UOL Notícias Internacional
 

10/11/2006

Guerra de gangues em favela de Nairóbi provoca fuga de milhares

The New York Times
Jeffrey Gettleman

em Nairóbi, Quênia
Nos últimos cinco dias, mais de 10 pessoas foram mortas e 600 casas incendiadas em uma incomum onda de violência entre as gangues de Nairóbi.

A guerra esvaziou toda uma favela no centro de Nairóbi e, na quinta-feira, mulheres em fuga, carregando colchões em suas costas, avançavam com dificuldades pelas ruas, enquanto homens com martelos desmontavam os barracos de metal que costumavam ser seus lares para vender as próprias paredes como sucata.

Evelyn Hockstein/The New York Times 
Moradores abandonam Mathare, um aglomerado de favelas onde moram 500 mil pessoas

O derramamento de sangue teve início com uma disputa por produtos ilegais, mas foi alimentado pela rivalidade étnica. O centro da violência é Mathare, um aglomerado de favelas com aproximadamente 500 mil pessoas, amontoadas entre o centro de Nairóbi e um bairro rico onde vivem muitos embaixadores. Mathare é um cenário de ferrugem -milhares de barracos espremidos juntos com telhados de metal enferrujados e paredes de metal enferrujadas, com uma ocasional ponte de metal enferrujada entre eles. Até mesmo o barro aqui, onde não cresce nenhum folha de grama, é da cor vermelho-ferrugem.

A área é notória como bolsão de anarquia em uma cidade relativamente ordeira, um local onde gangues de rua cobram taxas e adolescentes com machetes e tranças extorquem as pessoas em barreiras. Na maioria dos dias, não se encontra a polícia em nenhum lugar. Os moradores dizem que é assim há anos."Você paga a segurança, você paga a eletricidade, você paga por água e esgoto e o que você recebe?" disse Morris Odek, um pai de três. "Nada."

No domingo, a violência estourou entre as gangues que disputam o controle deste território pobre. Uma gangue é a Mungiki, uma seita secreta, quase religiosa, cujos membros cortam os umbigos de seus inimigos e adoram um líder que disse que veio de uma bola de estrelas. A outra é uma gangue de vigilantes que se chama Taleban, apesar de serem cristãos e não terem nada a ver com o Taleban original, que impôs um estilo severo de Islã no Afeganistão. "Eles apenas queriam um nome que soasse durão", disse George Wambugu, um orientador de jovens para uma divisão de futebol em Mathare.

Os Mungiki e os Taleban já entraram em choque antes, mas não desta forma. Segundo os moradores, os Mungiki tentaram impor um imposto mais alto sobre os produtores de chang'aa, uma bebida alcoólica caseira proibida e mais forte que a vodca.

Os produtores resistiram e requisitaram a ajuda do Taleban para contra-atacar. Isto levou a um ciclo de confrontos de rua, barracos incendiados e mortes por represália. A maioria das vítimas é morta com golpes de machete, apesar de algumas aparentemente terem sido baleadas.

Como muitos dos conflitos da África, esta tem uma dimensão étnica, com a maioria dos Mungiki oriunda da tribo Kikuyu, uma das maiores do Quênia, enquanto os Taleban são principalmente da Luo, outra tribo proeminente. "É por isso que não vai acabar", disse Daniel Opiyo, um vendedor de sapato cujo lar foi incendiado. "É tribal e prosseguirá."

A polícia ocupou Mathare na terça-feira, mas as mortes continuaram. Na quarta-feira, o governo queniano enviou soldados com metralhadoras e declarou um toque de recolher do entardecer ao amanhecer.

Na quinta-feira, os soldados rondaram as ruas de barro, aparentemente prendendo aleatoriamente alguns poucos jovens que ficaram. "Vê este ujeito", disse um soldado, botando a mão em um garoto com um colar de contas no pescoço. "Mungiki."

Após o menino ter explicado que era borona, uma tribo do norte do Quênia, ele foi solto. Mas outros garotos estavam sendo conduzidos pela ruas com as mãos amarradas às costas e lágrimas nos olhos.

Milhares de pessoas têm deixado Mathare, criando uma crise no meio de Nairóbi, a capital do Quênia. Na quinta-feira, enquanto passavam Mercedes-Benz brilhantes e microônibus lotados com destino ao centro, uma multidão de moradores de Mathare se aglomerava do lado de fora de uma base da força área próxima. Camas, mesas e fardos de roupa molhada estavam empilhados ao redor delas. Como é a estação das chuvas, muitas pessoas têm dormido no chão molhado. Os moradores disseram que vários bebês morreram por causa da exposição. "Mas ninguém realmente se importa", disse Angelina Okumba, 52 anos, mãe de 11 filhos.

As autoridades quenianas tentaram tranqüilizar os moradores de que os combates cessaram. "É hora de voltar para casa", disse J.K. Ndegwa, um comandante da polícia. "Não há problema aqui."

Em uma colina fumegante, crianças brincavam entre xícaras quebradas enquanto seus pais empacotavam seus últimos pertences. O cheiro de queimado incomodava o nariz e apesar de ter chovido toda a semana, as chamas ainda queimavam. George El Khouri Andolfato

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