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05/11/2006

Republicanos ficam abatidos enquanto lutam para manter o Congresso

The New York Times
Adam Nagourney e Robin Toner*

em Washington
A batalha pelo Congresso entrou no fim de semana decisivo com os líderes do Partido Republicano dizendo que o melhor resultado que podem prever é a perda de 12 cadeiras na Câmara, mas estão cada vez mais se preparando para a perda de pelo menos 15, conseqüentemente perdendo o controle da Câmara pela primeira vez em 12 anos.

Democratas e republicanos disseram que a batalha pelo Senado também ficou mais aberta nas últimas horas antes das eleições de terça-feira. Os democratas disseram achar que quase certamente conquistarão quatro ou cinco cadeiras a mais e ainda há chance de uma sexta, necessária para que assumam o controle da casa. Os republicanos estão despejando dinheiro nas disputas pelo Senado em Michigan e Maryland neste fim de semana, para tirar proveito do que descreveram como oportunidades de última hora, apesar de mínimas, em Estados cuja cadeira é atualmente democrata.

Estrategistas de partido de ambos os lados, falando em entrevistas após concluírem a realização de suas mais recentes pesquisas e fazerem as últimas compras de horário publicitário na televisão, disseram estar exibindo anúncios em mais de 50 distritos eleitorais neste fim de semana, bem mais do qualquer um imaginava que estivesse em jogo a esta altura.

Quase todas estas cadeiras são mantidas por republicanos, o que ressalta o grau em que o presidente Bush e seu partido foram forçados a ficar na defensiva dois anos após ele ter dito que sua reeleição lhe dava o capital político para realizar uma agenda doméstica e externa ambiciosa.

No início do fim de semana, os partidos realizaram suas últimas ações táticas enquanto candidatos discutiam guerra, economia, corrupção e competência, e enquanto campanhas elaboradas para mobilizar eleitores a votar eram colocadas em ação. Em jogo está não apenas o controle da Câmara e do Senado, mas também potencialmente o curso da presidência Bush em seus últimos dois anos e o debate sobre como proceder no Iraque.

Os democratas compraram horário de propaganda em mais outra disputa por cadeira na Câmara que há muito era considerada garantida para os republicanos, a da deputada Marilyn Musgrave, do Colorado. Bush apareceu em um comício no distrito de Musgrave na manhã de sábado, parte de um esforço de campanha final do presidente visando apoiar republicanos em dificuldades em alguns dos Estados mais republicanos do país, incluindo Nebraska e Kansas. Outra notícia que provocou calafrios em muitos republicanos foi que a pesquisa da Universidade de New Hampshire mostrou que o deputado Charles Bass, um republicano moderado popular que não era considerado vulnerável neste ano, está atrás de seu adversário.

"É o pior ambiente político para candidatos republicanos desde Watergate", disse Glen Bolger, um pesquisador republicano que trabalha em muitas das principais disputas deste ano.

Joe Gaylord, que foi tenente político de Newt Gingrich quando este liderou a tomada republicana da Câmara em 1994, disse que baseado nos números das pesquisas que viu nas últimas semanas, ele espera que o partido perderá entre 25 a 30 cadeiras na terça-feira. Tal avaliação geral foi repetida em entrevistas com republicanos ligados à Casa Branca e ao Comitê Nacional Republicano.

"É muito sombrio", disse Gaylord. "As coisas estão realmente feias lá fora."

O deputado Thomas M. Davis III, um republicano da Virgínia e estrategista veterano do partido, apontou que um número significativo de disputas continua apertada, acrescentando: "Não há dúvida de que sofreremos um baque. A única dúvida é quão duro ele será".

Ainda assim, alguns republicanos, e alguns democratas, disseram que os republicanos podem ser ajudados por vantagens estruturais que podem, no mínimo, atenuar as perdas do partido. Assessores de ambos os partidos disseram que pelo menos 20 disputas estão apertadas o suficiente para que a sofisticada operação de mobilização dos eleitores para votar possa lhes conceder a vitória. Karl Rove, o assessor político chefe de Bush, garantiu a associados nervosos que a operação republicana de mobilização de eleitores ajudará a salvar o partido de um desastre eleitoral.

