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10/11/2006

No Pentágono, preocupação com culpa pelo Iraque

The New York Times
Thom Shanker

em Washington
Enquanto percorriam apressadamente os 28 quilômetros de corredores do Pentágono, funcionários civis e militares mantinham na quinta-feira (09/11) arquivos estampados como "secreto", copos pingando o café que alimenta seus esforços e posições divididas em relação ao assunto mais quente de todos: a saída do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld.

Alguns torciam por ela, outros disseram que o dia chegou cedo demais.

Mas com a decisão do presidente de mudar seu secretário de Defesa, as pessoas em uniforme, particularmente, se perguntavam se a opinião pública daqui em diante responsabilizaria as forças armadas pelo atoleiro do Iraque, apesar dos seis anos de domínio por Rumsfeld da política militar americana.

Por mais que temessem, ou mesmo desgostassem, de Rumsfeld como chefe, os oficiais agora temem a perda do apoio popular. É um efeito duradouro das detestáveis lembranças da forma como os militares eram vistos e tratados por muitos em público após a Guerra do Vietnã.

Dentro do Pentágono, um enorme labirinto no qual trabalham mais de 20 mil pessoas, não há nenhum sentimento predominante, assim como entre as cerca de 1,5 milhões de pessoas que atualmente compõem o serviço militar ativo.

Mas além das impressões em relação ao estilo de administração de Rumsfeld, alguns altos oficiais militares disseram que o governo tem buscado conscientemente atribuir a culpa pela situação no Iraque a recomendações e decisões específicas das forças armadas - ou à relutância dos oficiais em contestar os pontos de vista dos civis do Pentágono. Tal posição é defendida até mesmo por alguns civis do Pentágono.

Um oficial, usando um jargão curto para o secretário de Defesa, disse: "Na questão das relações apropriadas entre civis e militares, o Secdef e o governo não têm ajudado em seus comentários públicos, parecendo impingir grande parte das controvérsias relacionadas ao Iraque aos militares -seja o plano de guerra inicial, a estratégia ou o nível de tropas, essencialmente usando as altas patentes como escudo".

Vários oficiais de baixo e médio escalão disseram se perguntar se, ou quão rapidamente, os altos oficiais se manifestarão e defenderão com mais força as necessidades das forças armadas junto à liderança civil do Pentágono sob Robert M. Gates, que foi o escolhido por Bush para suceder Rumsfeld.

Todo o grupo de atuais oficiais de três e quatro estrelas foi avaliado por Rumsfeld antes de suas promoções - o que não quer dizer que todos sejam amigos de Rumsfeld. Vários deles são bem mais críticos do secretário de Defesa em comentários privados do que em público.

Como é típico, oficiais de todas as patentes foram cuidadosos em expressar suas posições anonimamente quando entrevistados para este artigo. Mas altos oficiais, cujas posições podem alterar mais direta e rapidamente o curso das operações no Iraque, Afeganistão e outros lugares, podem se mostrar particularmente contidos em seus comentários nas próximas semanas.

Os generais e almirantes podem conter seu fogo, em parte por respeito ao controle civil das forças armadas, mas também por estarem esperando por cargos no novo círculo de confiança da nova equipe, disseram vários altos oficiais.

Vários altos oficiais aqui e em várias partes do mundo disseram na quinta-feira que transmitiram uma mensagem aos seus subordinados, ou falaram diretamente a assistentes, lembrando que a cadeia de comando permanece intacta, que a missão militar permanece inalterada e que Rumsfeld ainda é o chefe até que seja substituído pela confirmação do sucessor pelo Senado.

"Algumas pessoas ficaram animadas com a renúncia, é claro", disse um oficial militar com posto no Pentágono. "Algumas no escritório achavam que ele estava fazendo um grande trabalho diante das dificuldades. Mas mesmo as pessoas que não gostavam de Rumsfeld desde o início estão mais preocupadas com seus afazeres. Neste mundo, a liderança vai e vem- mas seis anos foi um longo tempo."

Um alto oficial, observando que os militares são conservadores por natureza e portanto em grande parte republicanos, fez esta avaliação de como os serviços armados devem retornar a um status consciente de não partidarismo deliberado. "Eu acho que aprendemos com Rumsfeld que devemos desconfiar dos republicanos tanto quanto desconfiamos dos democratas", disse o oficial.

Outro alto oficial, um veterano do Iraque lotado no exterior, disse que "no campo, nós estamos em operação, e apesar dos eventos de ontem serem mencionados, eles não são o principal assunto das conversas". "As pessoas aqui estão sendo enviadas (para a guerra), reenviadas, estão treinando para o envio ou cuidando de seus assuntos normais como parte de um Exército em transformação", disse o oficial. George El Khouri Andolfato

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