UOL Notícias Internacional
 

04/11/2006

Promotores acusam presidente de Taiwan de corrupção

The New York Times
Joseph Kahn

em Pequim
Promotores taiwaneses disseram na sexta-feira que têm evidências suficientes para indiciar o presidente Chen Shui-bian por corrupção, um fato que provavelmente aumentará a pressão para que renuncie.

Os promotores públicos indiciaram a esposa de Chen e dois ex-assessores na sexta-feira por desvio de dinheiro de um fundo diplomático secreto sob controle de Chen. O próprio Chen não pode ser indiciado enquanto estiver no governo, disseram os promotores, mas poderá enfrentar acusações formais quando não mais desfrutar de imunidade diplomática.

Chen, cujo mandato vai até 2008, não fez nenhum comentário na sexta-feira sobre os indiciamentos, mas no passado manteve de forma firme que é inocente.

Ele e líderes do Partido Progressivo Democrático do governo se reuniriam para consultas na noite de sexta-feira. Até o momento, ele conseguiu mobilizar o apoio dos simpatizantes fiéis do partido.

David Lee, um porta-voz do gabinete do presidente, disse após o anúncio das acusações que a vice-presidente Annette Lu, que estava em viagem à ilha de Penghu, foi chamada a Taipé, a capital. Lu sucederá Chen como presidente caso ele renuncie.

Chen, que venceu duas eleições com uma plataforma pedindo medidas para a formalização da independência da China, já conseguiu superar dois esforços legislativos anteriores para afastá-lo do cargo. Ele caracterizou a investigação de corrupção como um ataque politicamente motivado contra suas políticas.

Mas uma economia relativamente fraca, o impasse nas relações com Pequim e escândalos de suborno derrubaram seu índice de popularidade para abaixo de 20% nas pesquisas mais recentes, atrapalhando seus esforços para aprovar iniciativas legislativas.

Para ajudar a reviver o entusiasmo entre sua base, que é a favor da oficialização da independência de Taiwan, Chen prometeu no início desta semana a redação de uma nova Constituição que reforçaria sua visão da identidade separada de Taiwan.

Tal medida provocaria uma forte reação da China, que se recusa a descartar uma ação militar para impedir uma independência formal. Mas os líderes chineses adotaram recentemente uma abordagem discreta em relação a Taiwan, enquanto Chen luta para se manter no cargo e enfrenta um legislativo controlado pelo Partido Nacionalista de oposição.

O Gabinete do Promotor Público da Suprema Corte de Taiwan indiciou formalmente a esposa de Chen, Wu Shu-chen, sob acusação de emitir recibos falsos para sacar cerca de US$ 450 mil de um fundo destinado a apoiar as iniciativas diplomáticas de Taiwan no exterior. O fundo está sob controle do presidente.

Dois ex-assessores, Ma Yung-cheng e Lin Teh-shun, e o contador do presidente, Chen-Chen-hui, também foram indiciados por acusações relacionadas de corrupção e perjúrio.

Chang Wen-cheng, que anunciou o indiciamento em uma coletiva de imprensa em Taiwan na tarde de sexta-feira, disse que o próprio Chen é suspeito de suborno e obstrução da Justiça, sugerindo que as acusações contra ele seriam apresentadas quando deixasse o cargo.

O líder do Partido Nacionalista de oposição, Ma Ying-jeou, pediu a renúncia imediata de Chen.

"Ele perdeu a confiança e o respeito das pessoas e está sobrecarregado de escândalos", disse Ma. "Ela não pode mais liderar as pessoas nem representar eficazmente o país."

Legisladores do partido de Chen o apoiaram apesar dos protestos de rua em grande escala e dos esforços legislativos da oposição para derrubá-lo. Apesar de alguns membros do partido terem argumentado que suas chances de reconquistar a presidência em 2008 seriam maiores em caso de renúncia, ainda é considerado improvável que Chen deixe o cargo voluntariamente.

As últimas acusações são as mais recentes em uma série de investigações dos interesses de Chen, sua família e seu círculo interno. Nos últimos meses, promotores acusaram o genro do presidente, Chao Chien-ming, de fazer uso de informações privilegiadas para negociar ações. Chao negou ter feito qualquer coisa errada.

Os promotores também investigaram acusações de que Wu pode ter obtido um grande número de vales-presente de uma rede de lojas de departamento que buscava permissão do governo para uma mudança de propriedade. Os promotores anunciaram posteriormente que não dispunham de evidência suficiente para indiciá-la neste caso.

Chang, o porta-voz da equipe da promotoria da Suprema Corte, disse que os investigadores se reuniram com o presidente Chen duas vezes para discutir o uso do fundo diplomático no centro do atual escândalo. O dinheiro é destinado a uso pelos líderes para promover os interesses de Taiwan no exterior.

Os investigadores pressionaram o presidente a prestar contas dos gastos do fundo, disse Chang, mas alguns dos documentos que receberam em resposta foram rejeitados como falsificações.

"Chen apresentou documentos sobre seis casos nos quais fundos diplomáticos secretos foram usados, mas a investigação pelos promotores mostrou que apenas os documentos de dois casos eram exatos", disse Chang.

A investigação teve início em julho, depois que o Ministério da Auditoria disse ter encontrado irregularidades nos registros de gastos do gabinete presidencial. George El Khouri Andolfato

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