"Há muitas cadeiras disputadas, o motivo para o comparecimento (dos
eleitores) fazer tanta diferença", disse o deputado Eric Cantor, da Virgínia, o vice-articulador republicano.

O deputado Thomas M. Reynolds, o republicano de Nova York que chefia o esforço do partido para manter o controle da Câmara, disse: "O comparecimento será chave para nós nestas três dúzias de disputas que estão apertadas em todo o país". Em um sinal de quão inesperadamente difícil está o clima para os republicanos, Reynolds teve que dedicar grande parte do seu tempo à sua própria batalha difícil pela reeleição.

Apesar das pesquisas mostrarem um profundo descontentamento com o Congresso, Bush, seu partido e a guerra no Iraque, apenas cerca de 10% das disputas na Câmara podem ser consideradas mesmo que remotamente competitivas. Tal número serve como lembrete do poder da máquina de governo e de como o partido dominante pode se proteger explorando distritos eleitorais que servem como anteparos durante períodos de tempestade. Há 34 deputados da Câmara e um senador concorrendo para a reeleição sem oposição.

"Se os democratas acabarem com 53% dos votos nacionais e ainda assim não obtiveram a maioria na Câmara, o que é concebível, será um sinal claro de que esta vantagem estrutural republicana realmente influiu", disse Gary C. Jacobson, um cientista político da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Ken Mehlman, o presidente nacional do Partido Republicano, disse em uma entrevista que a "disputa pela Câmara continua acirrada e acredito que manteremos nossa maioria".

"E acho que o Senado, na semana passada", ele disse, "estava muito bom para os republicanos e muito difícil para os democratas".

Seu par democrata, Howard Dean, ofereceu uma leitura diferente do ambiente eleitoral. "Eu não acho que é possível considerar nada garantido, mas estou extremamente empolgado com a forma como nos sairemos", disse Dean.

"O presidente vai passar o último domingo fazendo campanha em Nebraska!" ele exclamou, se referindo ao status altamente republicano do Estado. "Quem imaginaria isto?"

De forma apropriada para uma campanha que foi marcada por fortes propagandas negativas e ataques pessoais, a rodada de encerramento de propagandas eleitorais -que em anos mais típicos consistia em grande parte de anúncios de 30 segundos mais moderados no qual o candidato fazia um último apelo por apoio- foi neste fim de semana liderada por outra série de fortes acusações envolvendo assuntos como estimular terroristas, aumentar impostos e episódios de indiscrição pessoal.

"Direção perigosa. Prisões. Investigações federais", diz um locutor em uma nova propaganda contra o deputado John E. Sweeney, republicano de Nova York, de autoria de sua oponente, Kirsten Gillibrand. "Uma campanha de mentiras."

Por todo o país, mas particularmente em Missouri, Ohio, Pensilvânia e
Montana, as operações para mobilização maciça dos eleitores deram início aos seus planos para as 72 horas finais, com uma série de telefonemas e visitas pessoais aos eleitores há muito identificados e cujos nomes foram guardados em cofres eleitorais juntamente com sua informação demográfica e histórico político.

No Senado, os republicanos se preparavam para o que estrategistas de ambos os partidos descreveram como derrotas quase certas dos senadores Mike DeWine, de Ohio, e Rick Santorum, da Pensilvânia. Eles disseram que Lincoln Chafee, de Rhode Island, também caminha provavelmente para uma derrota. As esperanças democratas de conquistar uma cadeira no Tennessee parecem ter desaparecido nos últimos dias, apesar das chances de remover o senador George Allen, da Virgínia, parecerem ter aumentado, disseram líderes de ambos os partidos.

O senador Conrad Burns, um republicano de Montana que enfrentou dificuldades o ano todo diante de seu adversário, Jon Tester, parece ter ficado mais forte nos últimos dias, segundo assessores de ambos os partidos. Representantes de ambos os partidos disseram estar atentos para ver se a visita de Bush a Montana, na quinta-feira, ajudou ou não Burns a manter uma cadeira que muitos republicanos consideravam perdida.

