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31/10/2006

Filmes com temas cristãos voltam em grande forma

The New York Times
Bem Steelman
Hollywood está entendendo de religião? Não prenda a respiração.

Mesmo assim, alguns dos grandes estúdios já notaram o retorno de filmes como "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson (US$ 370 milhões até o início de 2005), ou a versão da Disney de "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa", de C.S.Lewis (US$ 291 milhões até o início de 2006).

Outros filmes cristãos ou inspirados em religião estão entrando para as "próximas atrações" da indústria. Enquanto isso, alguns diretores evangélicos independentes estão aproveitando para divulgar seus produtos.

Até agora, em outubro, vimos "Love's Abiding Joy", romance inspirador baseado no sucesso cristão de Jeanette Okke e dirigido por ninguém menos que Michael Landon Jr., filho do astro venerável de "Os Pioneiros".

"One Night With the King" (uma noite com o rei) volta aos tempos dos velhos épicos bíblicos de Hollywood. Estreou no dia 13 de outubro e ficou entre as 10 maiores bilheterias em sua primeira semana. Baseado em um romance escrito pelo ministro evangélico Tommy Tenney, que adaptou o livro de Ester do Velho Testamento, a produção de US$ 20 milhões (em torno de R$ 44 milhões) traz Peter O'Toole, Omar Sharif e John Rhys Davies (de "Caçadores da Arca Perdida" e "Sliders", da televisão).

A Pure Flix fez um lançamento limitado de "Hidden Secrets", uma espécie de resposta cristã a "O Reencontro", quando um grupo de colegas de 30 ou 40 anos se reúne no funeral de um amigo. John Schneider e Tracy Melchior de "The Bold and the Beautiful" são os atores principais.

E há mais, irmãos e irmãs, sim, de fato, há mais.

A produção de Samuel Goldwyn de "Conversando com Deus", baseada nos livros da nova era de Neale Donald Walsh, estreou no final de semana passado, em lançamento limitado. O ator Henry Czerny ("Perigo Real e Imediato", "The Exorcism of Emily Rose") faz o papel do autor cujas conversas com o Senhor revelam a divindade mais associada à espiritualidade individual do que à "religião".

No início deste outono, Samuel Goldwyn também distribuiu "Facing the Giants" sobre um time de futebol de uma escola cristã que ganha nova vida com a ressurreição espiritual do técnico. (Foi filmado pelos irmãos Alex e Stephen Kendricki, pastores assistentes da Igreja Batista de Sherwood, em Albany, com o elenco recrutado quase inteiramente na congregação.)

Depois, no dia 1º de dezembro, a New Line Cinemas vai estrear "Jesus - A História do Nascimento", com a atriz neozelandesa Keisha Castle-Hughes, da "Encantadora de Baleias", como a Virgem Maria antes do nascimento de Jesus. Catherine Hardwicke, que fez os dramas adolescentes "Aos Treze" e "Os Reis de Dogtown" vai dirigir. No elenco, Alexander Siddig ("Star Trek: Deep Space Nine") e Ciaran Hinds, que fez Julio César em "Roma" da HBO, no papel de Herod.

Autenticidade é a ordem do dia. De acordo com a Internet Movie Database, os atores de "Jesus -A História do Nascimento" tiveram que fazer acampamentos de estudo da Bíblia, aprender a extrair azeite de oliva, tirar leite de cabra e assar pão como os hebreus do 1º século faziam.

Em junho de 2007 estréia "Evan Almighty", seqüência de "Todo Poderoso" de Jim Carrey. Tom Shadyac ("Ace Ventura- Um detetive diferente" e "Patch Adams- o Amor é Contagioso") dirige novamente, e Morgan Freeman volta como Deus -que instrui o congressista ("Steve Carell") a começar a construir uma grande arca. Novamente, uma Séria Lição estará escondida entre as piadas e brincadeiras.

"Príncipe Caspian", o próximo volume da alegoria cristã de C.S. Lewis "As Crônicas de Nárnia", está marcado para lançamento no verão de 2008. Andrew Adamsnon, que chefiou "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" vai dirigir novamente, enquanto Liam Neeson estará de volta como a voz de Aslan.

Walden Media, produtora de "O Leão" será representada neste Natal por uma nova versão de ação de "A Menina e o Porquinho". A história de E.B. White é secular, mas voltada para a família. (Dakota Fanning e Oprah Winfrey estão no elenco, enquanto Julia Roberts faz a voz para Charlotte a aranha.)

Mais longe no horizonte, a Good News Holdings da Califórnia está produzindo "Christ the Lord: Out of Egypt" (Cristo o Senhor: saindo do Egito) baseado no romance de Anne Rice, e "Dudleytown", é descrito como filme de horror cristão para um público jovem.

Nem todos esses filmes vão agradar os evangélicos. (Suspeito que alguns pastores terão coisas a dizer sobre "Evan Almighty" e "Conversas com Deus", decididamente não evangélico).

Mesmo assim, há uma tendência.

De certa forma, é uma volta ao normal. Dos anos 30 ao início dos anos 60, Hollywood produziu um número pequeno mas constante de dramas bíblicos, além de contos de devoção ocasionais, como "Between Two Worlds" (entre dois mundos), "Com um Pé no Céu", "Um Anjo Caiu do Céu". (Pensando bem, seria preciso uma coluna só para esses).

Realmente intrigante foi a 20th Century Fox criar uma unidade separada, a FoxFaith, para responder à demanda de material religioso.

Originalmente, era um braço de entretenimento da Fox; a FoxFaith foi inaugurada há um ano para vender produtos cristãos e vídeos para igrejas, livrarias cristãs e assemelhados.

Agora, entretanto, a FoxFaith também está entrando no ramo do cinema.
"Love's Abiding Joy" foi seu primeiro lançamento e outros estão a caminho. A maior parte será destinada à venda em DVD, a parte comercial da divisão.

O diabo, como sempre, está nos detalhes - e no fato de os filmes serem feitos por atores humanos.

Ingrid Bergman escandalizou os fiéis ao deixar seu marido para fugir com o diretor Roberto Rossellini, um ano depois de fazer "Joana D'Arc" (1948).

No início deste ano, alguns ministros criticaram o drama missionário "End of the Spear" (a ponta da lança) porque um ator assumidamente homossexual, Chad Allen, foi escolhido para o papel principal.

Não se sabe que tipo de recepção "Jesus - A História do Nascimento" terá, agora que a revista People revelou que a atriz de 16 anos está grávida de seu namorado de 19.

Pelo menos, os filmes baseados na fé entraram para o cinema. Será intrigante ver o tamanho do público. Deborah Weinberg

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