UOL Notícias Internacional
 

26/10/2006

Líder do Iraque critica plano de prazos americano

The New York Times
Sabrina Tavernise

em Bagdá, Iraque
Na quarta-feira, o primeiro-ministro Nuri Kamal al Maliki se mostrou em desacordo com o governo americano que o apóia, se distanciando da noção americana de um prazo para estabilização do Iraque e criticando uma investida apoiada pelos americanos contra um enclave de uma milícia xiita.

Falando em Bagdá poucas horas antes do presidente Bush realizar uma coletiva de imprensa em Washington, Maliki ajustou seus comentários para o público doméstico, tranqüilizando os milhões de xiitas que formam sua base de poder que ele não cederá à pressão do governo americano sobre como conduzir os assuntos internos iraquianos.

Seus comentários contrastaram muito da mensagem dada na terça-feira por duas importantes autoridades americanas no Iraque, o general George W. Casey Jr. e o embaixador Zalmay Khalilzad, que disseram que o prazo para medidas políticas foi aceito pelo governo iraquiano.

"Eu quero destacar que este é um governo da vontade do povo e ninguém tem o direito de estabelecer um prazo para ele", disse Maliki em uma coletiva de imprensa transmitida em televisão nacional.

"Este é um governo eleito e apenas as pessoas que elegeram o governo têm o direito de impor limitações de tempo ou emendas", ele disse, apunhalando o ar com sua mão.

Os comentários apontaram o crescente distanciamento entre o governo iraquiano liderado pelos xiitas e os americano que o apóiam.

Enquanto a violência aqui aumenta e as eleições de meio de mandato nos
Estados Unidos se aproximam, Maliki tem sofrido pressão do governo Bush para aumentar os esforços para controlar a violência. Mas as mesmas forças que o conduziram ao poder e cujo apoio ele precisa manter -os partidos religiosos xiitas com suas próprias milícias- são cúmplices na violência.

Tal tensão esteve à mostra em seus comentários na quarta-feira. Apesar de reconhecer os problemas que representam as milícias e esquadrões da
morte - grupos de homens armados que os oficiais militares americanos dizem que são os principais culpados pela nova fase de derramamento de sangue no país - Maliki disse claramente que o principal fator que está promovendo a violência são os rebeldes e combatentes milicianos, principalmente sunitas, que têm matado xiitas há mais de três anos.

"Os saddamitas e os grupos terroristas são responsáveis pelo que está
acontecendo neste país e pelas reações", ele disse, em uma referência às mortes por retaliação promovidas pelas milícias xiitas, que tiveram início após o atentado a bomba contra um templo sagrado dos xiitas, em fevereiro. "Nós devemos conter as reações."

A posição de Maliki diverge profundamente dos pontos de vista apresentados pela autoridades americanas, que falam dos esquadrões da morte xiitas como um mal igual aos rebeldes sunitas. Mas se encaixa confortavelmente no endurecido sentimento xiita de que as forças armadas americanas, para manter pleno controle da segurança, não deram ao governo iraquiano pleno poder para intervir quando milícias sunitas ou rebeldes executam limpezas sectárias.

"A maioria das autoridades sente que suas mãos estão atadas", disse um
político xiita, que insistiu no anonimato devido à sensibilidade do assunto. "Elas não podem tomar decisões críticas em momentos críticos."

O político citou o exemplo de Saab al Bour, uma cidade de maioria xiita com arredores sunitas a noroeste de Bagdá, de onde centenas de famílias xiitas fugiram no mês passado após ataques de rebeldes sunitas. Os xiitas estavam "chorando por socorro", ele disse, mas o governo não pôde ajudá-los por causa da confusão sobre tropas de qual país eram responsáveis pela área.

Os americanos mantêm o controle sobre a segurança em parte por não
acreditarem que as forças iraquianas estão à altura do trabalho. Eles também temem uma ação seletiva por parte do governo em prol dos xiitas, que formam grande parte da forças de segurança do Iraque, particularmente a polícia, cujas fileiras foram infiltradas por milicianos.

Maliki está preso no meio, forçado a navegar entre a crescente maré de
frustração entre os xiitas que formam sua base e o governo americano que detêm o poder.

Ali Adeeb e Khalid al Ansary, em Bagdá, contribuíram com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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