Os republicanos disseram ainda ter esperança de tomar a cadeira do senador Robert Menendez, democrata de Nova Jersey, após despejarem US$ 5 milhões em seu Estado nos últimos 10 dias. Mas alguns analistas disseram que a forte investida pode ter chegado tarde demais para fazer diferença.

Nos últimos dias, no que alguns importantes estrategistas republicanos
disseram ser algo entre uma jogada difícil e uma improvável, os
republicanos gastaram dinheiro em um esforço para conquistar uma cadeira aberta em Maryland, na esperança de que os negros do Estado dêem as costas aos democratas e votem em Michael Steele, um negro republicano. Em Michigan, o Partido Republicano investiu dinheiro para derrotar a senadora democrata Debbie Stabenow.

O senador Charles E. Schumer, o democrata de Nova York que lidera o esforço do partido para conquistar o Senado, disse que "as coisas parecem melhor para nós", mas que os democratas ainda enfrentam dificuldade para tomar o Senado.

"Eu não preveria isto a esta altura", disse Schumer. "Eu diria que será
apertado tanto para um lado quanto para o outro. As chances de ser quatro, cinco ou seis cadeiras são maiores do que três ou sete."

Na Câmara, os democratas parecem certos de que tomaram as cadeiras
republicanas vagas no Arizona, Iowa e Colorado, juntamente com a cadeira por Ohio de Bob Ney, que se declarou culpado de acusações de corrupção e renunciou na sexta-feira. Os líderes do partido disseram que os republicanos que parecem caminhar para uma derrota na terça-feira são os deputados Curt Weldon, da Pensilvânia, e Chris Chocola e John Hostettler, de Indiana. Outras prováveis conquistas democratas incluem a cadeira pela Flórida deixada por Katherine Harris, que está concorrendo ao Senado, e a do interior de Nova York que está sendo deixada por Sherwood Boehlert.

Representantes de ambos os partidos disseram que mais de 20 disputas na
Câmara continuam muito acirradas, o motivo para os democratas poderem
conquistar pelo menos 30 cadeiras ou ficarem aquém do avanço de 15 cadeiras necessário para assumirem o controle, dependendo do comparecimento do eleitor para votar ou mudanças de último minuto. Vários analistas independentes respeitados, incluindo Stuart Rothenberg e Charles Cook, previram que os democratas poderão conquistar 35 cadeiras ou mais.

É possível que nenhum deputado democrata seja derrotado, apesar dos
republicanos estarem fazendo um grande esforço para derrotar dois democratas na Geórgia.

Diante de oportunidades cada vez menores, os republicanos buscaram no último fim de semana gastar dinheiro para manter duas cadeiras deixadas por republicanos que partiram sob nuvens: Mark Foley, da Flórida, e Tom DeLay, do Texas. O fato do partido ter sido obrigado a destinar dinheiro para estas duas disputas, juntamente com outras em que os legisladores foram prejudicados por seus próprios escândalos ou manchados pelo escândalo de Foley no Congresso, foi para estrategistas republicanos um dos muitos problemas que enfrentaram.

"As cadeiras de escândalo claramente nos prejudicaram e nos deixaram em
desvantagem", disse Carl Forti, um alto estrategista do Comitê Nacional
Legislativo Republicano.

Representantes de ambos os partidos disseram que, no final, esta eleição se tornou um teste sobre se as proteções institucionais implementadas pelos republicanos para conduzi-los à vitória, incluindo a redistribuição dos distritos eleitorais e uma poderosa máquina de mobilização de eleitores, poderá protegê-los durante a mais tempestuosa das campanhas eleitorais.

"Esta é uma destas grandes eleições nacionais, mais poderosa em sua força do que todas as divisões arbitrárias (de distritos eleitorais)", disse o deputado Rahm Emanuel, o democrata de Illinois que está liderando o esforço de seu partido para tomada da Câmara. "A história diz que toda década possui uma grande eleição de meio de mandato nacionalizada. E esta é ela."


*Carl Hulse e Jeff Zeleny contribuíram com reportagem George El Khouri Andolfato

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