UOL Notícias Internacional
 

27/10/2006

Para os democratas, muitas idéias sobre o Iraque mas nenhum consenso

The New York Times
John M. Broder

em Washington
Se a eleição de 7 de novembro nos Estados Unidos for um referendo sobre a guerra no Iraque, quais são as opções?

O presidente Bush admitiu na quarta-feira que as coisas não estão
transcorrendo tão bem quanto ele esperava no Iraque e que está ajustando as táticas em solo para lidar com os persistentes problemas políticos e militares de lá. Ele disse que sua meta maior, a vitória, continua inalterada, mas não deu nenhuma idéia do que seria necessário para consegui-la.

Os líderes e candidatos democratas são virtualmente unânimes na oposição da condução da guerra pelo presidente e a maioria defende a retirada americana, seja rápida ou lentamente. Mas nenhum está pedindo por uma retirada imediata das forças americanas ou oferecendo uma visão de como seria o Iraque pós-guerra. Eles dizem que defendem mudanças, mas a variedade de formulações é atordoante.

Dezenove deputados da Câmara apoiaram um projeto de lei para corte dos
fundos para a guerra. O candidato democrata ao Senado pela Pensilvânia é contra um prazo para o término do envolvimento americano no Iraque. O
candidato democrata ao Senado por Ohio quer a retirada de todas as tropas em dois anos. A deputada Nancy Pelosi da Califórnia, que provavelmente se tornará a presidente da Câmara em caso de retomada da casa pelos democratas, pede por medidas imediatas para o início da remoção das forças americanas, com todas elas fora do Iraque até o final de 2007.

"Nós não nos unimos em torno de um único plano", reconheceu a senadora
Debbie Stabenow, democrata de Michigan que está disputando a reeleição neste ano, em uma entrevista na quinta-feira. "Mas estamos de acordo geral quanto aos princípios básicos."

A variedade de propostas reflete em parte a confusão militar, política e sectária em que o Iraque se transformou. Com virtualmente ninguém
argumentando que uma saída seria fácil, ninguém quer ser responsável pela decisão que deixaria o Iraque nas ruínas fumegantes de uma guerra civil.

Mas a variedade de propostas também ilustra o estado do Partido Democrata, que não detém um cargo executivo há seis anos nem controla o Congresso há duas vezes este tempo. Não há figura dominante no partido para formular uma posição política, de forma que centenas de escolas de pensamento disputam. E mesmo se os democratas conquistarem uma ou ambas as casas do Congresso, eles não terão autoridade para mudar significativamente o curso da guerra.

"Está sendo oferecida à república uma escolha entre nada e coisa alguma", disse David R. Gergen, um assessor de presidentes republicanos e democratas e atualmente professor de política pública na Escola Kennedy de Governo, em Harvard. "Nenhum partido está oferecendo um caminho claro à frente no Iraque."

Vários analistas democratas e autoridades eleitas que não estão disputando reeleição neste ano esboçaram propostas bem detalhadas para desfazer o nó no Iraque. O senador Joseph R. Biden Jr., democrata de Delaware, propôs um plano para dividir o Iraque em três regiões semi-autônomas -para os curdos, xiitas e sunitas- com os Estados Unidos fornecendo segurança por algum tempo.

Os senadores Carl Levin, de Michigan, e Jack Reed, de Rhode Island, estão defendendo um plano, endossado pela maioria dos democratas no Senado, para início da retirada das tropas nos próximos meses para pressionar os líderes iraquianos de que a presença americana não é por tempo ilimitado.

Richard C. Holbrooke, que foi embaixador na ONU durante o governo Bill
Clinton, ofereceu nesta semana uma amálgama dos dois planos. Sua proposta daria a cada um dos três principais grupos da população mais autonomia e prepararia uma retirada gradual sem nenhum prazo estabelecido para conclusão.

Mas a maioria dos democratas que disputam a eleição não é tão detalhada ou categórica. Se a eleição se tornou um referendo sobre o Iraque, é um sem uma opção definida. Faltando menos de duas semanas para a eleição, tanto republicanos quanto democratas parecem estar ajustando suas posições para não alienar eleitores. As pesquisas indicam que a população, àvida por mudança, prefere a abordagem democrata, mesmo indefinida, a uma continuidade das políticas de Bush.

Os republicanos expressam regularmente frustração com o que consideram a capacidade dos democratas de escaparem com críticas à condução da guerra sem serem pressionados para oferecer uma solução alternativa.

"A ponto de estarem tentando ser (da posição) nenhuma das anteriores e está sendo bastante útil", disse Stuart Stevens, um estrategista republicano que trabalhou na campanha de Bush em 2004 e que está representando vários candidatos neste ano. "Eles estão oferecendo mais um boletim do tempo do que uma posição de política externa."

Os líderes democratas no Congresso dizem que os eleitores não estão exigindo que os candidatos apresentem um plano coerente para o fim da guerra. Está além do poder do Congresso conduzir operações militares ou ordenar a retirada de tropas. Mas, eles disseram, os eleitores estão se inclinando para o partido em parte por oferecer uma alternativa ao que os democratas chamam de política fracassada do governo Bush.

"O público também entende que não somos o comandante-em-chefe", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York que chefia o comitê de campanha ao Senado do partido. "Se obtivermos a maioria, nós poderemos fazer bem mais para fazer George Bush mudar de direção."

Holbrooke disse que é o governo, e não os democratas, que está em
desentendimento em relação ao Iraque. Os democratas, ele disse, são unidos em seu desejo de retirada. As disputas em torno de quando e como as tropas sairiam são apenas técnicas, ele disse.

"Os democratas defendem uma retirada e uma desescalada", disse Holbrooke. "São os republicanos que defendem todo tipo de posição."

Mas em debates e entrevistas, os candidatos democratas ao Congresso oferecem uma variedade de formulações dentro do campo da oposição à guerra. Bob Casey Jr., o democrata que está desafiando Rick Santorum, republicano da Pensilvânia, pela cadeira deste no Senado, disse que teria votado pela autorização da guerra em 2002 se estivesse no Senado, apesar de ter dito que acredita que a inteligência na qual os senadores basearam seu voto era falha.

O deputado Sherrod Brown, um democrata que está tentando tomar o lugar do senador republicano Mike DeWine, de Ohio, disse que deseja que as forças armadas apresentem um plano para uma retirada "em ordem e segura" das tropas americanas nos próximos dois anos. "É um plano prático e acho que a opinião pública concorda em peso com ele", disse Brown em uma entrevista na quinta-feira.

*Jim Rutenberg contribuiu com reportagem para este artigo.

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