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01/11/2006

Estrategistas republicanos aconselham distanciamento de Bush

The New York Times
Adam Nagourney e Jim Rutenberg*

em Washington
Por pelo menos algumas poucas horas na terça-feira, o presidente Bush teve a chance de reviver sua campanha vitoriosa de 2004, obtendo uma pausa do desolador período de campanha republicano enquanto atacava o senador John F. Kerry, democrata de Massachusetts, em torno da guerra no Iraque.

Kerry, que foi adversário de Bush em 2004, não está concorrendo a nenhum cargo neste ano. Mas o presidente explorou o que disse ser comentários depreciativos de Kerry sobre as tropas em um comício na Califórnia -que Kerry insistiu que foi apenas uma piada mal contada- enquanto buscava tornar Kerry a face do Partido Democrata nestas eleições.

No processo, Bush buscou devolver a atenção para a guerra no Iraque, que ele defendeu com vigor renovado enquanto fazia campanha na Geórgia, em um momento em que os candidatos republicanos ao Congresso, seguindo a orientação de estrategistas do partido, estão aumentando seus esforços para se distanciarem da Casa Branca em relação à guerra no momento em que a campanha entra em seus dias finais.

"O presidente Bush não está entendendo nossas frustrações -é hora de ser decisivo, derrotar os terroristas", diz Mike McGavick, o candidato republicano ao Senado em Washington, em uma propaganda que começou a ser veiculada nesta semana. "Divida o país se necessário e traga nossas tropas para casa vitoriosas."

Em Rhode Island na terça-feira, o senador Lincoln Chafee, um republicano que está enfrentando dificuldades contra seu adversário Sheldon Whitehouse, um democrata antiguerra, deu início a uma nova propaganda de televisão lembrando aos eleitores de Rhode Island: "Eu me posicionei contra o Senado e o presidente e votei contra" a guerra.

Em um debate no dia anterior, Chafee sinalizou uma abertura para pedir pela renúncia do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld. Whitehouse tem pressionado Chafee a fazer o mesmo em suas propagandas de televisão.

No Tennessee, Bob Corker, um candidato republicano ao Senado, disse que era hora de um novo plano e mudança de liderança no Pentágono.

Em Nova Jersey, Thomas H. Kean Jr., o adversário republicano do senador Robert Menendez, está começando sua nova propaganda dizendo que deseja "mudar o curso no Iraque; substituir Rumsfeld".

Em Indiana, John Hostettler, um legislador republicano, lembra aos eleitores em sua mais recente propaganda que votou contra invadir o Iraque porque "a inteligência não apoiava a alegação de existência de armas de destruição em massa lá".

Até o momento, nenhum destes republicanos pediu por uma retirada imediata do Iraque, e alguns expressaram anteriormente reservas em relação à guerra ou foram inicialmente contrários a ela. Mas sua disposição de romper publicamente com a Casa Branca nos últimos dias de campanha -em alguns casos até com o encorajamento ativo dos próprios estrategistas do partido- serve como evidência de quanto consideram a guerra no Iraque um tema letal nestas eleições.

É particularmente chamativo porque Bush tem defendido a guerra e atacado os democratas por isto com crescente força nos últimos dias.

O crescente número de mortos no Iraque no último mês, assim como as
aparentes divergências entre os Estados Unidos e o governo iraquiano sobre como proceder, deram novas oportunidades para os democratas criticarem a forma como Bush está lidando com o conflito e argumentarem que a eleição de um Congresso democrata é o primeiro passo para encontrar uma solução.

Por todo o país, os democratas estão exibindo propagandas de televisão que exibem cenas de batalha do Iraque e fotos de seus adversários republicanos ao lado de Bush enquanto pedem por mudanças drásticas na estratégia para o Iraque.

"Nós certamente orientamos os candidatos a não parecerem estar marchando no mesmo passo que o governo na forma como a guerra do Iraque está sendo conduzida", disse um alto estrategista do Partido Republicano para campanhas ao Senado, que insistiu no anonimato em troca da revelação do conselho político que está sendo dado aos candidatos. "Se você não se manifestar contrário à forma como esta guerra está sendo conduzida, você está arruinado."

"Os candidatos estavam em uma situação difícil por algum tempo", disse este estrategista do partido. "A forma como foi enunciado antes -manter o curso contra sair correndo- qualquer mudança nisto certamente seria bem-vinda."

Ao atacar Kerry e defender a guerra, a Casa Branca claramente fez o cálculo que conseguir aquela que era sua principal meta estratégica neste ano -estimular a desanimada base conservadora- compensaria qualquer risco oriundo de acentuar a guerra, o que membros do Partido Republicano dizem que tem sido um fardo enorme para seus candidatos. A Casa Branca até mesmo adotou o medida incomum de divulgar antecipadamente trechos dos ataques de Bush.

Em seus comentários na Califórnia, Kerry disse: "Sabem como é, ensino, se você tirar o máximo dele, se estudar com afinco, fizer sua lição de casa e fizer um esforço para ser inteligente, você pode se dar bem. Caso contrário, ficará atolado no Iraque".

Kerry disse que ele estragou uma piada que seus assessores disseram que foi redigida assim: "Sabe onde você vai parar se não estudar, se não for inteligente, se for intelectualmente preguiçoso? Vai acabar nos deixando atolados em uma guerra no Iraque. Basta perguntar ao presidente Bush".

Bush, falando para uma platéia animada em um comício de campanha no fim da tarde de terça-feira, em uma arena semivazia no Georgia National Fairgrounds em Perry, disse que Kerry insultou a inteligência dos soldados americanos.

"A sugestão do senador que de os homens e mulheres de nossas forças armadas carecem de educação é um insulto e é vergonhoso. Os membros das forças armadas americanas são bastante inteligentes e muito corajosos, e o senador de Massachusetts lhes deve um pedido de desculpas."

A menção do nome de Kerry provocou vaias, que cresceram após Bush citar seus comentários.

Kerry, um veterano do Vietnã, convocou uma coletiva de imprensa na qual
acusou Bush de torcer suas palavras para ganho político. "A tentativa da Casa Branca de distorcer minha verdadeira declaração é um testamento notável de seu fracasso abjeto em tornar a América segura", ele disse. "É uma declaração atordoante sobre a disposição dela de reduzir tudo na América a política partidária."

Mas alguns democratas foram rápidos em se distanciar do homem que foi seu porta-bandeira há apenas dois anos.

"Este é um exemplo do pior da política", disse Scott Kleeb, um candidato democrata para o Congresso por Nebraska. "Muitos de nós têm preocupações sérias com a atual situação no Iraque, mas ninguém deve questionar a inteligência e dedicação de nossas tropas. O comentário do senador Kerry foi desrespeitoso e insultante."

*John Broder, em Perry, Geórgia, e Carolyn Marshall, em San Francisco, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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