na vida real você não corrige as pessoas o tempo todo, porque isto seria considerado antipático", disse Ellyn Ritterskamp, uma coordenadora de produção de jornal de 39 anos de Charlotte, Carolina do Norte, que ganhou US$ 32 mil em "Millionaire" em 2001 e ficou em terceiro lugar em "Jeopardy" no ano passado. "Mas é mais aceito neste mundo."

O grupo se tornou importante para ela tanto emocional quanto socialmente, ela disse, acrescentando que jantou com sete de seus Bored Buddies no Mesa Grill em Nova York, no mês passado, e já conheceu 40 membros desde que começou a postar há seis anos.

"Eu conto com os Bored para obter encorajamento e conselho, e para rirem quando tento ser engraçada", ela disse. "A maioria de nós ainda assiste 'Millionaire', mas a obsessão empalideceu diante das amizades genuínas."

Os Bored Buddies, atualmente cerca de 150 pessoas, tiveram início como parte do site oficial "Who Wants to Be a Millionaire" no abc.com, mas quando a rede de TV eliminou o mural em 2001, os fãs que postavam migraram para uma afiliada da "ABC" em Los Angeles. (Qualquer um interessado em se juntar a eles pode seguir para www.wwtbam.info)

Como Ritterskamp, a maioria foi atraído ao site para se exibir e
compartilhar o conhecimento do programa, mas permaneceu devido à companhia.

"É como um grupo de amigos que gosta de se reunir no bar local, conversar e se divertir", escreveu Bill Brown, um membro Bored, em uma mensagem por e-mail.

Mas também há benefícios práticos em pertencer aos Bored Buddies. Barbara Noyes, uma policial e mãe casada de quatro em Rockland County, Nova York, e uma ávida defensora de todo tipo de competição de televisão, ganhou um total de US$ 82 mil em dinheiro e prêmios em programas como "Family Feud", "Wheel of Fortune" e "Jeopardy". Mas antes de conhecer Dan Avila, um veterano de game shows e regular do Bored, em um teste para "Millionaire" em 2003, ela nunca tinha ouvido falar dos Bored Buddies.

Avila ofereceu colocá-la em contato com outros Buddies, que estariam mais que dispostos em atuar como o amigo por telefone dela, uma assistência disponível para os participantes do "Millionaire" quando ficam enroscados em uma pergunta. Ela aceitou a oferta de Avila e escolheu um advogado interessado em astronomia. Noyes ganhou US$ 32 mil sem sua ajuda, mas manteve contato, visitando ele e sua família na Califórnia. Ela não visita muito a comunidade na Internet, mas ainda a elogia. "Se você tem uma dúvida sobre qualquer coisa, você pode encontrar lá", ela disse. "É muito melhor que o Google."

Você não precisa ser um vencedor para se beneficiar da dádiva do grupo.
Larry Jensen, um engenheiro em Ithaca, Nova York, e ávido postador (perto de 20 vezes ao dia, ele estimou), se candidatou 16 vezes ao "Millionaire" mas nunca foi escolhido. Apesar de seus amigos fora do universo do programa o ridicularizarem por suas repetidas tentativas -"Se tornou uma piada recorrente", ele disse de forma encabulada- os Buddies entendem.

Alguns até mesmo ajudaram Jensen, 48 anos, um homem tímido com voz monótona, a se preparar para o teste.

Phyllis Harris, a quem ele visitou enquanto estava a negócios em Las Vegas, o encorajou a ser mais divertido. "Ela me disse para ser eu mesmo, só que maior", ele disse, apesar de não parecer convencido de que funcionará.

Ritterskamp atribuiu, com apoio de outros, parte da má sorte dele ao fato de ser um homem branco de meia-idade, ou "Mawg" no jargão dos game shows. "Eles estão mais interessados em mulheres e minorias", ela disse. (Michael Davis, o produtor executivo de "Millionaire", disse que sem Mawgs "simplesmente não haveria game shows de televisão", acrescentando que "nós procuramos representar a diversidade em todos os sentidos da palavra".)

Apesar de Noyes já estar em seu próximo desafio -ela enviou uma fita de
teste para "The Amazing Race"- Jensen espera que sua 17ª tentativa será a recompensada. Ele está feliz com o sucesso de seus pares em "Millionaire", mas disse que às vezes se sente como sendo "sempre uma madrinha, nunca a noiva".

Então, incapaz de evitar, ele lançou uma curiosidade: "Você sabia que o
slogan vem de uma propaganda do Listerine dos anos 20?" George El Khouri Andolfato

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