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25/10/2006

Trompetando a liberdade, em espírito, pensamento e jazz

The New York Times
Nate Chinen

em Nova York
Para o trompetista Tomasz Stanko, um dos mais aclamados músicos improvisadores da Europa, a importância do jazz era clara desde a primeira vez que o ouviu, há mais de 50 anos.

"A mensagem era liberdade", ele disse certa tarde na semana passada, em um quarto de hotel no centro de Manhattan. "Para mim, como polonês vivendo em um país comunista", ele prosseguiu em seu inglês ligeiramente picado, "jazz era sinônimo de cultura ocidental, de liberdade, deste estilo diferente de vida".

Michael J. Lutch/The New York Times 
Para o trompetista polonês, o jazz era sinônimo de liberdade e "estilo diferente de vida"

Falando de fora rápida, com seus óculos acentuando seu rosto oval, o músico de 64 anos lembrava um "hipster" calejado e que não envelhece, o que de certa forma ele é. Na juventude ele liderou uma das primeiras bandas européias inspiradas pelo free jazz de Ornette Coleman. Sua carreira solo foi essencialmente underground até cerca de uma década atrás, quando uma nova leva de álbuns primorosamente líricos do selo alemão ECM promoveram o reconhecimento na Europa e nos Estados Unidos.

Stanko, que mora em Varsóvia, esteve em Nova York entre as paradas de sua turnê por 12 cidades, sua quarta turnê americana em cinco anos. (O último trecho tem início na noite de quarta-feira no Birdland.) Ele era esperado em uma recepção organizada pelo consulado polonês, em frente ao seu hotel; ele tocaria solo, depois acompanhado por músicos clássicos em uma composição de câmara.

"Ele é uma das maiores figuras da cultura polonesa", proclamaria posteriormente o cônsul-geral, Krzysztof W. Kasprzyk, acrescentando que ouviu Stanko pela primeira vez quando era estudante na Cracóvia, nos anos 60.

Como a maioria dos europeus orientais de sua geração, Stanko conheceu o jazz por meio das transmissões da Voz da América e palas turnês promovidas pelo Departamento de Estado; a música ficou registrada como trilha sonora da liberdade, em parte por ter sido empacotada desta forma pelo governo americano.

Stanko lembra de ter visto Dave Brubeck em uma turnê de 1958. Em uma entrevista de 1958 para a revista "Down Beat", citada pela historiadora Penny M. Von Eschen em seu livro, "Satchmo Blows Up the World: Jazz Ambassadors Play the Cold War" (Harvard University Press), Brubeck descreveu aquela turnê: "Onde quer que houvesse uma ditadura na Europa, o jazz era proibido", ele disse. "E sempre que a liberdade voltava àqueles países, o jazz inevitavelmente a acompanhava." Na Polônia, ele acrescentou, a palavra liberdade "estava na boca de todos com os quais tínhamos algo a ver".

Stanko disse que ainda lembra daquele anseio, que ele disse ainda existir, em um nível subconsciente, mesmo em "Lontano", seu álbum mais recente. Este é seu terceiro lançamento consecutivo que conta com o pianista Marcin Wasilewski, o baixista Slawomir Kurkiewicz e o baterista Michal Miskiewicz, que atuavam como um trio quando Stanko os descobriu ainda adolescentes no início dos anos 90. (No ano passado eles lançaram um álbum próprio, chamado "Trio", que ressalta a profunda harmonia entre eles.)

Como os dois álbuns anteriores, "Lontano" é um esforço assombroso, como uma suíte, com o trompete de Stanko como o fio condutor. Mas ele é mais inquieto que seus antecessores; ele freqüentemente assume uma elasticidade avant-garde que evoca as primeiras gravações de Stanko, que buscavam a liberdade. Segundo ele, isto se deve a tensão criativa fornecida por seu produtor, Manfred Eicher, o fundador da ECM, juntamente com a imaginação de Wasilewski e seus colegas, que aprenderam a arte do improviso livre no trabalho. George El Khouri Andolfato

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