UOL Notícias Internacional
 

24/10/2006

Casa Branca diz que Bush deixará de usar a frase 'manter o curso'

The New York Times
Jim Rutenberg e David S. Cloud
em Washington
A Casa Branca disse na segunda-feira que o presidente Bush não mais usará a frase 'manter o curso' quando falar sobre a guerra no Iraque, em um novo esforço para enfatizar a flexibilidade diante da violência mais sangrenta que está ocorrendo lá desde a invasão de 2003.

"Ele deixará de usá-la", disse Tony Snow, o secretário de imprensa da Casa Branca. "Ela passava a impressão errada sobre o que estava acontecendo e permitia aos críticos dizer: 'Ora, aqui está um governo que adotou uma política sem ver qual é a situação', quando, na verdade, se trata do oposto."

Bush usou o slogan em um discurso em 31 de agosto, mas não o repetia há algum tempo. Ainda assim, o pronunciamento de Snow foi um exemplo da corda-bamba complicada em que a Casa Branca está caminhando neste ano eleitoral, ao tentar rotular os democratas como dispostos a fugir do Iraque sem parecer estar casada às táticas fracassadas lá.

Os democratas cada vez mais pressionam o argumento de que os republicanos estão propondo teimosamente "manter o curso" em um esforço fracassado de conter a violência no Iraque -uma abordagem que os estrategistas em ambos os partidos consideram ter sido razoavelmente bem-sucedida, especialmente à medida que a violência continua crescendo em Bagdá.

Nas últimas semanas, vários legisladores republicanos e líderes do partido expressaram suas dúvidas sobre se a abordagem do governo para estabilizar o Iraque está sendo bem-sucedida e para sugerir novas estratégias.

Bush e seus assessores responderam a tais queixas com uma nova ênfase na adaptabilidade do plano de guerra dos Estados Unidos. Bush acentuou -como fez em uma entrevista para a "ABC News" no domingo- que não tem "paciência infinita" e espera que os iraquianos assumam mais responsabilidade para garantir a segurança enquanto debandam as milícias sectárias.

Funcionários do governo Bush forneceram na segunda-feira novos detalhes de seus esforços para desenvolver marcos para medição nos próximos meses do progresso do governo de Bagdá no exercício de um maior papel na segurança do país.

Snow disse que discussões com as autoridades iraquianas incluíram a criação de prazos para o Iraque lidar com o desarmamento das milícias sectárias. Mas ele acrescentou que o governo Bush não estava dando ultimatos para o governo do primeiro-ministro Nouri Kamal al Malaki.

Snow comentou sobre uma reportagem no "The New York Times", no domingo, que disse que o governo Bush estava elaborando com as autoridades iraquianas um cronograma para lidar com as milícias e atingir outras metas políticas, econômicas e militares visando a estabilização do país.

O artigo do "Times" citou anonimamente vários altos funcionários como tendo dito que o governo Bush consideraria mudanças na estratégia militar e outros passos caso o Iraque falhasse em atingir as metas ou em cumprir os cronogramas mais críticos.

Snow disse que o tema das metas surgiu por acaso durante uma recente discussão entre Bush; o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld; o general John P. Abizaid, o mais alto comandante americano o Oriente Médio; o general Peter Pace, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; e o embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad.

Rumsfeld disse na segunda-feira que as metas em discussão incluem projeções sobre quando o Iraque poderá assumir o controle sobre mais das 18 províncias do país. Atualmente, apenas duas províncias estão sob pleno controle de segurança iraquiano, apesar dos funcionários terem dito que esperam que o número aumente para seis ou sete até o final do ano.

Falando aos repórteres no Pentágono, Rumsfeld disse que a meta das discussões era produzir um "caminho à frente" para que "o governo deles possa dispor de uma série de tarefas que precisem cumprir para se prepararem para assumir a responsabilidade de governar seu país e fornecer segurança para seu país".

A meta, ele acrescentou, é ambos os lados concordarem no que chamou de "projeções" de quando o Iraque poderá ser capaz de assumir tais tarefas.

"Meu palpite é que descobrirão que em nenhum caso haverá uma data específica" para assumir uma tarefa específica, ele disse. Mas, ele
acrescentou, "você poderá encontrar um mês, ou um período de dois ou três meses, um período para avaliarem se serão capazes de fazê-lo".

Bush, falando em uma coletiva de imprensa em 11 de outubro sobre o
significado da frase "manter o curso", também se recusou a ficar preso a ela.

"Manter o curso significa continuar fazendo o que você está fazendo", ele disse. "Minha postura é, não faça o que está fazendo se não está
funcionando; mude." E acrescentou: "Manter o curso também significa não
partir antes da conclusão do trabalho. E é isto -nós cumpriremos nosso
trabalho no Iraque. É importante cumprirmos o trabalho no Iraque". George El Khouri Andolfato

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