UOL Notícias Internacional
 

30/10/2006

Disputando simultaneamente os índices de audiência

The New York Times
Edward Wyatt

em Los Angeles
Uma batalha titânica está sendo travada neste outono entre os dois programas de maior audiência na televisão norte-americana, "Grey's Anatomy", na ABC, e "CSI", na CBS. São duas séries que, ao contrário daquelas que durante anos disputaram o título de as mais assistidas, estão indo ao ar simultaneamente.

Divulgação 
O elenco do CSI, da CBS, uma das séries que mais expandiram a audiência da tv americana

Apesar de estarem praticamente empatadas nas quintas-feiras à noite, às 21h, "CSI" e "Grey's" foram capazes de expandir a audiência televisiva para o seu nível mais elevado a cada semana, atraindo juntas 45 milhões de telespectadores, o equivalente à audiência combinada das séries de todas as cinco grandes redes em uma noite típica, segundo o instituto Nielsen Media Research.

Uma outra batalha, que tem sido menos percebida, também está tomando forma. São dois programas concorrentes que vão ao ar nas noites de quarta-feira: "Lost", na ABC, e "Criminal Minds", na CBS.

Juntos, os quatro programas, todos integrantes da lista dos dez de maior audiência, criaram uma das temporadas mais competitivas na televisão em anos.

Eles também demonstram as diferenças nas táticas utilizadas pela ABC e pela CBS na hora de atrair telespectadores. Embora cada um dos programas da ABC fique próximo aos da CBS em termos de número total de telespectadores, o da ABC está bem à frente quando se trata de telespectadores entre 18 e 49 anos, o nicho demográfico mais procurado pelos publicitários.

Mas por trás desse rolo compressor da ABC parece haver pelo menos um ponto fraco. Neste outono "Lost" perdeu telespectadores após a primeira metade do programa, e pelo menos alguns deles parecem estar migrando para a CBS, onde "Criminal Minds" começa meia-hora depois do programa da concorrente.

O fato de as duas séries, a da ABC e a da CBS, terem conseguido ganhar força durante o primeiro mês da temporada, enquanto estavam envolvidas em uma disputa acirrada com as concorrentes, evidencia que as redes de televisão aberta estão longe de serem aqueles dinossauros do passado, conforme a idéia que muita gente faz delas, afirma Kelly Kahl, vice-presidente-executiva da CBS.

"Quase nunca se ouviu falar de dois programas de grande audiência transmitidos no mesmo horário e na mesma noite", diz Kahl. "Conforme tivemos a oportunidade de comprovar diversas vezes, as redes de TV aberta são muito resistentes".

"CSI" ficou em segundo lugar em audiência no ano passado, perdendo apenas para "American Idol", o sucesso da Fox que retornará em janeiro próximo. Neste ano, a ABC decidiu tirar "Grey's Anatomy" dos domingos à noite, um horário no qual ele seguia os passos de "Desperate Housewives". O programa passou a ser exibido nas quintas-feiras, já que os dirigentes da ABC entenderam que este drama sobre jovens médicos tinha uma boa chance de suplantar "CSI" entre a platéia mais nova.

"Grey's" conseguiu essa façanha e mais, passando ao primeiro lugar na audiência televisiva em quase todas as categorias. No primeiro mês da temporada a série ficou em primeiro lugar em termos de audiência total, que chegou a 24 milhões de telespectadores por semana, cerca de um milhão a mais que "CSI".

Mas "Grey's Anatomy" também destruiu a concorrência naquele grupo formado pela faixa etária de 18 a 49 anos. Nesse grupo, segundo o Nielsen Media Research, ele obtém regularmente 9,4 pontos de audiência ou mais, o que significa que um dentre cada dez telespectadores potenciais nesse grupo demográfico nos Estados Unidos está sintonizado no programa. Já "CSI" obtém um índice de 7,5 pontos nesse mesmo grupo.

Ou, colocando-se a coisa de outra forma, "Grey's" conquistou cerca de 23% dos telespectadores entre 18 e 49 anos que estão assistindo à televisão naquele horário às quintas-feiras. Já a audiência de "CSI" corresponde a cerca de 18% daquele grupo.

Neste outono a tendência é similar para "Lost" e "Criminal Minds", dois programas que tiveram bons resultados no ano passado, e que ganharam mais força na nova temporada - sem que um atrapalhasse o outro.

Em termos de número total de telespectadores, os dois programas têm ficado muito próximos em todas as estações, sendo que "Lost", que alcançou uma média de 17,5 milhões de telespectadores por semana, ficou ligeiramente à frente de "Criminal Minds", que teve 16,4 milhões de telespectadores (quando o Nielsen incluiu uma edição de "Lost" do final de setembro que era uma compilação de clips das duas primeiras estações, a média caiu para 15,5 milhões de telespectadores).

No grupo formado pela faixa etária de 18 a 49 anos, "Lost" venceu com facilidade, conquistando 17% dos componentes desse grupo que vêem televisão naquele horário, contra os cerca de 11% de "Criminal Minds".

Mas a CBS tem alardeado o fato de que em algumas ocasiões "Criminal Minds" conquistou um número total de telespectadores maior durante a segunda metade do horário de transmissão, das 21h30 às 22h, quando o número de telespectadores de "Lost" costuma cair, e o número dos que assistem a "Criminal Minds" aumenta.

Tais tendências provavelmente refletem alguns fatores. Programas como "Lost", que atraem telespectadores mais jovens, têm uma maior probabilidade de contar com fãs que gravam o programa em um gravador digital de vídeo, para assisti-lo mais tarde, ou que recorrem ao website da rede de televisão para assistirem aos episódios. A ABC, assim como algumas das suas concorrentes, atualmente coloca os seus maiores programas no seu website para que eles possam ser vistos um dia após a transmissão na TV.

Embora o Nielsen registre dados sobre telespectadores que gravam um programa e o assistam no mesmo dia em que este foi transmitido, o serviço não computa aqueles que vêem o episódio mais tarde, em outro dia da semana, ou os que o assistem online ou que o compram por meio de um serviço como o iTunes.

A ABC disse ainda que o declínio acusado na segunda metade de "Lost", que chega a 500 mil telespectadores por semana, não indica uma fragilidade fundamental do programa. Segundo a rede, isso se deveria o fato de haver um sucesso de audiência de massa como programa principal: "Dancing With the Stars", o programa de competição de dança que está atraindo de 17 milhões a 20 milhões de telespectadores nas noites de terça e de quarta-feira.

Inevitavelmente, alguns desses telespectadores acabam sintonizados na ABC para assistir ao início de "Lost", mas mudam para um outro canal, ou desligam a televisão após a primeira meia-hora do programa.

Ao que parece, aqueles que assim procedem parecem ser os telespectadores mais velhos, do tipo que costuma assistir a "Criminal Minds".

Em apenas uma das primeiras quatro semanas da estação a audiência de "Lost" no grupo de indivíduos de 18 a 49 anos caiu entre a primeira para a segunda meia-hora de exibição dos episódios. "Aqueles que mudam de programa não pertencem ao mesmo grupo demográfico", afirma Jeff Lindsey, porta-voz da ABC.

A concorrência das quartas-feiras criou também mais uma vencedora: a Tochstone Television, a companhia de produção que, como a ABC, é propriedade da Walt Disney Company, que produz tanto "Lost" quanto "Criminal Minds". Danilo Fonseca

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