UOL Notícias Internacional
 

29/10/2006

Presidente conta com grande vantagem enquanto Brasil se prepara para votar

The New York Times
Larry Rohter

no Rio de Janeiro
Após um revés nas urnas há quatro semanas devido à irritação dos eleitores com um escândalo de corrupção e sua não disposição de responder perguntas a respeito, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, segue para o segundo turno no domingo com uma vantagem que todas pesquisas sugerem ser insuperável.

Uma vitória lhe garantirá mais quatro anos no cargo.

Uma última rodada de pesquisas de opinião publicadas na sexta-feira mostra Lula, um ex-operário de fábrica e líder sindical, derrotando seu oponente, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira, por pelo menos 60% a 40%. Mais de 125 milhões de brasileiros deverão votar no segundo turno, necessário porque Lula não conseguiu atingir a maioria dos votos no primeiro turno, em 1º de outubro.

"Tudo indica que será uma vitória ressonante, inquestionável para Lula, apesar de todos os escândalos", disse Jairo Nicolau, professor de ciência política da Universidade Cândido Mendes. Nicolau disse que se as pesquisas estiverem corretas, Lula duplicará a vitória esmagadora que o levou à presidência em 2002.

Alckmin, um médico de 53 anos e ex-governador de São Paulo, o Estado mais populoso e rico do Brasil, conseguiu forçar um segundo turno em grande parte devido a um escândalo político de última hora. Em meados de setembro, a polícia prendeu representantes do esquerdista Partido dos Trabalhadores de Lula quando estavam prestes a pagar R$ 1,75 milhão em dinheiro por um dossiê, que aparentemente esperavam que envolveria o campo de Alckmin em um notório esquema de corrupção.

Lula, que completou 61 anos na sexta-feira, negou qualquer envolvimento na trama, que forçou a renúncia de seu diretor de campanha e foi, segundo a polícia, organizada pelo seu ex-guarda-costas e vários outros assessores e amigos.

Lula conseguiu se distanciar de Alckmin nas últimas semanas em parte ao rotulá-lo como um candidato de uma nota só, que falava mais da corrupção do que de seus próprios planos para o Brasil.

A campanha do segundo turno apresentou relativamente poucas marchas e comícios convencionais. Em vez disso, Lula e Alckmin voltaram seus esforços para a imprensa e na formação de alianças, algumas delas ideologicamente ilógicas, com governadores, prefeitos, legisladores e outros líderes políticos que são mediadores tradicionais na política brasileira.

Nesta semana, por exemplo, Lula fez campanha ao lado da herdeira de uma das dinastias conservadoras que ele sempre responsabilizou pela pobreza e atraso em sua região natal do Nordeste. Alckmin, cujo partido é de centro-esquerda, foi criticado por se aliar ao populista ex-governador do Rio de Janeiro, nominalmente um esquerdista como Lula, mas um dos principais rivais do presidente.

Lula realizou apenas uma coletiva de imprensa formal desde que assumiu o governo em janeiro de 2003 e também optou por se ausentar do debate de candidatos antes do primeiro turno eleitoral. As pesquisas citaram tal decisão, vista como arrogante, como um dos motivos para a repentina queda em sua popularidade, o que o tornou mais disponível na campanha de segundo turno, concordando em participar de quatro debates com Alckmin.

O último destes debates ocorreu aqui na noite de sexta-feira, com um grupo de eleitores indecisos fazendo as perguntas. Eles perguntaram sobre saúde, habitação, meio ambiente e desemprego, mas inevitavelmente a longa lista de escândalos de corrupção também foi abordada.

"Os escândalos simplesmente não param", disse Alckmin, se voltando a certa altura para encarar Lula diretamente. "Eles não aprendem. Eles não investigam. Eles escondem tudo."

Lula respondeu que nenhum governo fez mais que o seu para eliminar a corrupção, que ele descreveu como "um tumor enrustido" na política brasileira. Em seus comentários finais, ele prometeu trabalhar mais arduamente pelos brasileiros pobres e retratou a si mesmo como uma vítima da hostilidade dos ricos e privilegiados. George El Khouri Andolfato

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